Quem acompanhou o fim de Wimbledon 2026 e caiu no Google digitando algo como “o que é a ATP Race to Turin” provavelmente esbarrou no termo num comentário sobre a briga por vaga no ATP Finals. A resposta é direta: trata-se do ranking paralelo que a ATP usa só para definir quem joga o torneio dos campeões, em Turim, e ele funciona de um jeito bem diferente do ranking oficial que todo mundo já conhece.
Enquanto o ranking normal soma os melhores resultados de um jogador ao longo de 52 semanas móveis, a Race zera no primeiro dia de janeiro e conta só o que cada tenista fizer naquele ano civil. Cada torneio distribui pontos conforme a fase alcançada, do mesmo jeito que no ranking geral por pontuação de torneio: título de Grand Slam vale 2.000 pontos, Masters 1000 vale até 1.000. Torneios ATP 500 rendem até 500 pontos ao campeão, e um ATP 250 vale até 250. A diferença para o ranking tradicional é que aqui não existe torneio “carregado” da temporada anterior. O que conta é resultado novo, disputado ano a ano, começando do zero para todo mundo em janeiro.
São 8 vagas em disputa. Os oito tenistas com mais pontos acumulados na Race ao fim da temporada garantem lugar na chave de simples do ATP Finals, que em 2026 acontece em Turim, na Itália, entre 15 e 22 de novembro. O formato do torneio também ajuda a explicar por que a posição na Race pesa tanto: são dois grupos de quatro jogadores em fase de liga, todos jogam entre si, e os dois melhores de cada chave avançam para as semifinais, com final única fechando a temporada.
Depois de Wimbledon, o topo dessa lista ficou bem mais nítido. Jannik Sinner lidera com folga, somando 7.950 pontos, seguido por Alexander Zverev, com 6.540. Os dois protagonizaram a decisão do Grand Slam londrino entre si, como contamos aqui, e abriram uma distância que os deixa praticamente blindados para carimbar a vaga em Turim. Para quem quer comparar o currículo dos dois em Slams historicamente, vale ver também esta comparação com Alcaraz.
A conta ajuda a dimensionar essa distância: entre o primeiro colocado, Sinner, e o oitavo, Alex de Minaur, com 2.070 pontos, há hoje 5.880 pontos de diferença, praticamente o equivalente a faturar dois Grand Slams inteiros. É esse fosso que separa o topo intocável da fila que segue brigando ponto a ponto pelas vagas remanescentes.
Do terceiro ao oitavo lugar a disputa segue bem mais equilibrada. Carlos Alcaraz aparece em terceiro, com 3.650 pontos, à frente de Flavio Cobolli (3.020), Daniil Medvedev (2.520), Novak Djokovic (2.310), Felix Auger-Aliassime (2.190) e do próprio De Minaur, na oitava posição. Ben Shelton respira no encalço do australiano: são apenas 40 pontos de diferença, margem que pode sumir num único Masters 1000 do segundo semestre.
Djokovic foi o nome que mais chamou atenção na atualização pós-Wimbledon. Ele estava fora do top 15 da Race antes do torneio e subiu para sexto depois de chegar à semifinal em Londres. O salto mostra como um resultado isolado ainda pode reorganizar boa parte da lista, mesmo faltando poucos meses para o fechamento da temporada. Para quem segue Djokovic há anos, a cena chama atenção: aos 39 anos, o sérvio segue competindo por vaga num torneio que já venceu diversas vezes, disputando ponto a ponto contra tenistas mais de uma década mais jovens.
Pela frente ainda vêm o circuito de quadra dura na América do Norte, o US Open e depois a temporada asiática, sequência que se estende até outubro, quando o grupo dos oito primeiros costuma se definir de vez. Até lá, cada rodada de Masters 1000 pesa tanto quanto um resultado de Slam para quem está fora da zona de classificação. A ATP atualiza a lista oficial após cada torneio na própria página da Race to Turin, fonte primária para acompanhar a corrida rodada a rodada.



