Aos quatro minutos do segundo tempo do clássico contra o São Paulo, no Morumbis, em 2 de outubro, Arthur tentou acelerar numa jogada de contra-ataque e sentiu um incômodo na parte posterior da coxa direita, movimento que o fez buscar o banco de reservas antes mesmo de completar dez minutos em campo na etapa final. Ele deixou o jogo aos sete minutos do segundo tempo, substituído por Gabriel Menino, numa saída que já antecipava, para quem acompanhava de perto a beirada do campo, que o desconforto não era passageiro. O lance ocorreu durante a vitória santista por 2 a 1 sobre o rival paulista, resultado que reforçava a arrancada da equipe na tabela, mas que teve o sabor amargo de custar a presença do reforço recém-contratado justamente na fase em que o calendário do Brasileirão se tornaria mais apertado.
Exames realizados nos dias seguintes ao clássico, no CT Rei Pelé, confirmaram o que o corpo médico do Santos temia: lesão muscular grau 2 na musculatura posterior da coxa direita. Antes de deixar o campo, Arthur sinalizou ao banco que não conseguiria continuar, sendo substituído por Gabriel Menino aos sete minutos do segundo tempo. O clube estipulou o prazo mínimo de quatro semanas antes de qualquer nova avaliação do jogador.
O prazo mínimo de recuperação estipulado pelo clube é de quatro semanas, período que, cruzado com o calendário apertado da reta final do Brasileirão, deve custar ao meio-campista até seis partidas. Arthur é esperado como desfalque contra Flamengo, Atlético-MG, Fluminense, Bahia e Palmeiras, além do duelo com o Red Bull Bragantino, marcado para 2 de novembro, sequência que atravessa justamente o trecho em que o Santos mede forças com rivais diretos na tabela de classificação.
A lesão interrompe uma estreia que vinha sendo construída com cautela. Contratado junto à Juventus ao fim de agosto de 2026, com contrato até o final da temporada, Arthur havia disputado apenas seis partidas pelo Santos, com uma assistência registrada, quando o desconforto na coxa o tirou de cena justamente na reta decisiva do campeonato, segundo apuração feita por reportagem da CartaCapital sobre o tempo de recuperação de Arthur. Reforço recém-chegado, o meio-campista ainda não teve tempo de se firmar como peça regular antes de ser obrigado a cumprir um período inteiro fora dos gramados, o que adia para depois da última data Fifa de novembro a chance de a torcida avaliar seu rendimento em sequência. Os números resumem bem o tamanho da interrupção: seis partidas e uma assistência compõem toda a produção de Arthur pelo Santos até aqui, marca que ficará congelada por, no mínimo, um mês e meio de calendário.
O desfalque chega num momento sensível da campanha. Antes da 29ª rodada, o Santos ocupa a 8ª posição do Campeonato Brasileiro, com 41 pontos somados em 28 jogos, numa campanha de 11 vitórias, 8 empates e 9 derrotas. É nesse contexto que a equipe entra em campo nesta quinta-feira, 8 de outubro, às 19h30, na Vila Belmiro, para enfrentar o Flamengo pela 29ª rodada, primeiro compromisso da sequência em que Arthur será baixa. A sequência de jogos sem o meio-campista, iniciada justamente diante do Flamengo, atravessa adversários que também disputam posições relevantes na tabela, tornando cada resultado ainda mais decisivo para a campanha santista na reta final do Campeonato Brasileiro.
O retorno do meio-campista é esperado apenas para o jogo contra o Coritiba, em 18 de novembro, pela 35ª rodada, depois da última data Fifa do ano, conforme apuração do Lance sobre o diagnóstico da lesão de Arthur. Até lá, o Santos terá de administrar o meio-campo sem o jogador contratado para reforçar justamente a fase mais exigente do calendário, num momento em que discussões sobre salários e valores de mercado, como as tratadas nesta reportagem sobre quanto ganha um jogador de futebol no Brasil, ajudam a situar o peso de uma contratação como a de Arthur dentro do elenco.
Sobre o momento exato em que percebeu o problema, Arthur resumiu o que sentiu em campo: “Eu senti um pouquinho, como se fosse uma cãibra.”



