Com pouco mais de 525 mil habitantes, Cabo Verde se tornou a menor seleção da história a disputar uma fase eliminatória de Copa do Mundo masculina. O arquipélago africano garantiu vaga inédita no Mundial em 13 de outubro de 2025, com vitória por 3 a 0 sobre Essuatíni nas eliminatórias, e transformou a estreia em um dos enredos mais comentados da fase de grupos.
Invicto contra favoritos
Sorteado no Grupo H ao lado de Espanha, Uruguai e Arábia Saudita, o time comandado pelo técnico Pedro Leitão Brito, o Bubista, não perdeu nenhuma partida. Segurou a Espanha em 0 a 0 na estreia, arrancou um agitado 2 a 2 contra o Uruguai, com gols de Kevin Pina e Hélio Varela (os primeiros da seleção em Copas do Mundo), e fechou a chave com outro 0 a 0, diante dos sauditas. O saldo rendeu a segunda colocação do grupo e a vaga na segunda fase, contra a Argentina de Lionel Messi, hoje, em Miami.
Salto no ranking da Fifa
O desempenho teve efeito imediato nos números. Cabo Verde entrou no torneio na 67ª posição do ranking da Fifa e subiu para a 64ª logo após a fase de grupos, com o empate diante dos espanhóis somando isoladamente 18,68 pontos, o resultado de maior peso da campanha. É um salto raro para uma seleção que só passou a disputar Mundiais nesta edição.
Um time construído na diáspora
A base do elenco reflete a história recente de emigração do país: jogadores formados em Portugal, França e Holanda dividem posição com atletas revelados no arquipélago, caso de Dailon Livramento, decisivo nas eliminatórias. Bubista transformou a dispersão cabo-verdiana pelo mundo em critério de escalação, reunindo um grupo que já vinha em ascensão nos rankings havia alguns anos antes do resultado aparecer em uma Copa.
Recordes que não são o mesmo
A campanha reacende a comparação com a Islândia, que em 2018 se tornou, com cerca de 335 mil habitantes, a menor nação a se classificar para um Mundial, ainda que tenha caído na fase de grupos naquela edição, sem vencer nenhum jogo. O recorde de menor seleção simplesmente classificada para uma Copa, aliás, já mudou de mãos de novo: cerca de um mês depois de Cabo Verde carimbar presença no torneio, Curaçao, com cerca de 150 mil habitantes, também se classificou e se tornou a menor nação, por população, a disputar um Mundial. A diferença está no que cada seleção fez dentro de campo. Curaçao caiu na fase de grupos, assim como a Islândia em 2018, sem avançar. Cabo Verde, com quase 525 mil habitantes, é quem detém a marca de menor seleção a alcançar uma fase eliminatória de Copa do Mundo, um degrau que nenhuma das duas chegou a alcançar.
Duelo com a Argentina
Sem nunca ter disputado uma fase de mata-mata em Mundiais, Cabo Verde encara agora o teste mais difícil possível: a atual seleção argentina, com Messi em campo. Para Bubista, o discurso público tem sido o de aproveitar a experiência sem pressão extra, já que a classificação à segunda fase, sozinha, superou qualquer expectativa criada antes do torneio começar. Um resultado positivo ampliaria ainda mais o salto no ranking da Fifa conquistado nas últimas semanas.
A campanha cabo-verdiana é só mais um capítulo de uma fase de mata-mata badalada, que inclui o caminho do Brasil rumo à final. Mais contexto e atualizações sobre o torneio estão disponíveis na editoria de Futebol. A tabela oficial da competição, com resultados e confrontos, pode ser consultada no site da Fifa.



