São dez cores de faixa que conduzem a trajetória de um judoca no Brasil, do branco ao vermelho, segundo o sistema reconhecido pela Confederação Brasileira de Judô (CBJ). É por essa ordem oficial de faixas do judô que todo praticante passa, sempre a partir da faixa branca, o primeiro grau de todos. Essa sequência organiza desde a iniciação na modalidade até o reconhecimento concedido aos mestres mais experientes, com etapas intermediárias que marcam a evolução técnica do atleta.
A ordem das faixas, do branco ao marrom
Depois da faixa branca, o caminho segue por branca/cinza, cinza, cinza/azul, azul e azul/amarela. Na sequência vêm a amarela e a amarela/laranja, até chegar à laranja, à verde, à roxa e, por fim, à marrom, a última faixa antes da faixa preta. Essa fase é organizada pelo sistema Kyu, numerado em ordem decrescente: o judoca começa no Zero Kyu, ainda na faixa branca, e avança até o primeiro Kyu, já na faixa marrom, pouco antes do exame para a faixa preta.
- Branca (Zero Kyu)
- Branca/cinza (11º Kyu), cinza (10º Kyu), cinza/azul (9º Kyu)
- Azul (8º Kyu) e azul/amarela (7º Kyu)
- Amarela (6º Kyu) e amarela/laranja (5º Kyu)
- Laranja (4º Kyu), verde (3º Kyu), roxa (2º Kyu) e marrom (1º Kyu)
Todo praticante que ainda não chegou à faixa preta é chamado de mudansha. A partir da faixa preta, o judoca passa a ser tratado como yudansha, distinção que separa, na prática, quem ainda está na fase de graduações coloridas de quem já atingiu o reconhecimento mais alto da modalidade. O mesmo debate sobre hierarquias e evolução técnica aparece em outras lutas, caso das compilações sobre os recordistas da história do UFC.
Faixa preta, coral e vermelha
A faixa preta cobre do 1º ao 5º dan, a faixa que mais se associa popularmente ao judô. Entre o 6º e o 8º dan, o grau passa a ser representado pela faixa coral, com as cores vermelha e branca combinadas. Ao todo, são cinco graus reunidos na faixa preta, outros três na faixa coral e dois na faixa vermelha, nono e décimo dan, o ponto mais alto já alcançado por um judoca dentro do sistema de graduação.
A faixa vermelha, por sua vez, é reservada ao 9º e ao 10º dan, reconhecidos como os mestres mais graduados da modalidade.
Quanto tempo leva para subir de faixa
O regulamento da CBJ fixa o tempo mínimo de permanência em cada faixa até a marrom, com períodos que vão de um trimestre a doze meses nas faixas intermediárias. Antes do exame para faixa preta, o judoca precisa ainda cumprir ao menos dois anos na faixa marrom, o 1º Kyu, somente depois disso podendo se inscrever no exame que dá acesso à faixa preta.
Entre um grau e outro já dentro da faixa preta, a exigência de intervalo varia de quatro a sete anos, segundo a ordem das faixas do judô detalhada pelo regulamento.
- 4 a 7 anos entre graus dentro da faixa preta
- 8 a 9 anos de intervalo até a faixa coral (6º ao 8º dan)
- 9 anos de intervalo exigidos para chegar ao 9º dan, que já dá direito à faixa vermelha
Faixa vermelha e os mestres do judô
Além do 10º dan, o sistema prevê ainda dois graus teóricos superiores, o 11º e o 12º dan. Apenas o 12º dan já foi outorgado, e o único nome a recebê-lo foi Jigoro Kano, fundador do judô, segundo o sistema brasileiro de graduação com dez faixas antes e depois da preta. Isso faz da faixa vermelha um patamar raríssimo dentro do judô, reservado a quem soma décadas de prática e intervalos de anos entre cada promoção.
Exemplo recente: cerimônia no Rio
Em 14 de dezembro de 2025, a Federação de Judô do Estado do Rio de Janeiro (FJERJ) realizou cerimônia de outorga que fechou o ciclo anual de graduação, iniciado em janeiro e conduzido em cinco etapas práticas ao longo do ano. Ao todo, 195 judocas foram promovidos naquele encontro.
“Estamos fechando o ano com quase 200 judocas promovidos, desde o primeiro até o quinto Dan”, disse Marco Aurelio da Gama e Silva, presidente da Comissão Estadual de Graus da FJERJ.
Da lista de promovidos na cerimônia da FJERJ, 134 judocas receberam a faixa preta, o 1º dan. Os outros 61 avançaram em graus superiores: 33 chegaram ao 2º dan, 15 ao 3º dan, 7 ao 4º dan e 6 ao 5º dan. Somados, os 134 novos faixas pretas e os 61 avanços em graus superiores completam os 195 promovidos citados pelo presidente da comissão.



