As muralhas de concreto que emolduram as ruas de Baku têm o hábito de decidir corridas antes mesmo da bandeira quadriculada, e talvez seja por isso que, em oito edições disputadas desde 2017, o GP do Azerbaijão já revelou seis vencedores diferentes: Daniel Ricciardo, Lewis Hamilton, Valtteri Bottas, Sergio Pérez, Max Verstappen e Oscar Piastri, cada um encontrando, à sua maneira, a brecha certa entre os muros do circuito urbano. Nico Rosberg havia cruzado a linha de chegada em primeiro lugar naquele mesmo traçado em 2016, mas a corrida daquele ano ainda se chamava GP da Europa, o que a deixa fora da contagem oficial da prova que hoje leva o nome do país caucasiano.
A primeira edição sob o nome atual já entregou uma das maiores zebras daquela temporada, quando Daniel Ricciardo superou Valtteri Bottas e Lance Stroll para vencer o GP inaugural do Azerbaijão em 2017, um resultado que ajudou a construir, desde o início, a fama do traçado como palco de reviravoltas. Foi só em 2021 e depois em 2023 que um piloto conseguiu repetir a taça em Baku, algo que explica em boa parte por que a lista de campeões segue tão embaralhada: Sergio Pérez é o único piloto com mais de uma vitória no GP do Azerbaijão, com duas conquistas em oito corridas disputadas, o que faz dele a exceção justamente num circuito construído para não se repetir.
O retrospecto por equipes acompanha essa lógica sem contradizê-la. A Red Bull soma cinco vitórias entre 2017 e 2025, a Mercedes tem duas e a McLaren fechou o ciclo com uma, conquistada por Oscar Piastri na edição de 2024. Ainda assim, nenhuma dessas equipes conseguiu transformar Baku numa fortaleza particular, porque o próprio desenho da pista parece resistir a qualquer tentativa de domínio: são 6,003 quilômetros e vinte curvas percorridos ao longo de 51 voltas. Charles Leclerc segue com o recorde de volta mais rápida no traçado, cravada em 1min43s009 em 2019, uma marca que resistiu mesmo com o avanço técnico dos carros nas temporadas seguintes.
A edição de 2025, disputada em 21 de setembro, seguiu no roteiro de imprevisibilidade só que desta vez sem surpresa no topo: Max Verstappen largou da pole e liderou todas as voltas, cravando seu sexto grand chelem na carreira e o décimo quarto hat-trick, resultado que também marcou sua 67ª vitória na Fórmula 1 e a quarta da temporada. O pódio foi completado por George Russell e Carlos Sainz, e foi justamente o piloto da Williams quem resumiu o momento da equipe depois da corrida. “Esse pódio é mais do que um troféu. É a prova de que estamos no caminho certo”, disse Carlos Sainz.
Nem todos saíram satisfeitos de Baku naquele domingo. Oscar Piastri bateu logo na primeira volta depois de um mau início e de uma falha de anti-stall, episódio que provocou o único período de safety car da corrida e custou caro ao australiano na luta pelo título. Mesmo assim, ele seguia na liderança do campeonato de pilotos com 324 pontos após aquela etapa, enquanto Verstappen ocupava a terceira posição com 255. Do lado das equipes, a Mercedes aproveitou o tropeço alheio para assumir o segundo lugar do campeonato de construtores, com 290 pontos contra 286 da Ferrari.
Para quem quiser acompanhar como o calendário segue mudando em torno desse traçado, vale a leitura sobre por que o GP do Azerbaijão de 2026 será disputado num sábado, alteração que já está definida para a próxima edição. Enquanto isso, a história recente do circuito segue reforçando a mesma lição: nem as duas vitórias de Sergio Pérez em Baku bastaram para que qualquer piloto ou equipe tratasse o traçado como terreno conhecido, e o grand chelem de Max Verstappen em 2025 foi, ainda assim, apenas mais um capítulo de uma prova que já trocou de dono seis vezes em oito tentativas. Do lado de quem ficou sem pontos que pareciam garantidos, a frustração também marcou presença no paddock. “É frustrante. Era uma corrida que estava no nosso colo depois da batida do Oscar. Não podemos continuar perdendo pontos assim”, lamentou Lando Norris depois da corrida.



