Nenhum nome aparece tantas vezes no quadro de honra de Interlagos quanto o de Michael Schumacher, que venceu ali em 1994, 1995, 2000 e 2002 e segue, às vésperas da edição de 2026 do GP de São Paulo, como o piloto com mais triunfos isolados no traçado paulista, segundo o levantamento do F1mania reproduzido pela CNN Brasil, que detalhou ano a ano quem subiu ao topo do pódio na pista batizada em homenagem a José Carlos Pace. A corrida deste ano está marcada para o fim de semana de 6 a 8 de novembro, com a disputa agendada para o domingo, dia 8, encerrando a 20ª etapa do calendário da Fórmula 1 e reabrindo, mais uma vez, a pergunta sobre quem construiu a história do Autódromo José Carlos Pace desde que a categoria passou a correr ali.
A conta de Schumacher, porém, vale apenas para Interlagos, porque o Grande Prêmio do Brasil também passou por Jacarepaguá, no Rio de Janeiro, revezando sede entre os dois autódromos ao longo de quase duas décadas: o traçado paulista recebeu a prova entre 1973 e 1977, voltou em 1979 e 1980 e passou a sediá-la de forma ininterrupta a partir de 1990, enquanto Jacarepaguá organizou o evento em 1978 e novamente em um bloco que foi de 1981 a 1989. Somando as vitórias nas duas sedes, quem desponta como maior vencedor da história do GP do Brasil é Alain Prost, com seis triunfos conquistados em diferentes épocas de sua carreira, um total que supera em duas unidades a marca de Schumacher, ainda que a comparação direta entre os dois exija lembrar que correram em eras distintas e em traçados diferentes dentro do mesmo país.
A lista de vencedores brasileiros também ocupa um capítulo próprio nesse histórico, e ajuda a explicar por que Interlagos é tratado como uma das pistas mais afetivas do calendário para o público local: Emerson Fittipaldi venceu em 1973 e 1974, José Carlos Pace levou a melhor em 1975, justamente o piloto que dá nome ao autódromo, Ayrton Senna triunfou em 1991 e 1993, e Felipe Massa repetiu o feito em 2006 e 2008, sem contar Nelson Piquet, vencedor em 1983 e 1986, ainda na época de Jacarepaguá. Essa tradição de decidir corridas e até títulos em solo brasileiro tem paralelo em outras etapas latino-americanas do calendário, como mostra um levantamento semelhante sobre quem mais venceu no GP do México antes da corrida deste ano, outro traçado que também já carimbou passaporte de campeões mundiais. Interlagos, aliás, não distribuiu apenas troféus de corrida: o traçado já foi palco de decisões de campeonato mundial de pilotos, com os títulos de Fernando Alonso, Jenson Button, Kimi Räikkönen, Lewis Hamilton e Sebastian Vettel confirmados justamente ali, o que reforça o peso simbólico da pista dentro do calendário da categoria.
Hamilton e Vettel, por sinal, dividem a segunda posição entre os vencedores mais recorrentes em São Paulo, com três vitórias cada um, o britânico em 2016, 2018 e 2021, e o alemão em 2010, 2013 e 2017. Max Verstappen se junta a esse grupo de três triunfos somando os resultados mais recentes do traçado, com vitórias em 2019, 2023 e 2024, uma sequência que mostra como o holandês também construiu identificação com Interlagos em anos diferentes de sua trajetória na Fórmula 1. Quem também deixou sua marca no circuito foi Valtteri Bottas, autor da volta mais rápida da história de Interlagos, cravada em 2018 com 1min10s540.
A edição mais recente do GP de São Paulo, disputada em 9 de novembro de 2025, teve Lando Norris como vencedor, com uma vantagem de 10,388s sobre Kimi Antonelli na linha de chegada. O resultado ampliou a liderança de Norris no Mundial de Pilotos daquele ano, com Oscar Piastri a 24 pontos de distância depois de terminar em quinto, um cenário que colocou o britânico em posição ainda mais confortável na briga pelo título. Verstappen completou o pódio em terceiro depois de largar do pitlane por conta de mudanças no carro além da cota sazonal permitida pelo regulamento, enquanto o brasileiro Gabriel Bortoleto abandonou ainda na primeira volta após um toque com Lance Stroll, episódio que resumiu bem a imprevisibilidade que marcou aquela corrida em Interlagos.
Para a disputa de 2026, a organização confirmou um fim de semana sem formato sprint em Interlagos, mantendo o traçado de 4,309 km e a distância total de 305,939 km ao longo de 71 voltas, nos mesmos moldes que consagraram boa parte da lista de campeões reunida ao longo das décadas. Depois de cruzar a linha de chegada em 2025, Norris resumiu o que sentiu diante da torcida brasileira: “I was pushing! It was an amazing race and it’s nice to win here in Brazil. It’s an amazing track, amazing fans.”



