Na noite desta terça-feira, 20 de outubro de 2026, o Corinthians confirmou, em nota oficial, o fim do vínculo entre o clube e o executivo de futebol Marcelo Paz, decisão que chegou horas depois de uma reunião com o presidente Osmar Stabile e que selou um desgaste que já vinha sendo cobrado publicamente pela torcida. O texto divulgado pelo clube afirma que as partes decidiram, em comum acordo, encerrar o ciclo de trabalho do profissional, agradecendo pelos serviços prestados e desejando sucesso na carreira, sem detalhar os motivos internos que levaram ao rompimento. A saída não surpreendeu quem acompanhava de perto os bastidores do Parque São Jorge, já que, cinco dias antes, integrantes das principais torcidas organizadas do clube, entre elas a Gaviões da Fiel, haviam se dirigido até a sede corinthiana para protestar e exigir tanto a saída de Paz quanto o afastamento do atacante Memphis Depay, em um ato que deixou evidente o tamanho da pressão sobre a diretoria. Àquela altura, o desgaste do executivo já se misturava à condução de temas sensíveis dentro do elenco, caso da própria negociação em torno da renovação de contrato de Memphis, que se tornou um dos pontos de atrito do período.
O gatilho mais recente para a queda havia sido a sequência de nove jogos sem vitória no Campeonato Brasileiro sob a gestão de Paz, com oito derrotas e um empate, retrospecto que colocou o nome do executivo na mira das arquibancadas. Foi dentro desse cenário que ele decidiu, após a derrota por 2 a 1 para o Internacional, em 7 de outubro, pela 29ª rodada do Brasileirão, demitir o técnico Fernando Diniz, numa tentativa de conter a crise que, no fim, também consumiu o próprio cargo que ele ocupava. Os números do período deixam claro o tamanho da instabilidade enfrentada pelo clube: em cerca de dez meses de trabalho de Paz, o Corinthians trocou de técnico três vezes, da saída de Dorival Júnior à chegada e demissão de Fernando Diniz, até a contratação de Clarence Seedorf. À época da demissão do executivo, o time ocupava a 16ª posição do Campeonato Brasileiro, dentro da zona de ameaça de rebaixamento, um retrato que resume a pressão que vinha de dentro e de fora do clube.
Marcelo Paz havia assumido a função de executivo de futebol do Corinthians em dezembro de 2025, logo após deixar o comando do Fortaleza, onde atuou como presidente. À frente do clube cearense, ele havia levado a equipe a três participações na Libertadores e a uma final da Copa Sul-Americana, mas seu ciclo por lá também terminou mal, com o rebaixamento do Fortaleza à Série B. A última ação de Paz no cargo, cerca de uma semana antes de sua saída, foi justamente fechar a contratação de Clarence Seedorf como novo técnico do Corinthians, decisão que ele não teve a chance de acompanhar de dentro do clube. Para o período de transição, o nome preferido da diretoria para assumir temporariamente as funções do executivo até o fim de 2026 é Júlio César, gerente de futebol do clube, embora a decisão ainda dependesse de uma reunião com o presidente Osmar Stabile marcada para a manhã desta quarta-feira, 21 de outubro. O desligamento acontece às vésperas de um momento sensível na vida institucional do Corinthians, que realizará eleição presidencial em 28 de novembro de 2026, data que pode ser adiada para 5 de dezembro caso o time chegue à final da Libertadores, com o sucessor de Osmar Stabile assumindo o cargo em 4 de janeiro de 2027. É nesse contexto de transição política que a diretoria de futebol do clube também precisará se reorganizar, com ou sem a eleição de um novo mandatário antes do fim do ano.
Ao justificar o desligamento, o clube resumiu o episódio em uma única frase da nota oficial: “As partes decidiram, em comum acordo, pelo fim do ciclo de trabalho do profissional com o Clube.”



