sexta-feira, 23 de outubro de 2026 ÚltimasShelton garante vaga no ATP Finals; veja o grupo em Turim
AnúncioAnuncie na Hora do Esporte
Últimas
Luta

LA 2028: boxe terá paridade total nas categorias de peso

Los Angeles 2028 vai ter, por sete categorias de peso de cada lado, a primeira paridade completa entre homens e mulheres no boxe olímpico.

por Rafael Mendes 20 de outubro de 2026 4 min de leitura
Luta de boxe olímpico em Tóquio 2020, usada como ilustração das categorias de peso femininas e masculinas (Foto de arquivo: combate de boxe olímpico em Tóquio 2020, usada apenas como ilustração das categorias de peso.)

Foto de arquivo: combate de boxe olímpico em Tóquio 2020, usada apenas como ilustração das categorias de peso. (Foto: Breno Barros CC BY 3.0 br via https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Beatriz_Ferreira_vs_Raykhona_Kodirova.jpg)

O boxe olímpico chega aos Jogos de Los Angeles 2028 com uma mudança estrutural inédita: sete categorias de peso para os homens e outras sete para as mulheres, a primeira paridade completa de divisões entre os gêneros desde que o esporte entrou no programa olímpico. O total de vagas permanece em 248, mas agora dividido de forma igual, com 124 lugares para cada sexo.

No masculino, as sete divisões vão de 50kg a 55kg, de 55kg a 60kg, de 60kg a 65kg, de 65kg a 70kg, de 70kg a 80kg, de 80kg a 90kg e acima de 90kg, segundo a confirmação da federação internacional World Boxing. Essas categorias mantêm a mesma quantidade de divisões disputada em Paris 2024, de modo que a principal mudança do novo ciclo recai sobre o lado feminino do esporte.

Entre as mulheres, as sete categorias somam 48kg a 51kg, 51kg a 54kg, 54kg a 57kg, 57kg a 60kg, 60kg a 65kg, 65kg a 70kg e 70kg a 75kg, uma divisão a mais do que em Paris 2024, quando o boxe feminino disputou apenas seis pesos contra os sete do masculino, totalizando treze categorias naquela edição. O crescimento é expressivo: o boxe feminino debutou em Londres 2012 com apenas três categorias, de modo que o número de divisões mais que dobrou em quatro edições olímpicas até alcançar a mesma amplitude masculina em Los Angeles 2028.

A modalidade integra o programa olímpico desde 1904, em St. Louis, mas o boxe feminino só foi incorporado em Londres 2012. A pontuação eletrônica, hoje padrão nas lutas, foi adotada em Barcelona 1992 e passou a ser padronizada a partir de Pequim 2008.

Cada país poderá qualificar no máximo sete atletas por gênero, um por categoria de peso. O primeiro torneio do ciclo classificatório será o Campeonato Mundial de Astana, no Cazaquistão, em abril de 2027, com 44 vagas distribuídas, 22 para cada gênero. Depois, cinco torneios continentais, de África, Ásia, Europa, Oceania e Pan-Americano, vão repartir outras 112 vagas, 56 por gênero, antes de um segundo Torneio Mundial Classificatório definir entre 30 e 38 vagas adicionais, conforme as categorias que os Estados Unidos, país-sede, escolherem priorizar. Ainda há oito vagas de universalidade, quatro para cada gênero, e os próprios Estados Unidos têm garantidas ao menos seis vagas, três por gênero, podendo somar mais pelo desempenho nas eliminatórias, como detalha a corrida olímpica do boxe rumo a Los Angeles 2028. O total de vagas se mantém igual ao de ciclos anteriores, mas agora redistribuído para garantir a paridade entre os sexos.

Até o momento, o Brasil não tinha vaga assegurada em Los Angeles 2028, dependendo do desempenho de seus boxeadores nos torneios classificatórios dos próximos anos. A trajetória olímpica do país no boxe, porém, já tem marcos importantes: a primeira medalha veio com o bronze de Servílio de Oliveira na Cidade do México, em 1968, o primeiro ouro chegou com Robson Conceição no Rio de Janeiro, em 2016, e o bronze mais recente foi conquistado por Beatriz Ferreira na categoria até 60kg, em Paris 2024. Enquanto o boxe redesenha suas divisões, outras modalidades de combate seguem batendo recordes dentro do octógono, como mostra o levantamento dos nocautes e lutas que marcaram a história do UFC.

A reformulação das categorias também reflete uma mudança recente na governança do boxe olímpico: o Comitê Olímpico Internacional deixou de reconhecer a antiga Associação Internacional de Boxe, a IBA, após uma série de escândalos de corrupção, e passou a tratar com a World Boxing, que recebeu reconhecimento provisório em fevereiro de 2024 e já somava 84 federações nacionais afiliadas pouco antes de o boxe ser oficialmente confirmado no programa de Los Angeles 2028, em 20 de março de 2025, com aprovação dos 106 membros votantes do COI presentes, em um intervalo de menos de dois anos entre as duas decisões, como registrou a inclusão do boxe no programa de Los Angeles 2028. A competição olímpica está marcada para 15 a 30 de julho de 2028, com eliminatórias entre os dias 15 e 23 e finais disputadas de 27 a 30 de julho.

Para o presidente da World Boxing, Boris van der Vorst, o avanço das categorias femininas confirma o caminho percorrido pelo boxe nos últimos Jogos. “This will be a significant milestone for the sport and is a sign of the enormous progress that has been made in women’s boxing since it was first included in the Olympic programme at London 2012”, afirmou o dirigente.

R
Sobre o autor

Rafael Mendes

Jornalista que cobre mercado, gestão e o circuito de tênis e MMA. Escreve guias e reportagens de contexto.

Ver todos os artigos de Rafael Mendes →
AnúncioAnuncie na Hora do Esporte