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Mascotes dos times brasileiros: de onde vêm eles?

Do Urubu do Flamengo à Raposa do Cruzeiro, veja a origem dos mascotes dos times brasileiros e por que tantos nasceram de xingamentos de rivais.

por Beatriz Rocha 21 de setembro de 2026 4 min de leitura
Torcida do Cruzeiro no Mineirão com mascote inflável da Raposa acima de faixa dos torcedores (Foto de arquivo: mascote inflável do Cruzeiro no Mineirão, torcida em jogo anterior.)

Foto de arquivo: mascote inflável do Cruzeiro no Mineirão, torcida em jogo anterior. (Foto: Raphaelrsc Public domain via https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Torcida_do_cruzeiro_no_mineir%C3%A3o.JPG)

De onde vêm os mascotes dos times brasileiros? A resposta muda de clube para clube, mas um fio conecta boa parte das histórias: xingamentos de rivais que a torcida transformou em símbolo de orgulho.

O caso mais claro é o do Flamengo. O Urubu foi adotado oficialmente em 1º de junho de 1969, quando torcedores soltaram uma ave de verdade no Maracanã antes da vitória por 2 a 1 sobre o Botafogo.

Por que tantos mascotes nasceram de xingamentos?

O apelido “urubu” nasceu nos anos 1960 como ofensa racista de rivais contra a base de torcedores negros e pobres do Flamengo.

O mesmo mecanismo se repete em pelo menos quatro clubes diferentes, do Urubu do Flamengo à Macaca da Ponte Preta. Essas histórias fazem parte da cultura de torcida no Brasil, moldada também pelos apelidos que cada afição carrega.

Como era o mascote do Flamengo antes do Urubu?

Antes do Urubu, o primeiro mascote do Flamengo, em 1944, foi uma versão do marinheiro Popeye. O desenho foi criado pelo cartunista Lorenzo Molas para o Jornal dos Sports.

Momentos antes da vitória de 1969, torcedores chegaram a levar e soltar um urubu de verdade no Maracanã, cena que selou o novo símbolo do clube.

De onde vem a Raposa do Cruzeiro?

A Raposa foi criada em 1945 pelo cartunista Fernando “Mangabeira” Pierucetti. O bicho representava a astúcia do então presidente do Cruzeiro, Mário Grosso, conhecido por antecipar contratações disputadas pelo Atlético-MG.

O mesmo Mangabeira é creditado pela criação do Galo, mascote do rival Atlético-MG, o que faz dele autor de dois símbolos rivais dentro de Minas Gerais.

Qual é a origem do Galo do Atlético-MG?

O Galo foi criado por Mangabeira no fim dos anos 1930. Décadas depois, em entrevista de 1976, o próprio cartunista explicou a escolha.

“O Atlético era um time de garra, que jogava com o coração. Com essas características, só o galo de rinha, que não se entrega e luta até o fim”, disse Mangabeira.

Por que o Palmeiras tem dois mascotes?

O Periquito foi escolhido por combinar com o verde do uniforme do Palmeiras. Já o Porco surgiu depois de uma provocação de torcedores do Corinthians, em 1969.

O símbolo pegou de vez nos anos 1980, quando o jogador Jorginho posou com um leitão para a revista Placar, em 1986.

De onde vem o Mosqueteiro do Corinthians?

O apelido remonta à época em que o clube era chamado de D’Artagnan, em 1913. Já em 1929, um jornal reforçou a comparação com os mosqueteiros após uma vitória internacional do time, com base em duas versões documentadas para o apelido.

A lista de mascotes dos times brasileiros segue com outros clubes de destaque no país.

  • Vasco da Gama: o Almirante, criado nos anos 1940 pelo cartunista Mollas em referência ao navegador Vasco da Gama; o clube também é associado ao Bacalhau, apelido criado nos anos 1960 pelo cartunista Henfil em referência à comunidade portuguesa do Rio.
  • São Paulo: uma figura de santo, criada por charges de jornal entre as décadas de 1930 e 1940.
  • Santos: uma baleia orca, adotada depois que rivais chamavam os jogadores santistas de “peixeiros” de forma pejorativa em 1933.
  • Fluminense: o Cartola, criado em 1943 pelo cartunista Mollas, deu lugar ao Guerreiro em 2009, durante campanha contra o rebaixamento.
  • Grêmio: um Mosqueteiro, criado em 1946 pelo cartunista Pompeo para o jornal Folha da Tarde.
  • Internacional: o Saci, personagem do folclore brasileiro que evoluiu de uma figura anterior chamada “Negrinho”, usada desde os anos 1950.
  • Bahia: o Super-Homem, importado diretamente dos quadrinhos da DC, ligado ao apelido “Esquadrão de Aço”.
  • Ponte Preta: a Macaca, reapropriada de um xingamento racista de torcedores do Guarani, referência ao histórico do clube de acolher jogadores negros.
  • Sport Recife: o Leão do Norte, originado da conquista do Troféu Leão do Norte, disputado em Belém, no Pará, em 1919.

Entre os mascotes documentados, o intervalo de criação chega a 75 anos: o mais antigo é o Cartola do Fluminense, de 1943, e o mais recente é o Fura-Cão do Athletico Paranaense, introduzido em 2018.

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Sobre o autor

Beatriz Rocha

Repórter de esportes com passagem por coberturas de futebol, vôlei e Olimpíadas. Escreve sobre os bastidores e a cultura das modalidades.

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