A notícia chegou como um balde de água fria para quem já projetava o UFC 332 com Valentina Shevchenko no centro do card: a campeã informou à organização que não poderá competir por até um ano, e o cinturão peso-mosca feminino, que ela vinha defendendo, ficou vago sem que um único golpe tivesse sido trocado pelo título. A decisão obrigou o UFC a remontar, em cima da hora, a luta que fecharia a noite de 3 de outubro em Salt Lake City, e a urgência da mudança se refletiu na velocidade com que um novo confronto pelo cinturão foi anunciado, deixando a organização com pouquíssimo tempo para amadurecer alternativas antes da divulgação do novo cartaz.
Em vez de Shevchenko, quem assumirá a disputa pelo título vago será Natália Silva enfrentará Wang Cong pelo cinturão vago dos moscas, e a mudança carrega um detalhe que ultrapassa o card isolado: é o primeiro main event protagonizado por uma luta feminina no UFC desde o UFC 289, em 2023, quando Amanda Nunes se aposentou, um intervalo de mais de três anos sem que o topo de um cartaz numerado fosse ocupado por uma disputa do MMA feminino. O evento está marcado para o sábado, 3 de outubro de 2026, no Delta Center, em Salt Lake City, com transmissão do card principal pela CBS e pelo Paramount+, com início às 20h no horário do leste dos Estados Unidos, um detalhe de logística que ganha peso simbólico diante do significado histórico da luta que vai liderar o evento.
Natália Silva chega à disputa embalada por uma sequência de 14 vitórias consecutivas, período em que despachou nomes como Rose Namajunas, Alexa Grasso e Jessica Andrade, todas ex-campeãs da categoria, um retrospecto que explica por que ela assume o posto de favorita mesmo diante de uma adversária em ascensão e que a credencia como a principal candidata a herdar o cinturão deixado vago por Shevchenko. Wang Cong, por sua vez, também vive uma fase de crescimento constante, somando quatro vitórias seguidas no UFC, a mais recente contra Tracy Cortez, em julho, no UFC 329, e chega a Salt Lake City com a chance de se tornar a segunda campeã chinesa da história da organização, repetindo o feito que Zhang Weili já havia alcançado no peso-palha e projetando, para o MMA chinês, a possibilidade inédita de um novo nome no topo de uma categoria feminina do UFC.
Antes de a nova luta principal ser fechada, o Metrópoles revelou que uma das alternativas avaliadas internamente pelo UFC era colocar Alex Poatan contra Josh Hokit no peso-pesado, opção descartada em favor do combate pelo cinturão vago dos moscas assim que a lesão de Shevchenko se confirmou. O card, de todo modo, seguirá com outro confronto de peso na lista de atrações: o ex-bicampeão dos moscas Deiveson Figueiredo enfrenta o ascendente Payton Talbott no peso-galo, mantendo a noite com pelo menos duas disputas de forte apelo competitivo mesmo após a saída forçada da campeã. Figueiredo, que já colocou o cinturão dos moscas na cintura em duas oportunidades distintas antes de migrar de divisão, tenta agora se reafirmar relevante no peso-galo diante de um adversário mais jovem e em ascensão. Lesões às vésperas de um evento já haviam forçado o UFC a alterar planos antes, como quando uma lesão tirou Rodríguez e alterou a luta principal do Noche UFC.
A hipótese descartada de ver Poatan na luta principal já havia rendido provocações de bastidores antes mesmo de a mudança ser confirmada, e o treinador Glover Teixeira não deixou barato ao responder ao possível rival cogitado para o combate: “Esse cara está falando muita merda, viu, Hokit? Vai lá, nocauteia ele e volta para o topo.”



