O domingo começou sem a principal novidade que a torcida santista esperava reencontrar em campo: Neymar ficou fora da lista de relacionados do Santos para o duelo contra o Atlético-MG, válido pela 30ª rodada do Brasileirão 2026 e disputado às 16h na Arena MRV, em Belo Horizonte. O camisa 10 não apenas desfalcou a equipe, como também não embarcou com a delegação rumo à capital mineira, ficando de fora até da viagem que antecedeu a partida. Para um time que disputava ponto a ponto uma vaga direta na Copa Libertadores do ano seguinte, a notícia chegou como um alerta logo na véspera de um confronto direto contra o rival mineiro.
O motivo da ausência não teve relação com uma lesão nova, mas com uma política de preservação que o clube adota desde o retorno de Neymar: partidas disputadas sobre gramado sintético, como o da Arena MRV, costumam significar desfalque praticamente certo para o atacante. Para quem quer entender melhor as medidas regulamentares do campo de futebol, vale lembrar que, desde que retornou ao Santos, Neymar é rotineiramente preservado em jogos disputados sobre gramado sintético, como o da Arena MRV.
Antes do episódio, Neymar havia retornado de lesão justamente na rodada anterior, em um empate por 2 a 2 diante do Flamengo, no qual ele balançou as redes duas vezes, ambas de pênalti, antes de ser poupado para o compromisso seguinte. Foi esse mesmo cuidado, construído jogo após jogo desde a volta ao elenco, que levou Cuca a deixá-lo fora justamente quando a bola passaria a rolar sobre o sintético mineiro.
O episódio não era inédito para quem acompanha a relação de Neymar com aquele gramado específico. Em setembro de 2025, na única vez em que atuou sobre o sintético da Arena MRV desde que retornou ao Santos, ele permaneceu 81 minutos em campo durante um 1 a 1 e, horas depois, criticou publicamente o piso nas redes sociais.
Sem seu principal nome, Cuca optou por ajustes táticos pontuais, mantendo Everton Cebolinha como titular e deixando Philippe Coutinho no banco de reservas. O Santos entrou em campo com Diógenes; Rodinei, Lucas Veríssimo, Willian Arão, Escobar; Gustavo Henrique, Christian Oliva, Rollheiser; Gabriel Bontempo, Everton Cebolinha e Gabigol, formação que privilegiou solidez defensiva em um campo historicamente difícil para o time paulista.
A tabela ajudava a explicar a tensão em torno da ausência. Antes da bola rolar, o Atlético-MG ocupava a 7ª posição, com 44 pontos, dois a mais que o Santos, oitavo colocado, e uma vitória fora de casa poderia colocar o time paulista na frente do rival mineiro na briga direta por vaga na Libertadores do ano seguinte. O Santos chegava embalado por oito jogos de invencibilidade no Brasileirão, somando seis vitórias e dois empates, e buscava romper um retrospecto negativo de derrotas como visitante contra o Atlético-MG que persistia desde 2018.
O resultado, porém, não acompanhou o favoritismo construído nas semanas anteriores. O Atlético-MG virou o placar nos minutos finais e venceu por 2 a 1, com gol decisivo de Thiago Borbas, encerrando a sequência de invencibilidade santista e tirando do time a chance imediata de ultrapassar o rival na tabela justamente na rodada em que mais precisava do resultado.
Ao justificar a ausência do camisa 10 depois da derrota, Cuca resumiu o dilema que acompanha o retorno de Neymar a cada rodada: “Ele estava voltando de uma situação que envolve até um risco grande. Teve uma falta em que ele bateu com o pé esquerdo, ainda sem a confiança natural. Então temos que avaliar jogo a jogo, como fizemos hoje.”



