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Hooker busca reação em Paris contra invicto Parnasse

Hooker vem de duas derrotas por finalização e enfrenta o invicto Parnasse em casa, no UFC Paris, na Accor Arena.

por Rafael Mendes 26 de agosto de 2026 4 min de leitura
Salahdine Parnasse em entrevista pós-luta com o cinturão do KSW (Foto de arquivo: Salahdine Parnasse com o cinturão do KSW, 2021 (não é do UFC Paris).)

Foto de arquivo: Salahdine Parnasse com o cinturão do KSW, 2021 (não é do UFC Paris). (Foto: Atch Academy CC BY 3.0 via https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Salahdine_Parnasse.png)

Dan Hooker chega à luta principal do UFC Paris carregando o peso de uma sequência que nenhum lutador gostaria de levar para dentro do octógono: duas derrotas seguidas por finalização, sendo a mais recente diante de Benoit Saint Denis, no UFC 325, em fevereiro de 2026. É justamente nesse momento delicado da carreira, quando cada detalhe da preparação passa a ser questionado, que o neozelandês vai enfrentar, em solo francês, um adversário invicto dentro da organização e badalado pela própria torcida que o assistirá de perto, na Accor Arena.

O confronto entre Hooker e Salahdine Parnasse comanda o card do UFC Fight Night marcado para 5 de setembro de 2026, em Paris, com transmissão pelo Paramount+, que exibirá o card preliminar a partir das 12h e o principal às 15h, no horário do leste dos Estados Unidos. Trata-se de uma disputa de peso leve entre um veterano que soma anos de circuito dentro da própria organização e um estreante que nunca pisou no octógono do UFC, ainda que já carregue reputação consolidada em outros torneios do continente.

O evento principal está esgotado na Accor Arena, um detalhe que reforça a expectativa em torno da estreia de Parnasse diante do público francês e que não passou despercebido para Hooker, que reconheceu publicamente que esta será, “de longe”, a maior bolsa de sua carreira. Ao projetar o desafio de lutar fora de casa, com o adversário local e a plateia inteira contra ele, o neozelandês resumiu a missão em termos diretos: “É meu trabalho ir até a França, até Paris, no evento principal esgotado, e simplesmente arruinar tudo.”

O retrospecto de Hooker antes do teste em casa alheia

Antes da atual queda de forma, Hooker somava 14 vitórias dentro do UFC e seis prêmios de Performance ou Luta da Noite ao longo da carreira na organização, números que ajudam a sustentar sua nona colocação no ranking peso-leve mesmo depois dos dois reveses recentes. No total, o cartel profissional do neozelandês marca 24 vitórias e 14 derrotas, uma trajetória construída em boa parte sobre o apelido “The Hangman”, associado à forma como costuma buscar finalizações por estrangulamentos, joelhadas e cotoveladas. É esse currículo que o coloca como o nome mais experiente do confronto, ainda que a sequência recente jogue praticamente toda a pressão sobre seus ombros diante de um rival que chega para sua primeira aparição na organização.

Sobre essa pressão que vem depois de derrotas seguidas, Hooker a tratou como parte inevitável da rotina de quem vive do MMA, ao afirmar que é preciso provar de novo o próprio lugar na categoria depois de perder. A leitura ajuda a entender por que ele aceitou um teste tão duro justamente em solo europeu, contra um adversário que nunca lutou dentro do octógono do UFC mas que já chega cercado de expectativa por parte do público local.

Parnasse desembarca na organização com um cartel de 23 vitórias em 25 lutas profissionais, sendo oito por nocaute e sete por finalização, o que representa uma taxa de aproveitamento de 92% e ajuda a explicar o burburinho em torno do nome do francês antes mesmo de sua estreia. Bicampeão peso-pena e ex-campeão peso-leve do KSW, torneio europeu de MMA, ele chega ao UFC em sequência de cinco vitórias, a mais recente sobre Kenneth Cross no MVP MMA 1, e fará sua primeira luta no octógono justamente em casa, diante do próprio público francês. O contraste de momentos entre os dois nomes do card principal dificilmente poderia ser mais evidente: de um lado, um estreante invicto na organização, embalado por cinco triunfos seguidos e por um cartel construído fora dos Estados Unidos; do outro, um veterano que amarga duas quedas consecutivas por finalização e agora precisa reverter o quadro justamente fora de casa, sob pressão do calendário e da própria torcida rival.

A repercussão em torno da luta também ganhou contornos hostis nos dias que antecederam o card. Hooker revelou ter recebido ameaças de morte de torcedores franceses e classificou a situação como “outrageous”, escandalosa, mas fez questão de deixar claro, em declaração direta, que isso não muda em nada seu foco dentro da preparação. “Eu não dou a mínima para as ameaças de morte. Não poderia me importar menos”, disse o neozelandês, resumindo o tom com que pretende encarar tanto a plateia hostil quanto o próprio adversário invicto na Accor Arena.

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Sobre o autor

Rafael Mendes

Jornalista que cobre mercado, gestão e o circuito de tênis e MMA. Escreve guias e reportagens de contexto.

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