Desde 1979, quando o muay thai chegou ao Brasil, o país passou a adotar um sistema próprio de graduação, diferente do modelo usado na Tailândia. A marca da evolução técnica fica no braço esquerdo do praticante, perto do coração. Conhecer a ordem das faixas do muay thai ajuda a entender tanto quem está começando quanto quem já chegou aos graus mais altos da modalidade.
O kruang, a corda que marca o nível
A graduação é indicada por uma corda chamada kruang, também conhecida como prajied, amarrada no braço esquerdo. É essa corda que sinaliza publicamente em que estágio técnico o lutador se encontra.
A origem do sistema brasileiro
A Confederação Brasileira de Muay Thai (CBMT) foi fundada em 1994 pelo Grão-Mestre Luiz Alves, um dos responsáveis por introduzir a modalidade no país. Hoje a entidade é a única filiada à World Muaythai Federation (WMF) no Brasil, com sede no Rio de Janeiro e reconhecimento do Ministério do Esporte.
A ordem das faixas, do branco ao preto
A ordem das faixas do muay thai no sistema brasileiro segue uma sequência de cinco níveis principais antes dos títulos mais altos da graduação do muay thai:
- Branco
- Azul-claro
- Azul-claro com ponta azul-escura
- Azul-escuro com ponta preta
- Preto
Cada faixa corresponde a uma função dentro da modalidade. Ao alcançar a azul-claro com ponta azul-escura, o praticante passa a ser considerado instrutor autorizado pela CBMT a dar aulas. Já na azul-escura com ponta preta, o nível passa a ser o de instrutor máster.
Professor, mestre e grão-mestre
Chegar à faixa preta muda o título do praticante, que passa a ser chamado de professor. Acima dela existem ainda os graus de mestre e grão-mestre, os mais altos da hierarquia brasileira, embora suas cores específicas não constem na descrição consultada.
Outras confederações, outras regras
O sistema da CBMT não é o único em vigor no país. Atualmente existem outras confederações de muay thai no Brasil com graduações próprias, entre elas a CMTB e a Confederação Brasileira de Muaythai Tradicional (CBMTT). Assim como a graduação organiza o avanço técnico no muay thai, outras modalidades de combate têm seus próprios marcos de carreira, como mostra a lista dos recordistas da história do UFC.
Por que existe um padrão de graduação
Para a CBMT, o objetivo do sistema é preservar a integridade da modalidade. A entidade sustenta que a graduação dá a instrutores, professores e mestres um padrão consistente para avaliar o desenvolvimento técnico dos alunos, do primeiro treino até os graus mais avançados.
Incentivo oficial no Rio de Janeiro
A CBMT mantém parcerias com a Secretaria de Esportes do Estado do Rio de Janeiro e com marcas privadas de suplementação e equipamentos esportivos. Uma das provas que reuniu esse apoio foi a Copa do Brasil de Muay Thai, disputada em 30 de abril de 2022 no Camp Grão Mestre Luiz Alves, no Rio de Janeiro, com disputa organizada por idade, peso e graduação, nas categorias masculina e feminina, além de medalhas, troféus e kits para os campeões.
Fabrício Repsold, subsecretário adjunto de Esportes do Rio de Janeiro, afirmou que a pasta reconhece a importância das artes marciais na formação de crianças e jovens. “A Secretaria de Esportes do Estado do Rio de Janeiro tem como missão dada pelo nosso governador Cláudio Castro ajudar a fomentar e desenvolver a prática esportiva independente da modalidade em todos os 92 municípios do nosso estado”, disse.
Um padrão internacional diferente, lançado em 2025
Enquanto o Brasil segue sua própria tabela de faixas desde 1979, a International Federation of Muaythai Associations (IFMA) lançou, em 2025, um novo padrão internacional de graduação batizado de One Standard Muaythai. A atualização foi implementada a partir de maio daquele ano por mais de 100 federações nacionais filiadas em mais de 150 países.
No sistema da IFMA, o avanço é medido em 15 níveis, chamados Khans. Do nono ao décimo quinto Khan, os praticantes recebem certificação oficial de instrutor reconhecida pela federação internacional.



