Antes de qualquer apito soar, a geometria do gramado já determinou boa parte do que vai acontecer na partida, da distância que um lateral precisa cobrir até o espaço que um goleiro tem para sair do gol e cortar um cruzamento. Segundo as Leis do Jogo do IFAB, órgão que regula as regras do futebol mundial, as medidas do campo de futebol podem variar entre 90 e 120 metros de comprimento e entre 45 e 90 metros de largura, uma faixa ampla que permite adaptar o gramado a diferentes estádios sem descumprir o regulamento. Quando a bola cruza a linha de fundo ou é disputada perto da marca do pênalti, é essa mesma régua que organiza cada decisão da arbitragem.
Para partidas internacionais, no entanto, a margem de manobra diminui bastante, já que o IFAB exige um comprimento entre 100 e 110 metros e uma largura entre 64 e 75 metros, reduzindo o leque de combinações possíveis. O gol, por sua vez, segue uma medida fixa em qualquer nível de competição, com 7,32 metros de largura interna por 2,44 metros de altura, enquanto as traves e o travessão não podem passar de 12 centímetros de largura. É essa moldura relativamente pequena, encaixada num campo que pode ter até 120 metros de extensão, que transforma cada finalização em um cálculo de ângulo e distância para o atacante.
As áreas também seguem uma lógica precisa, com medidas fixas definidas pelo IFAB. A grande área nasce de duas linhas traçadas a 16,5 metros de cada trave, em ângulo reto com a linha de fundo, enquanto a pequena área se estende por apenas 5,5 metros a partir de cada poste. A marca do pênalti fica fixada a 11 metros do ponto médio da linha de gol, e dali parte o arco da grande área, com raio de 9,15 metros, a mesma distância que separa os jogadores da bola no círculo central antes de qualquer saída. Já o arco de escanteio tem raio de apenas 1 metro, e todas essas linhas, do meio-campo até a lateral, precisam ter no máximo 12 centímetros de largura.
Dentro da faixa internacional permitida pelo IFAB, a Fifa adotou como padrão para a Copa do Mundo o gramado de medidas do campo de futebol de 105 por 68 metros, medida que a CBF também passou a exigir das Séries A e B do Brasileirão a partir de 2016, igualando o campo do futebol nacional ao da maior competição do planeta. Foi justamente esse número, 105 por 68, que serviu de referência quando os organizadores da Copa América de 2024 precisaram decidir o que fazer com estádios que não foram construídos para o futebol.
Nos Estados Unidos, onze dos quatorze estádios escolhidos para a Copa América de 2024 são sede de equipes da NFL, cujos campos medem 109,75 por 48,75 metros, dimensões pensadas para o futebol americano e não para o jogo sul-americano. Em vez de reconstruir essas estruturas, a Conmebol optou por reduzir o gramado ao mínimo permitido pela Fifa, fixando os campos em 100 por 64 metros, cinco metros mais curtos e quatro metros mais estreitos que o padrão usado na Copa do Mundo. A solução gerou campos mais estreitos do que o padrão da Copa do Mundo, e por isso virou alvo de reclamações de seleções durante o torneio. Oito desses mesmos estádios americanos, porém, já estão programados para ser redimensionados ao padrão Fifa de 105 por 68 metros a tempo da Copa do Mundo de 2026.
Diante das críticas sobre o comportamento da bola nos gramados mais curtos, a Conmebol defendeu a opção adotada na Copa América, afirmando que testes feitos antes e depois das partidas mostraram resultados satisfatórios. Frederico Nantes, diretor de competições e operações da entidade, resumiu a posição do organismo sobre a repercussão negativa das imagens dos estádios reduzidos: “Aesthetics can give the wrong perception”.



