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Tênis

Eala derruba a campeã e entra para a história das Filipinas em Wimbledon

Alexandra Eala bate a campeã Iga Świątek por 7/6(9) e 6/2 na terceira rodada de Wimbledon 2026 e se torna a primeira filipina na quarta rodada de um Grand Slam.

por Beatriz Rocha 5 de julho de 2026 4 min de leitura
Quadra Central de Wimbledon

Foto: GATORFAN2525, CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons

A jogadora filipina Alexandra Eala varreu a grade de favoritismo em Wimbledon 2026 na tarde deste sábado, 4 de julho, ao superar a atual campeã Iga Świątek por 7/6(9) e 6/2 na terceira rodada do torneio londrino. O resultado colocou a tenista de 21 anos, cabeça de chave número 29, na quarta rodada de um Grand Slam pela primeira vez na carreira, feito inédito para qualquer representante das Filipinas no tênis profissional.

Um tiebreak que resumiu o jogo

O primeiro set durou 84 minutos e teve de tudo. Eala chegou a abrir 5/2, viu Świątek reagir com um parcial de quatro games seguidos e converter ao menos dois set points, mas segurou a pressão para fechar o tiebreak por 11 a 9. No segundo set, a filipina impôs o ritmo, quebrou o saque adversário logo no início, encaixou aces consecutivos e não deu chances de virada, fechando a partida em pouco mais de duas horas na Quadra Central. Os números confirmam o equilíbrio dentro da irregularidade: Świątek converteu apenas 3 de 11 chances de quebra, contra 5 de 7 aproveitadas por Eala, sinal de que a polonesa nunca encontrou consistência para reverter o placar. O relato oficial da WTA descreveu a virada no primeiro set como um dos pontos mais tensos do torneio até aqui.

Sétima vitória sobre um top 10

Não é a primeira vez que Eala assusta as favoritas do circuito. A vitória sobre Świątek foi a sétima de sua carreira diante de uma tenista do top 10, elevando seu retrospecto para 7 vitórias e 4 derrotas nesses confrontos, com três triunfos apenas em 2026 na grama. O histórico entre as duas também mudou de figura: Eala já havia batido a polonesa no Masters de Miami em 2025, viu a rival devolver o resultado no saibro de Madri e agora abre 2 a 1 na rivalidade, com a vantagem justamente na grama, superfície em que Świątek historicamente sofre mais para impor o jogo de fundo de quadra que a consagrou no saibro.

A trajetória de Eala até este sábado não surpreende quem acompanha o circuito de perto. Ela se tornou a primeira filipina a vencer um título de Grand Slam juvenil, ao conquistar o US Open júnior em 2022, e treina desde os 13 anos na academia de Rafael Nadal, em Maiorca, de onde se formou em 2023 recebendo o diploma das mãos do próprio ídolo espanhol. Depois de romper o Top 100 com uma semifinal no WTA 1000 de Miami em 2025, chegou à primeira final da carreira em Eastbourne e faturou o primeiro título de nível WTA 125. Em 2026, bateu Jasmine Paolini em Dubai pela terceira vitória sobre um top 10, alcançou o topo histórico de número 29 do ranking mundial em março, o mais alto já obtido por uma tenista das Filipinas, e chegou a uma semifinal em Berlim superando duas adversárias do top 10 pelo caminho. Quem quiser entender como funciona essa escalada no ranking e o caminho de outros jovens talentos no circuito pode conferir a reportagem sobre como funciona o circuito de tênis e os brasileiros em ascensão.

Um padrão que incomoda as campeãs

A queda de Świątek também acende um alerta que passou despercebido na cobertura do jogo: há três edições consecutivas, nenhuma campeã de Wimbledon consegue passar da terceira rodada na tentativa de defender o título. Markéta Vondroušová, campeã em 2023, caiu logo na estreia de 2024. Barbora Krejčíková, campeã de 2024, foi eliminada na terceira rodada em 2025 pela americana Emma Navarro. Agora Świątek, campeã de 2025, repete o roteiro e cai também na terceira rodada, diante de uma adversária que sequer estava entre as 30 primeiras do ranking havia poucos meses. A grama de Wimbledon, historicamente a superfície mais imprevisível do calendário, tem sido implacável justamente com quem chega como favorita máxima.

Próximo desafio

Na quarta rodada, Eala enfrenta a italiana Jasmine Paolini, cabeça de chave número 13, que avançou ao bater Maria Sakkari por 6/1 e 6/2 em apenas 66 minutos. As duas já se enfrentaram em 2026, em Dubai, com vitória da filipina por 6/1 e 7/6(5). Se confirmar o favoritismo recente sobre a italiana, Eala pode repetir no tênis feminino asiático o tipo de salto que o Brasil também vive na modalidade, como mostra o levantamento sobre João Fonseca em números, outro jovem que tem escalado o ranking mundial na base de resultados diante de nomes consagrados. Mais detalhes sobre a rodada e os próximos confrontos de Wimbledon estão disponíveis no hub de tênis do A Hora do Esporte.

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