quarta-feira, 7 de outubro de 2026 ÚltimasRegras do futebol society: por que não existe impedimento
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Regras do futebol society: por que não existe impedimento

O futebol society reúne sete jogadores por time e dispensa o impedimento; veja como funcionam as demais regras da modalidade.

por Rafael Mendes 7 de outubro de 2026 4 min de leitura
Partida de futebol society em campo sintético cercado por alambrado (Foto ilustrativa de uma partida de futebol society.)

Foto ilustrativa de uma partida de futebol society. (Foto: naldo45y CC BY 2.0 via https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Partida_de_Futebol_Society.jpg)

Em uma tarde comum de disputa num campo sintético cercado por alambrado, um atacante recebe um passe adiantado em relação à última linha de marcação adversária e segue o lance livremente, sem que o árbitro levante qualquer bandeira, porque, entre as regras do futebol society, simplesmente não existe a marcação de impedimento, ao contrário do que ocorre no futebol de campo tradicional. O lance costuma surpreender quem chega de outra modalidade pela primeira vez, mas é justamente esse traço, somado à liberdade de movimento que ele permite, que define o ritmo acelerado do futebol 7, disputado por sete jogadores de cada lado, incluindo o goleiro. O campo onde a partida acontece varia entre 45 por 25 metros, no tamanho mínimo admitido, e 55 por 35 metros, no máximo, sempre sobre grama sintética, o que já distingue visualmente a modalidade do futebol de campo jogado em grama natural e em dimensões bem maiores. A ausência de impedimento, vale notar, não é exclusividade do society: o futsal também dispensa essa marcação, de modo que apenas o futebol de campo tradicional a mantém entre suas regras, numa diferença que ajuda a explicar por que certas posições do futebol funcionam como regra em uma modalidade e como mera tática em outra.

A duração da partida também separa as três modalidades entre si. O futebol society é disputado em dois tempos de 25 minutos cada, com um intervalo de até 10 minutos entre eles, enquanto o futsal cumpre dois tempos de 20 minutos com o mesmo intervalo máximo e o futebol de campo tradicional estende cada etapa a 45 minutos, com 15 minutos de descanso entre elas. No society, o cronômetro é interrompido a cada parada de jogo, o que faz o tempo líquido de bola rolando se aproximar bastante do tempo total anunciado antes da partida começar. As substituições, por sua vez, são ilimitadas e feitas “voando”, sem necessidade de parar a partida para a troca entrar em campo, regra que o futsal compartilha plenamente, mas que o futebol de campo tradicional não adota, já que ali o número de trocas permitidas fica limitado a entre três e cinco, dependendo da competição em disputa. As diferenças entre futebol de campo, futsal e society também aparecem dentro da própria área: no society, a área penal é um semicírculo com raio de oito metros a partir do centro da linha de gol, e não existe a pequena área, conhecida como goal box, que caracteriza o futebol de campo tradicional.

Duas outras marcações completam o quadro de particularidades que compõem as regras do futebol society e que raramente aparecem em outras modalidades. O goleiro não pode usar as mãos quando recebe um recuo voluntário feito de pé por um companheiro de equipe, e a infração, quando cometida, gera um tiro livre indireto em favor do time adversário. Já o arremesso lateral é cobrado com os pés, e não com as mãos como no futebol de campo tradicional, e o jogador que vai repor a bola tem apenas cinco segundos para colocá-la novamente em jogo antes de ser penalizado.

O futebol 7 society foi criado em 1988 pelo professor Milton Mattani, que elaborou o primeiro regulamento oficial da modalidade ao adaptar características do futebol de campo para espaços menores e para a realidade de clubes e escolinhas que não tinham acesso a campos grandes. A entidade hoje reconhecida pelo Ministério do Esporte para representar oficialmente o futebol 7/society no Brasil é a CBF7, formada em 18 de fevereiro de 2013 pela unificação da CBF7S, fundada em 1996 pelo próprio Mattani, com a CF7. Dois anos depois, em 10 de fevereiro de 2015, uma cisão deu origem a uma vertente rival, a Confederação Brasileira de Soccer Society, criada pelo próprio Mattani ao lado de outros ex-dirigentes da CBF7, como Marcello Sangiovanni e José Maria Lopes Martins. Depois da morte do criador da modalidade, em 2021, a liderança dessa entidade manteve os esforços de expansão do esporte que ele próprio havia iniciado quase três décadas antes.

O crescimento recente aparece em números de competições disputadas em solo brasileiro. O Pan-Americano de Clubes e Seleções de futebol 7 society, realizado em setembro de 2026 em Paranaguá, reuniu mais de 1.000 atletas vindos do Brasil, da Argentina, do Chile e da Venezuela, enquanto a Copa do Brasil de Futebol 7 Society do mesmo ano, disputada em São Paulo, somou mais de 1.500 atletas distribuídos em 82 equipes. Segundo o Jornal União, a modalidade já reúne milhões de praticantes em mais de 80 países, um alcance que ajuda a entender por que partidas de bairro, décadas depois da criação do esporte, ainda seguem ponto por ponto o mesmo regulamento pensado por Mattani.

“O Futebol 7 nasceu para democratizar o acesso ao esporte. Hoje ele também representa oportunidades de trabalho, formação esportiva e desenvolvimento para milhares de jovens”, resume Marcello Cordeiro Sangiovanni, presidente da FIFOS.

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Sobre o autor

Rafael Mendes

Jornalista que cobre mercado, gestão e o circuito de tênis e MMA. Escreve guias e reportagens de contexto.

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