Quantos títulos o Brasil tem na Liga das Nações de vôlei feminino, a VNL? A resposta incomoda quem segue a seleção de perto: nenhum. Desde que o torneio nasceu em 2018, sucedendo o extinto Grand Prix, a equipe brasileira já chegou a quatro finais e perdeu todas. O dado ganha peso justamente agora, com a fase final da VNL 2026 em andamento em Macau, na China, e o Brasil vivo na briga por sua primeira taça no formato.
As quatro decisões perdidas somam um enredo repetitivo. Em 2019, em Nanquim, os Estados Unidos levaram a melhor por 3 sets a 2. Em 2021, já em Rimini, foram novamente os americanos, dessa vez por 3 a 1. Em 2022, na Turquia, a Itália bateu o Brasil por 3 sets a 0, um placar seco. E em 2025, na Polônia, na decisão mais recente, a seleção italiana confirmou o troféu ao superar as brasileiras por 3 a 1. Quatro tentativas, quatro medalhas de prata, zero ouro.
O contraste com o passado é o que torna a estatística curiosa. Antes de 2018, quando a competição se chamava Grand Prix, o Brasil foi soberano: são 12 conquistas somadas entre 1994 e 2017, um domínio que nenhuma outra seleção chegou perto de igualar naquele formato. A mudança de nome e de estrutura, com mais equipes e uma fase final concentrada em uma única sede, coincidiu com uma virada completa de sorte. A seleção que vencia quase todo ano passou a ser sinônimo de vice-campeã.
Quem assumiu a ponta nesse período foi outro lado. Estados Unidos e Itália dividem hoje o posto de maiores campeãs da VNL feminino, com três títulos cada. Os americanos venceram em 2018, 2019 e 2021, período em que a competição ainda buscava rodagem. Já as italianas embalaram uma sequência mais recente, com taças em 2022, 2024 e 2025, incluindo justamente a vitória sobre o Brasil na última decisão. A Turquia aparece como a terceira força, com o título conquistado em 2023, em Arlington, nos Estados Unidos, quando bateu a China na final.
Esse retrospecto explica por que a campanha atual, em Macau, tem um gostinho especial para o torcedor brasileiro. Depois de terminar a fase de classificação em terceiro lugar geral, com 9 vitórias e 3 derrotas, atrás apenas dos Estados Unidos (10 vitórias e 2 derrotas), a seleção garantiu vaga direta nas quartas de final. Na sequência, fechou a conta contra o Japão por 3 sets a 1, com parciais de 24/26, 25/22, 25/16 e 25/20, em atuação puxada pelos 30 pontos de Ana Cristina e os 24 de Julia Bergmann. Com o resultado, a equipe avançou à semifinal, marcada para o dia 25 de julho, justamente contra a atual campeã Itália, algoz do Brasil na última final.
Vencer a Itália pela primeira vez numa decisão direta de VNL seria, além de simbólico, uma virada de página literal. As brasileiras já perderam duas finais justamente para as italianas, em 2022 e 2025, e um confronto direto na semifinal deste ano funciona quase como uma repescagem emocional antes mesmo de a decisão acontecer. Para quem quer acompanhar como ficou o restante do chaveamento e quais seleções ainda seguem vivas na disputa pelo título, vale conferir o chaveamento da VNL 2026 feminino, atualizado com os cruzamentos das quartas e da semifinal.
A lista de campeãs confirma o recorte: em sete edições disputadas desde 2018 (a de 2020 foi cancelada por causa da pandemia), apenas três seleções ergueram o troféu, e o Brasil não está entre elas. A cobertura sobre a vitória sobre o Japão também confirma a campanha brasileira até a briga pelas quartas em Macau, assim como o retrospecto recente entre as duas seleções.
Se a seleção vencer a Itália neste sábado e avançar à decisão, terá pela frente uma quinta chance de destravar o primeiro troféu da era VNL. Até lá, o número que resume a história do Brasil na competição segue sendo o mesmo desde a estreia em 2018: zero.



