O Portland Trail Blazers formalizou, no fim de junho, a troca que trouxe o armador Ja Morant do Memphis Grizzlies, um dos negócios mais comentados do início da janela de transações da NBA em 2026. Na negociação, Portland enviou o ala Jerami Grant e o ala-pivô Kris Murray para Memphis, que também repassou 1 milhão de dólares em considerações financeiras aos Blazers, conforme nota publicada pela própria NBA.
Duas vezes selecionado para o All-Star Game (2022 e 2023), Morant chega aos 26 anos com médias de carreira de 22,4 pontos, 7,4 assistências, 4,6 rebotes e um roubo de bola em 327 jogos disputados na liga. Os números de destaque convivem com uma trajetória conturbada: entre suspensões por incidentes com arma de fogo exibida em transmissões ao vivo e problemas físicos, o armador entrou em quadra em apenas 79 partidas nas últimas três temporadas regulares.
Para Portland, a aposta tem endereço estatístico certo. Na temporada 2025-26, o time terminou na 28ª colocação da NBA em aproveitamento de arremessos de três pontos, com 34,3%, e amargou a pior média de turnovers da liga, com 17 perdas de bola por jogo. A leitura da diretoria é que a organização de jogadas de Morant ajuda a estancar as perdas de bola, enquanto o retorno do maior cestinha de três pontos da história da franquia, Damian Lillard, eleva o poder de fogo perimetral.
Essa dupla, no entanto, só deve estrear junto na temporada 2026-27. Lillard, de 35 anos, rompeu o tendão de Aquiles esquerdo ainda como jogador do Milwaukee Bucks e retornou a Portland em contrato de três anos e 42 milhões de dólares depois de ser dispensado pelos Bucks. Ele ficou de fora de toda a campanha 2025-26 e projeta retorno justamente no início do próximo ciclo, quando Morant também estreia de vermelho e preto. Em mensagem publicada no perfil oficial do Trail Blazers, Lillard deu as boas-vindas ao novo companheiro de backcourt: “Ja, e aí, meu irmão. Um prazer ter você aqui, cara, bem-vindo a Portland. Vamos trabalhar. Vamos fazer isso!”
O anúncio também escancarou um problema de logística de elenco. Além de Lillard e Morant, Portland mantém sob contrato o armador Jrue Holiday, o também armador Scoot Henderson (escolhido na 3ª posição do draft de 2023) e o ala Shaedon Sharpe, que assinou recentemente extensão de quatro anos e 90 milhões de dólares. São cinco jogadores de perímetro disputando, no máximo, duas vagas de titularidade ao lado do ala Deni Avdija, revelação da última temporada. A expectativa é que Holiday e Henderson comecem no banco, enquanto Sharpe se tornou o nome mais especulado em rumores de troca para a diretoria buscar mais equilíbrio no garrafão.
A negociação reflete momentos opostos das duas franquias. Portland veio de sua primeira classificação aos playoffs desde 2021, avançando pelo play-in ao derrotar o Phoenix Suns por 114 a 110 com atuação de 41 pontos, 7 rebotes e 12 assistências de Avdija, que fechou a temporada regular com médias de 24,2 pontos, 6,9 rebotes e 6,7 assistências e sua primeira convocação ao All-Star Game. Eliminado pelo San Antonio Spurs logo na primeira rodada, o time decidiu acelerar o ciclo competitivo com a chegada de um armador de perfil All-Star. Memphis, por sua vez, vive o processo inverso: Morant foi o terceiro pilar recente a deixar a franquia, depois das saídas de Desmond Bane e Jaren Jackson Jr., movimento de reconstrução iniciado após a eliminação por 4 a 0 diante do Oklahoma City Thunder nos playoffs de 2025.
Como gesto simbólico da nova fase, Morant trocou a camisa 12, usada desde os tempos de ensino médio, pela camisa 1 em Portland, mudança anunciada pelo próprio clube nas redes sociais. O desfecho da novela envolvendo Sharpe, somado à estreia de Morant e ao retorno de Lillard às quadras, deve definir se os Trail Blazers vão brigar por algo além de uma nova vaga de play-in em 2026-27. Para acompanhar os próximos desdobramentos do mercado, o hub de basquete do A Hora do Esporte vai seguir atualizando trocas, estreias e escalações ao longo da pré-temporada.



