Neste domingo, 27 de setembro, Henrique Avancini enfrenta 273,7 quilômetros de percurso e 3.803 metros de ganho de elevação na prova de estrada elite masculina do Mundial de Ciclismo, disputada em Montreal, no Canadá. A largada acontece em Brossard, subúrbio ao sul da cidade, e o pelotão soma doze voltas no circuito final de Mont Royal antes de cruzar a linha de chegada.
A etapa de hoje reúne, em um único dia, a estreia de Avancini na prova de estrada e o retorno do Mundial ao Canadá depois de mais de cinco décadas. É a primeira vez do brasileiro nessa distância em um Campeonato Mundial de ciclismo de estrada; aos 36 anos, ele chega ao Canadá depois de construir toda a trajetória internacional em outra modalidade, o mountain bike.
Mont Royal, o desenho da prova
Cada uma das doze voltas do circuito final soma 13,4 quilômetros e 269 metros de subida. As rampas da Voie Camillien-Houde e da Chemin de la Polytechnique passam de 11% de inclinação em alguns trechos, repetidas até a chegada, marcada na Avenue du Parc.
Uma segunda carreira aos 36 anos
Depois de um ano sabático em 2024, Avancini migrou para o ciclismo de estrada em 2025, já aos 36 anos de idade. “Já tenho meus 36 anos e talvez ninguém tenha debutado na modalidade tão velho. É um grande desafio”, afirmou o brasileiro ao Lance!.
“Voltei a me sentir como um júnior, é desafiador, principalmente para a mente, mas tem sido um momento de muito crescimento e aprendizado”, completou o ciclista, sobre a adaptação ao pelotão de estrada.
O que o contrarrelógio já mostrou
No contrarrelógio individual, disputado em 20 de setembro, sete dias antes da prova de estrada, Avancini teve sua primeira participação em um Mundial de estrada e terminou em 39º lugar. Os números mostram a distância que ainda separa o estreante do topo do pelotão nessa modalidade:
- Henrique Avancini: 39º lugar, com tempo de 49min22s18
- Remco Evenepoel, campeão: 44min53s13
- Diferença entre os dois: 4min29s05
Evenepoel confirmou assim o tetracampeonato mundial consecutivo contra o relógio, resultado que a delegação brasileira acompanhou de perto no contrarrelógio que antecedeu a estreia de Avancini na prova de estrada.
Passado o contrarrelógio, a atenção agora se volta para a prova de estrada.
Montreal, palco histórico
A UCI (Union Cycliste Internationale) descreve o Mundial de Montreal 2026 como o maior evento esportivo da cidade desde os Jogos Olímpicos de Verão de 1976, reunindo cerca de 1.000 ciclistas em 13 provas ao longo da semana de competições. A edição marca o retorno do campeonato ao Canadá 52 anos depois de 1974, quando a cidade sediou a primeira edição do Mundial de estrada realizada fora da Europa.
O país só voltou a receber a prova em 2003, na cidade de Hamilton, 29 anos depois da edição de Montreal. Passaram-se 23 anos entre aquela etapa e o retorno do Mundial a solo canadense em 2026. Isso faz de 2026 a terceira vez do Canadá como sede do Mundial de estrada e a segunda de Montreal.
Cinco brasileiros em Montreal
O Brasil leva cinco atletas à cidade canadense, três homens e duas mulheres, distribuídos em quatro categorias do Mundial. Henrique Avancini disputa a elite masculina, Tota Magalhães está na elite feminina, Henrique Bravo compete no sub-23 masculino, Bruno Octávio da Silva integra o júnior masculino e Maitê Coelho da Silva fecha a lista no júnior feminino.
A mesma lógica de números decisivos guiou outro levantamento da editoria Análise & Dados, que mostrou como a Copa de 2026 fechou as quartas com a maior média de gols desde 1970, em outro recorte estatístico do calendário esportivo.
Da trilha para o asfalto
Antes de migrar para o asfalto, Avancini somou 12 temporadas como profissional de mountain bike. Ele encerrou essa fase como bicampeão mundial de MTB Marathon, título conquistado pela segunda vez em 2023.



