O circuito de Interlagos chega ao calendário 2026 da Fórmula 1 sem a corrida sprint que marcou suas cinco edições anteriores, encerrando um ciclo que começou em 2021 e devolvendo ao autódromo paulistano o formato clássico de fim de semana, com uma sessão de classificação e a prova principal concentrada no domingo. O Grande Prêmio de São Paulo está marcado para o período de 6 a 8 de novembro de 2026, com a largada confirmada para o dia 8, e volta a ser disputado sob o esquema tradicional depois de sediar a disputa sprint em todas as temporadas entre 2021 e 2025, um formato mais curto que reduzia o treino livre e antecipava uma corrida extra ao sábado. Para as equipes, o retorno ao fim de semana tradicional significa uma sessão a mais de treino livre para calibrar o carro antes do treino classificatório, um ajuste que ganha peso justamente em um traçado sensível à altitude como Interlagos. A mudança devolve ao traçado paulista o peso que sempre teve como uma das etapas técnicas mais respeitadas do calendário, ainda que sem a sessão extra que havia se tornado rotina nos últimos anos.
O que torna Interlagos particular, além do calendário, é o próprio desenho do asfalto. O circuito de Interlagos tem 4,309 quilômetros de extensão, distribuídos em 15 curvas técnicas, e fica a mais de 700 metros de altitude, condição que altera o comportamento aerodinâmico dos carros ao longo do fim de semana. O traçado abre com curvas em banked, inclinadas, num desenho que lembra uma meia oval, e inclui o trecho conhecido como “S do Senna”, uma das sequências mais citadas do calendário pela exigência de precisão em curvas encadeadas logo na saída dos boxes. A corrida percorre 71 voltas, o que soma 305,879 quilômetros de prova ao final do domingo.
Um traçado que atravessa décadas
A história do autódromo remonta a 1938, quando a construção começou inspirada em circuitos como Brooklands, no Reino Unido, Roosevelt Raceway, nos Estados Unidos, e Montlhéry, na França, três traçados que serviram de referência para o desenho original das curvas de Interlagos. A Fórmula 1 correu ali pela primeira vez apenas em 1973, no primeiro Grande Prêmio do Brasil da categoria, vencido por Emerson Fittipaldi diante do público local, um resultado que ajudou a consolidar o autódromo como palco fixo do calendário nas décadas seguintes. Desde então, o traçado paulistano se firmou como uma das etapas mais tradicionais do campeonato, com um recorde de volta que resiste desde 2018: 1min10s540, cravado por Valtteri Bottas e ainda vigente. Para quem acompanha a evolução dos regulamentos técnicos da categoria ao longo das temporadas, Interlagos funciona como um contraponto histórico às pistas mais recentes do calendário.
O grid que chega a Interlagos em 2026
A edição de 2026 também vai apresentar mudanças no grid que disputa a prova em Interlagos, conforme detalha o F1Mania sobre o circuito de Interlagos. A Cadillac se junta à Fórmula 1 como a 11ª equipe da categoria, ampliando o grid para 22 pilotos, e o brasileiro Gabriel Bortoleto passa a correr pela Audi depois do fim das operações da Sauber. A temporada ainda estreia um regulamento técnico totalmente novo, com unidades de potência inéditas e uso de combustível 100% sustentável, o que deve alterar o comportamento dos carros justamente num traçado sensível à altitude e às curvas inclinadas como o de Interlagos.
A procura por ingressos já reflete o interesse em torno da corrida, segundo levantamento da Exame. Os preços para o Grande Prêmio de São Paulo 2026 variam de R$ 290, no setor Fanzone, a R$ 24.800, no Senna Club, mas a maior parte dos setores já está esgotada, restando vagas limitadas justamente nessas duas pontas do público, a mais acessível e a mais exclusiva.
Sobre o desafio físico imposto pelo traçado, o piloto e comentarista Jolyon Palmer resumiu o que Interlagos exige de quem está no volante: “Overall it’s a short but fun circuit to drive. The anti-clockwise nature and long, loaded left-handers make this one a bit harder physically for the drivers as well.”



