A pergunta volta sempre que o Ultimate anuncia uma nova disputa de cinturão: afinal, quantos brasileiros são campeões do UFC atualmente? Em julho de 2026, a contagem direta dá um único nome. Mackenzie Dern comanda o peso-palha feminino, enquanto as outras dez divisões de peso da organização estão nas mãos de lutadores de outros países. Alex Pereira, que havia reconquistado o cinturão dos meio-pesados no fim de 2025, não é mais campeão: vacou o título sem defendê-lo e ainda perdeu a chance de somar uma terceira coroa na carreira.
Alex Pereira, do bicampeonato ao tropeço no peso-pesado
Poatan reconquistou o título dos meio-pesados em 4 de outubro de 2025, no UFC 320, ao nocautear Magomed Ankalaev ainda no primeiro round. Foi revanche direta: o russo-daguestanês havia tirado o cinturão do brasileiro em março daquele ano, no UFC 313, encerrando um primeiro reinado que já tinha rendido a Pereira o status de campeão simultâneo em duas categorias, já que ele também foi dono do cinturão dos médios. A trajetória de Ankalaev como ex-campeão da categoria está detalhada em outra reportagem publicada aqui. Pereira, porém, nunca chegou a defender esse segundo reinado nos meio-pesados: preferiu vacar o cinturão para tentar o peso-pesado e mediu forças com Ciryl Gane pelo título interino da categoria, no UFC Freedom 250, em 14 de junho de 2026. O francês venceu por nocaute técnico ainda no segundo round, e o cinturão dos meio-pesados passou a um novo dono: Carlos Ulberg, da Nova Zelândia, que conquistou o título vago ao nocautear Jiří Procházka no UFC 327, em 11 de abril de 2026.
Mackenzie Dern e a quarta coroa feminina do país
No peso-palha, Mackenzie Dern venceu a compatriota Virna Jandiroba por decisão unânime no UFC 321, em Abu Dhabi, em 25 de outubro de 2025, e assumiu um cinturão que estava vago desde que a chinesa Zhang Weili preferiu migrar para o peso-mosca. Nascida em Phoenix, nos Estados Unidos, mas formada dentro do jiu-jítsu brasileiro desde criança, Dern carrega identidade esportiva e torcida ligadas ao Brasil, o que a torna, segundo levantamento da CNN Brasil, a quarta brasileira a erguer um cinturão do UFC, depois de Amanda Nunes, Cris Cyborg e Jéssica Andrade. A primeira defesa de título dela está marcada para 15 de agosto, contra Gillian Robertson, no UFC 330. Hoje, ela é a única brasileira, e o único brasileiro, com um cinturão de categoria de peso em mãos.
Um de onze cinturões, um recorte pequeno diante da história
Somando as divisões masculinas e femininas que hoje têm um nome confirmado no topo, o UFC opera com onze cinturões de peso ativos: oito entre os homens, do galo ao pesado, e três entre as mulheres, do palha ao galo. Nesse recorte, os brasileiros ocupam apenas um posto, uma fatia pequena diante da quantidade de vezes em que o país já colocou lutadores no topo de alguma categoria ao longo da história da organização. Nomes como Anderson Silva, Vitor Belfort, José Aldo, Junior Cigano, Fabrício Werdum, Amanda Nunes, Cris Cyborg e Jéssica Andrade já vestiram um cinturão do Ultimate em algum momento da carreira, ainda que hoje estejam fora da lista de campeões ativos, assim como o próprio Alex Pereira. Charles Oliveira também entra nessa conversa histórica, já que foi dono do cinturão leve entre 2021 e 2022 e hoje detém apenas o cinturão especial BMF, que não corresponde a uma categoria de peso. Um raio-x publicado pela 365Scores mostra que o pelotão de campeões de 2026 é dominado por lutadores do Daguestão, dos Estados Unidos e da Europa, cenário que ajuda a explicar por que o pico brasileiro do início dos anos 2010, quando o país chegou a ter campeões simultâneos nos médios, penas e meio-pesados, não se repete neste momento.
Um retrato específico do momento atual
O recuo não significa ausência de força. O elenco brasileiro no UFC segue extenso, com dezenas de nomes espalhados pelas categorias leve, pena e peso-pesado, área em que o país tenta reconstruir uma fila de candidatos ao título nos próximos eventos. Por enquanto, porém, a disputa direta pelos cinturões segue restrita a Dern, prestes a enfrentar sua primeira prova de fogo como campeã em agosto, contra Gillian Robertson. Até lá, o Brasil soma exatamente um título entre os onze que o UFC distribui hoje.



