Um chute mal ajustado na saída de bola, um carrinho por trás na intermediária, e o time já soma a quinta infração da etapa, sem que o placar ou a súmula deixem transparecer qualquer sinal de alarme para quem assiste do lado de fora da quadra. É justamente nesse detalhe, quase invisível para o torcedor desatento, que mora um dos mecanismos mais decisivos entre as regras do futsal, o das faltas acumuladas por equipe, que permite a cada time cometer até cinco faltas por tempo de jogo sem nenhuma punição além da simples marcação da infração na súmula do árbitro.
O que muda a partir da sexta falta
A partir da sexta infração acumulada no mesmo tempo, porém, as regras do futsal sobre faltas acumuladas mudam por completo, porque o time adversário passa a ter direito a um tiro livre direto sem barreira, cobrado a dez metros do gol ou mais perto, caso a falta tenha ocorrido entre a área e essa marca. Nessa cobrança específica, apenas o goleiro pode tentar a defesa, e ele só tem permissão para se mover depois que a bola é efetivamente tocada pelo cobrador. Entram nessa contagem lances como empurrões, carrinhos perigosos, puxões por trás, seguradas no adversário, uso excessivo de força e o uso ilegal dos braços ou das mãos, enquanto infrações puramente técnicas, como impedimento, erro na cobrança de lateral, demora excessiva no escanteio ou o goleiro segurando a bola por mais de quatro segundos, ficam de fora dessa soma específica. A contagem, além disso, zera a cada novo tempo de jogo e também na eventual prorrogação, o que faz o placar de faltas recomeçar do zero na etapa complementar mesmo que a primeira metade tenha terminado tensa e disputada até o apito final.
Regras básicas do futsal, da duração da partida ao tamanho da quadra
Fora desse mecanismo específico, as regras básicas do futsal seguem uma estrutura direta: uma partida oficial dura 40 minutos, divididos em dois tempos de 20 minutos, com um intervalo de 15 minutos entre eles. Cada equipe entra em quadra com cinco jogadores, incluindo o goleiro, mas pode inscrever um elenco de até 18 atletas, o que garante até nove reservas disponíveis para cada partida. As substituições, diferentemente do que ocorre no futebol de campo, são ilimitadas e podem ser feitas a qualquer momento, com a bola em jogo ou parada.
A bola também segue um padrão que varia conforme a categoria: na modalidade adulta, tem entre 62 e 64 centímetros de circunferência e pesa de 400 a 440 gramas, enquanto no sub-13 a circunferência cai para 55 a 59 centímetros e o peso para 350 a 380 gramas, e nos sub-11 e sub-9 ela fica ainda menor, entre 50 e 55 centímetros e 300 a 330 gramas. A quadra, por sua vez, tem medidas dentro de uma faixa de regulamento que varia de 30 a 42 metros de comprimento por 17 a 22 metros de largura, mas nas competições nacionais de adulto e sub-20 masculino a medida mínima exigida é de 38 por 18 metros. A área do goleiro, ou grande área, se estende a seis metros de cada trave, e é ali que valem regras específicas como o limite de quatro segundos para o goleiro manter a bola sob controle, já que, se ultrapassar esse tempo, o time adversário ganha um tiro livre indireto. Já o lateral, cobrado sempre com os pés, exige que a bola esteja posicionada sobre a linha ou a até 25 centímetros fora dela, um detalhe que passa despercebido até decidir um jogo apertado. Outro mecanismo que também mudou a forma de arbitrar partidas nos últimos anos foi o desafio de vídeo dos técnicos no futebol.
Esse conjunto de normas, hoje aplicado nas competições organizadas pela CBFS, sustenta o esporte que colocou o Brasil no topo do ranking mundial: a seleção é a maior campeã da Copa do Mundo de Futsal da FIFA, com seis títulos conquistados em 1989, 1992, 1996, 2008, 2012 e 2024. A conquista mais recente teve um capítulo à parte, quando o Brasil bateu a Argentina por 2 a 1 na final disputada em Tashkent, no Uzbequistão, na primeira decisão da história do torneio entre duas seleções sul-americanas. O título também chegou 12 anos após a conquista anterior do Brasil, em 2012, marcando o retorno do país ao topo do futsal mundial.
Depois de erguer a taça, o técnico Marquinhos Xavier resumiu o momento em entrevista à Gazeta Esportiva: “Já sou campeão do mundo, serei pelo resto da vida e isso me satisfaz.”



