No dia 28 de novembro, um sábado, Palmeiras e Estudiantes vão reencontrar-se dentro do Estádio Centenário, em Montevidéu, repetindo a mesma cena que os uniu 58 anos antes, quando o clube argentino bateu o time paulista numa série de três jogos decisivos e ergueu, naquele mesmo gramado uruguaio, o seu primeiro título continental, um duelo que se tornou, com o tempo, um dos capítulos mais lembrados da rivalidade sul-americana e que agora ganha um novo episódio justamente no palco em que tudo aconteceu originalmente, décadas atrás.
Naquela decisão de 1968, segundo o retrospecto resgatado pela apuração, o Estudiantes abriu a série vencendo o primeiro confronto por 2 a 1, viu o Palmeiras responder na partida de volta com uma vitória por 3 a 1 e, no jogo decisivo, disputado justamente dentro do Centenário, fechou a disputa com um contundente 2 a 0, resultado que selou a conquista do primeiro troféu continental da história do clube argentino e que o torcedor palmeirense carrega como ferida aberta desde então, agora prestes a ser revisitada.
A decisão de 2026 repete o mesmo palco de meio século atrás, mas muda o formato da disputa: será um jogo único, agendado para aquele mesmo sábado, 28 de novembro, outra vez dentro do Estádio Centenário, diferente do formato de ida e volta que decidiu as semifinais de Palmeiras e Estudiantes, ainda que o horário da bola rolando não tivesse sido confirmado oficialmente até o fechamento desta reportagem. O próprio formato da decisão, em jogo único, contrasta com o debate recorrente sobre como as medidas do campo de futebol seguem padronizadas pelo IFAB em qualquer estádio do continente.
O Palmeiras chegou a essa final depois de eliminar o Fluminense numa semifinal de margens mínimas, vencendo o primeiro confronto por 2 a 1, cedendo o segundo por 1 a 0 e fechando o agregado em 2 a 2, o que levou a vaga para os pênaltis, etapa em que o goleiro Carlos Miguel foi decisivo ao parar a cobrança de Nonato e carimbar a classificação alviverde por 5 a 3.
Do outro lado da chave, o Estudiantes superou o Flamengo depois de dois empates sem gols, tanto na ida quanto na volta, e também resolveu a vaga nos pênaltis, numa sequência em que o goleiro Fernando Muslera defendeu três cobranças, de Jorginho, Lucas Paquetá e Bruno Henrique, garantindo ao clube argentino a vitória por 3 a 2, depois de 180 minutos sem gols somados nos dois jogos regulamentares da eliminatória.
Para o Palmeiras, trata-se da quarta final de Libertadores da sua história e da busca pelo quarto título continental, depois das conquistas erguidas em 1999, 2020 e 2021, somadas aos quatro vice-campeonatos sofridos em 1961, 1968, 2000 e, mais recentemente, 2025.
Já o Estudiantes mede forças pelo quinto título continental da sua trajetória, depois dos troféus erguidos em 1968, 1969, 1970 e 2009, e retorna a uma decisão da Libertadores depois de 17 anos sem disputar o estágio final da competição, um intervalo que evidencia o tamanho do jejum que o clube argentino tenta encerrar justamente em Montevidéu.
O Estádio Centenário carrega um significado particular para o Palmeiras. Foi exatamente lá que o clube paulista conquistou o título de 2021, batendo o Flamengo por 2 a 1 na prorrogação, com gol decisivo de Deyverson. Essa conquista de 2021 foi a mais recente do clube antes desta nova final, reforçando o retrospecto favorável do Palmeiras justamente no mesmo gramado em que a história contra o Estudiantes começou de forma amarga, 58 anos atrás.
No banco palmeirense, a decisão também marca um registro individual para o técnico Abel Ferreira, que chega à sua quarta final de Libertadores em apenas seis anos à frente do clube alviverde, uma sequência que confirma a identificação do treinador português com as decisões mais importantes da competição continental, depois de já ter levado o Palmeiras a disputas anteriores pelo título sul-americano.
A decisão de novembro ainda representa a segunda final seguida do Palmeiras na Libertadores, depois do vice-campeonato amargado em 2025, um retrospecto recente que o próprio clube resumiu, nas redes sociais, logo após a classificação, com apenas quatro palavras: “Ventos a nosso favor”.



