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Como funciona o Draft da NBA? Entenda as regras

Veja como funciona o Draft da NBA: elegibilidade, loteria, as duas rodadas e o que acontece com quem não é escolhido.

por Beatriz Rocha 19 de julho de 2026 4 min de leitura
Jogadores em ação durante partida da NBA em quadra

Foto: Michael Barera, CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons

Como funciona o Draft da NBA? A pergunta volta a aparecer nas buscas todo mês de junho, quando o torneio de escolhas define o futuro dos calouros da temporada seguinte e reorganiza o equilíbrio competitivo da liga. O mecanismo combina sorte, mérito esportivo e planejamento de longo prazo, com regras que mudaram bastante desde a criação da loteria, em 1985.

Quem pode entrar no draft

Para ser elegível, um jogador precisa completar 19 anos no ano civil do draft e estar pelo menos uma temporada afastado da conclusão do ensino médio, caso não seja considerado jogador internacional. Na prática, isso deu origem à rota mais comum entre os americanos: cursar um ano de faculdade, o chamado “one-and-done”, antes de se declarar. Quem prefere fugir da NCAA pode seguir carreira em ligas profissionais fora dos Estados Unidos ou passar pela G League, a liga de desenvolvimento da NBA, que aceita atletas a partir dos 18 anos.

A loteria e as chances que não são garantia

As quatro primeiras escolhas do draft saem de um sorteio que envolve as 14 equipes que não avançaram aos playoffs. Catorze bolinhas numeradas de 1 a 14 são misturadas numa máquina e quatro delas, sorteadas em sequência, formam uma combinação entre as mil distribuídas previamente às franquias. As três equipes com as piores campanhas da temporada regular têm hoje uma chance idêntica de 14% de sair com a primeira escolha, a maior fatia entre todas. Os times seguintes recebem probabilidades decrescentes, até a última posição do sorteio, com apenas 0,5% de chance. Ainda assim, nada é garantido: mais de uma vez equipes fora do topo do ranking de piores times levaram o pick 1. Da quinta à décima quarta posição, a ordem segue simplesmente o inverso da tabela entre os times que ficaram fora dos playoffs.

O draft de 2026, realizado em 23 e 24 de junho, ilustrou bem essa lógica. O Washington Wizards entrou no sorteio como uma das três equipes com a maior chance de vencer, ao lado de Indiana Pacers e Brooklyn Nets, e converteu a oportunidade escolhendo o ala AJ Dybantsa, ex-BYU, com a primeira escolha geral. Foi a primeira vez que os Wizards ficaram com o pick 1 desde 2010, quando escolheram o armador John Wall: um intervalo de 16 anos entre as duas ocasiões, segundo o histórico de primeiras escolhas por franquia.

Duas rodadas, 60 escolhas e muita troca

Depois da loteria, o draft segue em duas rodadas de 30 escolhas cada, uma para cada franquia da liga, totalizando até 60 nomes anunciados. Nem sempre esse número é atingido: picks de segunda rodada podem ser perdidos como punição por violações de regras de agência livre. Em 2026 isso não aconteceu, e a edição teve as 60 escolhas completas pela primeira vez desde 2021. As escolhas também circulam bastante entre as equipes antes da noite do draft. É comum um time trocar o pick do ano seguinte, ou de anos futuros, por um jogador pronto para competir, e a edição de 2026 teve diversas trocas encadeadas envolvendo três ou mais franquias na mesma escolha.

O que acontece com quem não é escolhido

Passar pelas 60 escolhas sem ouvir o próprio nome não encerra a carreira de um jogador. Times costumam correr atrás desses atletas logo depois do apito final, oferecendo contratos de pré-temporada conhecidos como Exhibit 10, de valor mínimo e sem garantia, ou vagas em contratos two-way, que permitem dividir o ano entre o elenco principal e o time da G League afiliado. Quem se destaca na pré-temporada ou na Summer League pode converter esse vínculo em contrato padrão da liga antes mesmo de a temporada regular começar.

Ligação com o resto do calendário

O draft não é um evento isolado no calendário da NBA. Os calouros escolhidos em junho normalmente estreiam competindo pela primeira vez na Summer League, ainda no mesmo verão, antes de disputar vaga no elenco que abre a temporada regular. Os contratos de novato, aliás, entram direto na conta do teto salarial de cada franquia, com valores pré-definidos conforme a posição em que o jogador foi escolhido. Para quem quer acompanhar quando a nova safra estreia de fato, vale conferir o guia sobre o início da temporada 2026-27.

O próprio site oficial da liga detalha o funcionamento da loteria, com critérios de probabilidade que passaram por reforma em 2019 justamente para reduzir o incentivo a perder jogos de propósito. Já a escolha de Dybantsa pelos Wizards, confirmada pela própria NBA.com, mostra como uma campanha ruim aumenta a chance de reconstrução rápida, sem eliminar o fator sorte que dá nome ao sorteio.

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Sobre o autor

Beatriz Rocha

Repórter de esportes com passagem por coberturas de futebol, vôlei e Olimpíadas. Escreve sobre os bastidores e a cultura das modalidades.

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