Kimi Antonelli chega à semana que antecede o Grande Prêmio do México com uma vantagem que, a esta altura da temporada, praticamente decide o campeonato antes mesmo de a corrida acontecer, já que Max Verstappen, o único nome que ainda poderia, em tese, ameaçar a liderança do piloto da Mercedes, ocupa apenas a quarta posição do Mundial de Pilotos, com 221 pontos, a 119 de distância do líder, que soma 340. Essa diferença, construída ao longo das dezessete etapas disputadas até o GP de Singapura, coloca a disputa pelo título em um território no qual a matemática pesa mais do que o desempenho pontual de cada fim de semana. George Russell aparece em segundo lugar, com 238 pontos, e Lewis Hamilton completa o pódio provisório com 229, de modo que o próprio Verstappen precisaria primeiro superar dois companheiros de grid antes de sequer sonhar com o topo da tabela. Charles Leclerc fecha o top cinco com 215 pontos, apenas seis atrás do holandês, uma margem estreita que mantém viva uma briga paralela pela quarta colocação enquanto o topo do campeonato parece, cada vez mais, resolvido.
Entre Russell e Hamilton a disputa é mais equilibrada do que o restante da tabela sugere, já que apenas nove pontos separam o segundo do terceiro colocado na classificação atualizada do Mundial de Pilotos, uma margem pequena o bastante para mudar de mãos em qualquer uma das etapas que ainda restam até o fim da temporada. O domínio da Mercedes, no entanto, não se limita ao Mundial de Pilotos, porque a equipe também lidera, com folga, o Mundial de Construtores, somando 578 pontos, mais de 130 acima da Ferrari, que aparece em segundo lugar, o que reforça a superioridade do time alemão nesta fase de 2026. Essa combinação de números ajuda a explicar por que a corrida pelo título individual, embora ainda matematicamente aberta, depende de Antonelli manter a vantagem de 119 pontos sobre Verstappen até o fim da temporada. A ascensão de Verstappen à quarta posição do campeonato aconteceu justamente depois de ele vencer o GP de Singapura, resultado que o fez superar Leclerc na tabela, ainda que sem se aproximar o suficiente da briga pelo título. A vitória teve um peso simbólico adicional, porque encerrou um tabu pessoal do holandês: ele havia disputado o traçado de Marina Bay nove vezes sem vencer, somando quatro pódios ao longo dessas tentativas, incluindo os segundos lugares nas edições de 2024 e 2025, até finalmente triunfar em 2026. Tratou-se também da 73ª vitória de sua carreira na Fórmula 1, alcançada em seu 250º Grande Prêmio disputado, um número que ilustra a longevidade de sua trajetória no grid, e da segunda consecutiva, depois do triunfo anterior no GP da Malásia, em Sepang, disputado apenas uma semana antes.
Antes de o circo chegar ao Autódromo Hermanos Rodríguez, a temporada ainda passa pelo GP dos Estados Unidos, em Austin, realizado entre os dias 23 e 25 de outubro, prova que antecede diretamente a etapa mexicana e funciona, na prática, como a última chance de qualquer reviravolta antes do México. O Grande Prêmio do México está marcado para o período de 30 de outubro a 1º de novembro, naquele que o site oficial da Fórmula 1 classifica como a 20ª etapa da temporada 2026. Quem quiser revisitar o retrospecto da pista norte-americana antes dessa sequência final de provas pode conferir quem são os maiores vencedores em Austin, um histórico que ajuda a contextualizar o peso desta reta final de campeonato. A vantagem de 102 pontos sobre o segundo colocado abre uma possibilidade que torna a etapa de Austin ainda mais relevante do que normalmente seria: caso amplie essa margem para mais de 125 pontos no Texas, Antonelli pode ser confirmado matematicamente campeão mundial antes mesmo de o grid chegar ao México. O próprio piloto da Mercedes já comentou esse cenário na véspera do fim de semana americano, admitindo a expectativa de selar o título em breve e apontando o México como o palco mais provável dessa conquista. “I’m fighting for the championship, it’s getting close. So, hopefully, two weeks and we clinch it”, disse Antonelli, resumindo em poucas palavras a proximidade que sente em relação ao troféu que ainda falta erguer.



