A troca que devolveria Kawhi Leonard ao Toronto Raptors, fechada verbalmente com o Los Angeles Clippers no dia 30 de junho, segue sem data para virar oficial. O motivo é uma investigação da NBA sobre um possível esquema de burla ao teto salarial envolvendo o dono dos Clippers, Steve Ballmer, o próprio Leonard e a empresa hoje falida Aspiration. Até a liga fechar o caso, Raptors e Clippers preferem não assinar os papéis.
O que está travado
O acordo verbal enviaria Leonard a Toronto em troca de Brandon Ingram, Gradey Dick, escolhas de primeira rodada sem proteção em 2031 e 2033, uma troca de posição de draft em 2027 e escolhas de segunda rodada em 2030 e 2033. O pacote é grande, coerente com o status de Leonard como um dos poucos jogadores capazes de decidir playoffs sozinho quando está saudável.
A NBA avisou os Raptors, dias antes do acerto, que a franquia canadense assumiria sozinha qualquer risco ligado ao desfecho da investigação caso completasse a troca agora, segundo comunicado divulgado pela própria liga. Isso inclui a possibilidade remota de suspensão ou até anulação de contrato para Leonard. Diante disso, Toronto optou por esperar o fim da apuração antes de formalizar qualquer coisa. Vale reforçar: não há troca oficializada até o momento, apenas um princípio de acordo em compasso de espera.
A origem do caso Aspiration
A investigação nasceu em setembro de 2025, depois que o jornalista Pablo Torre revelou, em uma série de podcasts, indícios de que Ballmer teria usado a Aspiration, uma fintech de serviços financeiros “verdes” que era patrocinadora dos Clippers e na qual o próprio dono do time havia investido, para pagar Leonard por fora do teto salarial. O contrato de patrocínio girava em torno de 28 milhões de dólares e é descrito por investigadores como um acordo sem contrapartida real de trabalho. A NBA contratou o escritório Wachtell, Lipton, Rosen & Katz para conduzir a apuração.
A Aspiration quebrou, e seu cofundador Joe Sanberg se declarou culpado de fraude eletrônica, com desvio estimado em cerca de 250 milhões de dólares de investidores; ele foi condenado a 14 anos de prisão em junho de 2026. Os Clippers negam qualquer irregularidade: em nota, a franquia afirmou que “não canalizou dinheiro para Kawhi Leonard através da Aspiration” e se descreveu como vítima de uma fraude iniciada por Sanberg. A previsão da própria NBA é de que o relatório final fique pronto nas próximas semanas, sem data exata divulgada.
Kawhi em quadra e o precedente de 1999
Enquanto o caso corre, Leonard segue como um dos melhores alas da liga: na temporada 2025-26 pelos Clippers, disputou 65 jogos e mediu 27,9 pontos, 6,4 rebotes e 3,6 assistências por partida, com 50,5% de aproveitamento nos arremessos de quadra. É produção de nível All-NBA, o que ajuda a explicar o tamanho do pacote de escolhas que Toronto está disposto a pagar por ele.
O histórico recente da liga serve de régua para medir o risco que os Clippers correm. O único precedente concreto de punição por burla ao teto salarial na NBA remonta a 1999, quando o Minnesota Timberwolves foi flagrado com um acordo paralelo para manter Joe Smith em contratos anuais abaixo do valor de mercado. A liga multou a franquia em 3,5 milhões de dólares (o teto da época), tirou cinco escolhas de primeira rodada do time e anulou o contrato de Smith; o dono Glen Taylor e o executivo Kevin McHale foram afastados por um período. É esse o pano de fundo histórico que ronda o caso Aspiration, ainda que a NBA não tenha sinalizado qual seria a punição neste episódio.
Até a conclusão do relatório, o cenário mais provável é a manutenção do impasse: nem Raptors nem Clippers têm incentivo para mexer no acordo antes de a liga dar um veredito. Quem quiser acompanhar os próximos desdobramentos do mercado de trocas da NBA pode conferir a reportagem sobre o terremoto que também levou Giannis Antetokounmpo ao Heat e seguir a cobertura completa na editoria de basquete.



