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Regras do judô: como funcionam ippon, waza-ari e shido

Entenda as regras do judô: os critérios do ippon e do waza-ari, as penalidades da IJF e o que mudou no regulamento em 2025.

por Rafael Mendes 17 de setembro de 2026 5 min de leitura
Judoca brasileiro comemora medalha em competição de judô (Foto de arquivo: judoca brasileiro celebra medalha em competição de 2024.)

Foto de arquivo: judoca brasileiro celebra medalha em competição de 2024. (Foto: Marinha do Brasil CC BY-SA 2.0 via https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Olimp%C3%ADadas_-_2024_(53889583421).png)

Quando um judoca lança o adversário longe do chão com velocidade, força e o derruba de costas, sob controle habilidoso até o fim do movimento, o combate termina ali mesmo: é o ippon, a pontuação máxima do esporte. É justamente esse instante que resume por que as regras do judô são construídas em torno de quatro critérios técnicos definidos pela International Judo Federation (IJF). Nenhum outro golpe garante vitória tão imediata, e entender esse mecanismo é o primeiro passo para acompanhar qualquer luta, do tatame de um dojo de bairro aos tapetes de uma Olimpíada.

O esporte nasceu no Japão em 1882, quando Jigoro Kano combinou princípios filosóficos com métodos de educação física, moral e intelectual, eliminando dos golpes do jiu-jitsu, do qual o judô deriva, os elementos mais perigosos para os praticantes. Diferentemente de esportes de combate como o MMA, cujos nocautes e reviravoltas de última hora, como os relembrados na lista dos nocautes e lutas que marcaram a história do UFC, também mobilizam o público, o judô se apoia em critérios técnicos objetivos definidos pela IJF para pontuar cada golpe, algo que fica claro quando se conhece as regras do judô e a origem do esporte desde a criação de Kano.

O sistema de pontuação: ippon e waza-ari

Para valer ippon, a projeção precisa reunir simultaneamente velocidade, força, queda do oponente de costas no tatame e controle habilidoso do judoca que aplica o golpe até o fim da queda, conforme o regulamento da IJF. A pontuação máxima também pode ser obtida fora do combate em pé: uma imobilização mantida de forma contínua por 20 segundos, ou uma finalização por estrangulamento ou chave de braço que leve o adversário a desistir ou fique incapacitado, encerra a luta do mesmo jeito.

Quando a projeção cumpre praticamente todos os critérios do ippon, mas falha em exatamente um deles, a arbitragem concede o waza-ari, a chamada meia pontuação. É o caso, por exemplo, de uma queda em que o oponente é derrubado de lado, a 90 graus ou mais, sem completar a queda de costas. No solo, o waza-ari também é dado por uma imobilização mantida entre 10 e 19 segundos, e dois waza-ari somados equivalem a um ippon, encerrando o combate.

Penalidades: do shido ao hansoku-make

As infrações mais comuns no judô são punidas com shido, penalidade leve aplicada, entre outras situações, quando um atleta segura além da coxa interna abaixo do cinto do adversário, agarra ou encosta nas pernas dele, ou sai intencionalmente da área de combate. Três shidos acumulados resultam em hansoku-make, a desclassificação direta do atleta penalizado, a mesma punição reservada a infrações consideradas graves, como explicam as regras do judô sobre penalidades e desclassificação reunidas pela reportagem esportiva. Na atualização de 2025, a federação passou a liberar movimentos como o bear hug e o reverse seoi-nage para as categorias sênior e júnior, mas manteve a penalização por shido quando os mesmos golpes aparecem em lutas da categoria cadete.

A área de combate, o judogi e o tempo de luta

As regras do judô também definem o cenário em que tudo isso acontece. A área de combate é um tatame de 8 metros por 8, cercado por uma zona de segurança, e os judocas competem vestindo o judogi branco ou azul, cor decidida por sorteio entre os dois atletas antes da luta; o regulamento ainda estabelece exigências de vestimenta e higiene que precisam ser cumpridas antes de cada combate. Antes e depois de lutar, a saudação, o rei, é obrigatória em respeito ao adversário, ao árbitro e ao público presente. Lutas de adultos duram 4 minutos, enquanto as categorias juvenis variam entre 2 e 3 minutos conforme a idade, e as categorias de peso são divididas para os dois gêneros. Se o placar seguir empatado ao fim do tempo regulamentar, a decisão vai para o golden score, prorrogação sem tempo definido que termina assim que sai o primeiro ponto ou a primeira penalidade.

O que mudou nas regras da IJF em 2025

A IJF reintroduziu em 2025 o yuko, pontuação que havia sido eliminada em um ciclo de regras anterior, agora reconhecendo quedas laterais ou próximas à lateral, sobre as nádegas, na parte superior das costas ou no cotovelo, além de passar a valer também para controles de solo entre 5 e 9 segundos. As mudanças entraram em vigor no Paris Grand Slam de fevereiro daquele ano, com um período de observação que seguiu até o Campeonato Mundial de Budapeste. O pacote também mexeu nas pegadas permitidas: desde então, a pegada dentro da manga da jaqueta em golpes de pé e a pegada sob o cinto até a virilha interna do adversário passaram a ser autorizadas, mas agarrar ou tocar as pernas do oponente continua sendo punido com shido.

Florin Daniel Lascau, diretor de arbitragem da federação, resumiu o objetivo da revisão ao afirmar que “a set of refereeing rules were presented here in Istanbul, with the aim of continuing to develop our sport”.

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Sobre o autor

Rafael Mendes

Jornalista que cobre mercado, gestão e o circuito de tênis e MMA. Escreve guias e reportagens de contexto.

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