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Fiel cobra saída de Memphis e Marcelo Paz no Corinthians

Gaviões da Fiel e Estopim da Fiel se reuniram com Osmar Stabile e exigiram o afastamento de Memphis Depay e a saída de Marcelo Paz.

por Rafael Mendes 16 de outubro de 2026 4 min de leitura
Memphis Depay com a camisa do PSV Eindhoven durante partida em 2011 (Foto de arquivo: Memphis Depay em partida pelo PSV Eindhoven, 2011 (não é imagem do Corinthians nem do protesto).)

Foto de arquivo: Memphis Depay em partida pelo PSV Eindhoven, 2011 (não é imagem do Corinthians nem do protesto). (Foto: nikontino CC BY 2.0 via https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Memphis_Depay.jpg)

Foi na sede do Parque São Jorge, na quinta-feira, que lideranças das torcidas organizadas Gaviões da Fiel e Estopim da Fiel se sentaram diante do presidente Osmar Stabile para colocar na mesa a insatisfação que já se arrastava pelas arquibancadas, em um encontro que reuniu cerca de 20 pessoas entre dirigentes dos dois grupos. A pauta não deixava espaço para meias medidas, construída sobre meses de resultados ruins que haviam corroído a paciência de quem acompanha o Corinthians de perto. Enquanto o clube tentava se reorganizar dentro de campo, era fora dele, numa sala do Parque São Jorge, que se decidia o tom da cobrança que chegaria à diretoria.

As organizadas exigiram, de forma direta, o afastamento técnico do atacante Memphis Depay do time titular, ao mesmo tempo em que pediram a saída imediata do executivo de futebol Marcelo Paz, responsável por grande parte das decisões de futebol do clube desde que assumiu o cargo. Não se tratou de um pedido isolado, já que as duas exigências vieram atadas, como se representassem a mesma crise sob ângulos diferentes: um nome que falhou dentro de campo e outro que teria falhado na gestão que o trouxe e o manteve lá.

Marcelo Paz chegou ao Corinthians em dezembro de 2025, vindo do cargo de CEO do Fortaleza, para substituir Fabinho Soldado numa transição que prometia profissionalizar a cúpula de futebol do clube. Memphis Depay, por sua vez, havia renovado contrato com o Corinthians apenas dois meses antes do protesto, em um movimento que soava, até pouco tempo atrás, como prova de confiança mútua entre jogador e clube. A distância entre aquele gesto de renovação e a cobrança por afastamento, feita por torcedores organizados menos de sessenta dias depois, mede por si só o tamanho da virada de humor que tomou conta da Fiel.

Um dos estopins apontados para a revolta foi o pênalti decisivo perdido por Memphis na derrota para o Estudiantes nas quartas de final da Libertadores, cobrança que, somada a um desempenho em queda livre, deixou o holandês ainda mais exposto. Memphis vive um jejum de dez jogos sem balançar as redes pelo Corinthians, a maior seca de gols desde que chegou ao clube, com o último tento registrado ainda na final da Copa do Brasil contra o Vasco da Gama, em novembro de 2025, e uma média de 664 minutos para participar de um gol em 2026, números que ajudam a explicar por que seu nome apareceu com tanta força na ata da reunião.

O momento do time no Brasileirão não ajudava a esfriar os ânimos: o Corinthians vivia sequência de oito derrotas consecutivas e ocupava a 16ª posição da tabela, apenas um ponto acima da zona de rebaixamento, no instante em que as lideranças das organizadas se encontravam com Stabile. Foi também nesse contexto que as torcidas cobraram esclarecimentos sobre os critérios usados na contratação do técnico Clarence Seedorf, cuja estreia no comando do time estava marcada para a segunda-feira seguinte, contra o Vitória, sem margem para erros diante de uma Fiel já impaciente.

A pressão não se limitou ao campo esportivo, já que os torcedores também questionaram a situação financeira do clube, incluindo o risco de déficit no fim do ano, mesmo com a gestão projetando superávit ao longo de 2026. Durante a reunião, Stabile reafirmou que não vai disputar reeleição à presidência do Corinthians ao fim do mandato, um sinal de que, ao menos na cúpula política do clube, a disputa pelo poder já havia sido encerrada antes mesmo de a crise esportiva se agravar.

Marcelo Paz, que chegou ao cargo prometendo estabilidade justamente num momento de troca de comando técnico, havia dito ao assumir: “É uma alegria enorme assumir essa responsabilidade… com a força do elenco, da Fiel e da nossa comissão técnica, vamos entregar um grande trabalho.”

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Sobre o autor

Rafael Mendes

Jornalista que cobre mercado, gestão e o circuito de tênis e MMA. Escreve guias e reportagens de contexto.

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