sábado, 24 de outubro de 2026 ÚltimasVencedores do GP de São Paulo em Interlagos
AnúncioAnuncie na Hora do Esporte
Últimas
Futebol

Muslera decide pênaltis e Estudiantes elimina o Flamengo

Estudiantes vence o Flamengo nos pênaltis por 3 a 2 no Maracanã e avança à final da Libertadores contra o Palmeiras.

por Rafael Mendes 23 de outubro de 2026 4 min de leitura
Vista interna panorâmica e vazia do Estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro, sem torcida nem jogadores em campo (Foto de arquivo: vista interna do Maracanã, sem relação direta com a partida Estudiantes x Flamengo.)

Foto de arquivo: vista interna do Maracanã, sem relação direta com a partida Estudiantes x Flamengo. (Foto: fardox CC BY 2.0 via https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Maracana_internal_view.jpg)

Sob as luzes do Maracanã, na noite de 22 de outubro de 2026, Flamengo e Estudiantes de La Plata chegaram ao fim dos noventa minutos sem gols, numa semifinal de volta tensa como poucas nesta edição das semifinais da Libertadores, que empurrou a vaga na final para a disputa de pênaltis, e foi ali, em uma sequência de nervos à flor da pele, que o time argentino confirmou a classificação ao vencer por 3 a 2 e eliminar o rival brasileiro diante de sua própria torcida, fechando um duelo que havia terminado zerado no placar agregado dos noventa minutos regulamentares.

Pelo lado carioca, Arrascaeta e Léo Pereira converteram suas cobranças com frieza, mantendo viva a esperança rubro-negra até o fim da série, mas Jorginho, Lucas Paquetá e Bruno Henrique desperdiçaram as suas, um desfile de erros sucessivos que selou o destino do Flamengo na competição continental. Do outro lado, Sosa, Mancuso e Tiago Palacios transformaram suas tentativas em gol com precisão, enquanto apenas Cetré, que mandou a bola para fora, falhou pelo Estudiantes, o que manteve a vantagem argentina intacta até a cobrança decisiva. No meio dessa disputa marcada por acertos e falhas de ambos os lados, o goleiro uruguaio Fernando Muslera se transformou no protagonista absoluto da noite, fazendo três defesas decisivas que praticamente garantiram, por si só, a vaga do clube argentino na decisão continental, confirmando a reputação de especialista em disputas de pênaltis que o goleiro já carregava de outras competições.

A partida, que reuniu 72.492 pessoas nas arquibancadas do Maracanã sob o comando do árbitro uruguaio Gustavo Tejera, ainda teve um capítulo dramático antes da bola parar: no segundo tempo, Baltasar Rodríguez foi expulso por cartão amarelo duplo, deixando o Estudiantes com dez jogadores em campo por boa parte da etapa final, um cenário que tornava a resistência argentina ainda mais improvável e que elevou a tensão nas arquibancadas até os pênaltis decidirem tudo, com o time visitante resistindo numericamente desfalcado ao ímpeto do Flamengo em busca do empate que não veio.

Com a classificação, o Estudiantes garantiu vaga na final da Libertadores de 2026 contra o Palmeiras, em um confronto marcado para 28 de novembro, no Estádio Centenário, em Montevidéu, no Uruguai, data e sede já confirmadas pela organização da competição. Será a segunda vez que a casa histórica do futebol uruguaio recebe uma final única da competição sul-americana, depois da edição de 2021, quando o próprio Palmeiras bateu o Flamengo por 2 a 1 naquele mesmo palco, um resultado que agora ganha um paralelo direto, já que o adversário paulista volta à mesma arena cinco anos depois, desta vez diante de um rival diferente.

Estudiantes e Palmeiras já se cruzaram antes em uma decisão continental, e não foi um episódio qualquer: na final de 1968, o time argentino venceu e conquistou o seu primeiro título da Libertadores, abrindo um capítulo que agora, 58 anos depois, ganha uma sequência inesperada. O clube de La Plata soma hoje quatro títulos da competição, conquistados em 1968, 1969, 1970 e 2009, número que o deixa empatado com o próprio Flamengo na quarta posição do ranking histórico, atrás de Independiente, com sete, Boca Juniors, com seis, e Peñarol, com cinco. Desde aquele título de 2009, porém, o Estudiantes não erguia a taça nem sequer disputava uma final da Libertadores, um jejum de dezessete anos que só termina agora, com a vaga garantida diante do Palmeiras e a chance de ampliar essa contagem histórica diante de um adversário que também carrega sua própria tradição na competição.

Antes do confronto decisivo no Maracanã, Muslera já havia dedicado palavras a um antigo companheiro que atua no elenco rival, em declarações dadas ainda na expectativa do jogo de volta. “Erick foi meu companheiro no Galatasaray. Tenho um carinho muito grande por ele como pessoa. Me alegra saber que ele está em uma grande equipe da América do Sul e que ele possa estar jogando e demonstrando a sua qualidade. Falei a ele que sigo torcendo, o apoiando, pois a verdade é que ele é um craque como pessoa”, disse o goleiro, referindo-se a Erick Pulgar, do Flamengo, em entrevista à ESPN concedida antes de se tornar, horas depois, o nome decisivo da classificação argentina.

R
Sobre o autor

Rafael Mendes

Jornalista que cobre mercado, gestão e o circuito de tênis e MMA. Escreve guias e reportagens de contexto.

Ver todos os artigos de Rafael Mendes →
AnúncioAnuncie na Hora do Esporte