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Futebol

Álvarez cobra saída do Atlético e reacende a queda de braço entre Barcelona e Real Madrid

Julián Álvarez pediu para deixar o Atlético de Madrid, o Barcelona sustenta oferta desde 1º de julho e o Real Madrid já teve proposta de 150 milhões de euros recusada.

por Beatriz Rocha 6 de julho de 2026 4 min de leitura
Julián Álvarez se prepara para finalizar em jogo da seleção argentina

Foto: Sebas, CC BY 3.0, via Wikimedia Commons (Julián Álvarez em ação pela seleção argentina)

Julián Álvarez avisou o Atlético de Madrid que quer ir embora. Enquanto ainda defende a Argentina na Copa do Mundo, o atacante confirmou publicamente, na saída de campo após o triunfo sobre a Áustria, em 22 de junho, que já comunicou à cúpula do clube espanhol seu desejo de sair neste mercado. “Acho que o melhor para todos é uma transferência. Quero realizar meu sonho”, disse, sem esconder que o Barcelona é o destino de sua preferência.

A declaração acendeu de vez uma novela que já dura semanas e que colocou o Atlético em rota de colisão com os dois maiores rivais do país. Em 1º de julho, no discurso de posse de seu novo mandato à frente do Barcelona, o presidente Joan Laporta confirmou que o clube mantém uma oferta formal apresentada pelo diretor esportivo Deco pelo argentino. “A oferta é firme. A manteremos o tempo que considerarmos necessário, mas ela não é ilimitada”, declarou o dirigente, sem revelar o valor exato.

Reportagens espanholas apontam propostas na faixa de 100 milhões a 120 milhões de euros, em algum momento embutindo o atacante Ferran Torres como moeda de troca, movimento que o próprio jogador do Barcelona rejeitou. O Atlético, por sua vez, não abaixa o preço de referência de 150 milhões de euros, o mesmo patamar da oferta que o Real Madrid já havia feito e visto recusada em comunicado oficial publicado em 9 de junho. Na ocasião, o clube merengue anunciou ter proposto exatamente essa quantia pelos direitos federativos de Álvarez após reunião de diretoria, e o Atlético respondeu classificando a investida como fruto de “confusão entre educação e gratidão”, reafirmando que só ouviria negociações caso alguém pagasse a multa rescisória do argentino, fixada em 500 milhões de euros.

A resistência do clube colchonero não se limita ao valor. O CEO Miguel Ángel Gil Marín foi ríspido ao comentar a fala de Álvarez, dizendo que “não era o dia certo” para esse tipo de declaração, e anunciou que o clube avalia denúncia à Fifa contra o Barcelona por suposto contato irregular com um jogador ainda sob contrato, o que Laporta rebateu classificando o episódio como desnecessário. É só mais um capítulo de um mercado europeu que ainda promete esquentar até setembro.

Por que o preço é esse

Fora das ameaças, existe uma temporada que justifica a régua alta do Atlético. Contratado junto ao Manchester City em 2024 por valor que pode chegar a 95 milhões de euros, Álvarez soma 20 gols e 9 assistências em 49 partidas em 2025/26 somando todas as competições, sendo 8 gols e 4 assistências no Espanhol e 10 gols e 4 assistências na Liga dos Campeões, torneio em que estabeleceu o recorde do clube de gols em uma única campanha e se tornou o sul-americano mais rápido a chegar aos 25 gols na história da competição, superando a marca que pertencia a Lionel Messi. Os números, somados ao contrato que vai até 2030, dão ao Atlético munição para segurar o preço mesmo debaixo de pressão de dois pesos-pesados do continente.

O precedente que ronda a negociação

Não é a primeira vez que o Barcelona tenta romper a resistência do Atlético por um artilheiro usando dinheiro pesado. Em 2019, o clube catalão pagou 120 milhões de euros para acionar a cláusula de rescisão de Antoine Griezmann, negócio que terminou em fracasso esportivo e novela contratual: dois anos depois, o próprio Barcelona devolveu o francês ao Atlético, que o recomprou por cerca de 20 milhões de euros. O histórico ajuda a explicar por que o Atlético trata qualquer sondagem catalã com desconfiança redobrada, e por que Madri observa com atenção se a segunda tentativa em sete anos terá desfecho diferente.

Por ora, o impasse segue sem data para se resolver. Álvarez volta a campo pela Argentina, já classificada às oitavas de final depois de bater Cabo Verde por 3 a 2 no último dia 3, e o mercado europeu ainda tem quase dois meses até fechar, em 1º de setembro. Um novo capítulo da queda de braço entre Atlético, Barcelona e Real Madrid, que já rendeu comunicados oficiais, ironias em redes sociais e ameaça de Fifa, deve aparecer assim que a seleção argentina for eliminada ou chegar à decisão. Quem quiser acompanhar cada lance dessa e de outras negociações da janela pode seguir a cobertura completa no hub de Futebol d’A Hora do Esporte.

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