Para a temporada 2026-27, a NBA fixou a segunda apron do teto salarial em US$221,686 milhões, valor superior tanto à linha do imposto de luxo quanto à primeira apron, de US$209,015 milhões. A cifra virou, na prática, a nova fronteira que separa franquias dispostas a manter elencos caros daquelas obrigadas a se desmontar em plena janela de contratação.
Os números oficiais de 2026-27
A liga também definiu o piso salarial mínimo por equipe e o próprio teto do ciclo. Segundo a NBA, os valores para 2026-27 ficaram assim:
- Salary cap: US$164,961 milhões
- Piso salarial mínimo (Minimum Team Salary): US$148,465 milhões
- Primeira apron: US$209,015 milhões
- Segunda apron: US$221,686 milhões
Um hard cap disfarçado
A segunda apron foi criada pelo acordo coletivo (CBA) de 2023 com o objetivo declarado de evitar a formação de dinastias e obrigar a movimentação constante de elencos. Na prática, funciona como um hard cap, dada a severidade das penalidades aplicadas a quem a ultrapassa.
As restrições concretas
Times acima da segunda apron não podem agregar contratos de múltiplos jogadores para igualar o salário de um jogador recebido em troca. Toda negociação precisa ser feita um a um, sem que o salário recebido supere o salário enviado.
Essas equipes também perdem acesso à Taxpayer Mid-Level Exception e ficam proibidas de enviar dinheiro em trocas. Se permanecerem acima da segunda apron por duas temporadas seguidas, veem sua escolha de primeira rodada de sete anos à frente cair automaticamente para o fim do draft.
A régua já aperta antes disso. Um time que ultrapassa apenas a primeira apron, sem cruzar a segunda, perde o direito a sign-and-trade e à exceção bianual, dois recursos usados justamente para reforçar elenco fora da agência livre tradicional.
O caso Celtics
Campeão da NBA em 2023-24, o Boston Celtics negociou Jrue Holiday e Kristaps Porziņģis na offseason de 2025 e viu Al Horford e Luke Kornet saírem via agência livre só para escapar da segunda apron, uma medida inédita para uma equipe campeã recente.
A pressão não parou por aí. Em julho de 2026, o Celtics negociou Jaylen Brown para o Philadelphia 76ers. O presidente de basquete Brad Stevens citou o peso da segunda apron sobre os salários supermáximos de Brown e Jayson Tatum, que juntos consumiam 70% do teto do time.
“The path looked a little bit more challenging to me with 70% of our cap and such a high percentage of our usage tied into two players”, disse Stevens.
O caso Spurs
Outro time recorreu a um sacrifício direto de salário para não cruzar a linha. Victor Wembanyama aceitou uma extensão em 25% do teto salarial, e não no máximo de 30% ao qual tinha direito, para ajudar o San Antonio Spurs a se manter abaixo da segunda apron. A economia é estimada em mais de US$50 milhões.
A comparação com 2025-26
Um ano antes, a NBA havia projetado o salary cap em US$154,6 milhões para 2025-26, alta de US$14 milhões, ou 10%, sobre a temporada anterior. A segunda apron daquele ciclo ficou em US$207,8 milhões, segundo o Lance!, patamar próximo ao confirmado pela ESPN Brasil em sua cobertura da janela de trocas.
De 2025-26 para 2026-27, o salary cap sobe de cerca de US$154,6 milhões para US$164,961 milhões, alta aproximada de 6,7%. É esse ritmo de crescimento que empurra, temporada após temporada, o valor da segunda apron cada vez mais perto do orçamento real de elencos montados em torno de duas ou três estrelas caras.
Times que tentam escapar dessas regras também recorrem ao mercado de trocas para reorganizar a folha salarial, como mostrou a movimentação de quatro times que manteve Dosunmu nos Wolves, outro caso de franquia se reorganizando sob o teto salarial da liga.



