Em 20 de junho de 2026, o UFC apagou o painel de jornalistas que definia, semana após semana, quem eram os melhores lutadores do planeta deu lugar ao Meta UFC Rankings, um modelo matemático construído em parceria com a Meta e baseado no sistema Elo. A troca não aconteceu no vácuo, mas em cima de um dos capítulos mais disputados da história recente do ranking peso-por-peso, o cabo de guerra entre Islam Makhachev e Ilia Topuria pelo topo da lista, que serve como fio condutor para entender o que mudou e o que permaneceu.
Até então, cerca de 21 veículos de mídia especializada, entre eles MMA Weekly, Fight Network e o Wrestling Observer, formavam o colegiado que votava toda semana nas dez divisões de peso e no ranking geral peso-por-peso, sempre que houvesse lutadores em status ativo dentro da organização. Campeões e campeões interinos ficavam de fora da disputa por posições dentro da própria categoria, mas continuavam elegíveis ao peso-por-peso, o que explica por que um mesmo atleta podia aparecer simultaneamente em mais de uma divisão. Nesse desenho antigo, segundo o Lance!, critérios como popularidade, número de defesas de cinturão e prestígio da categoria em que o lutador competia pesavam na hora de definir posições, ao lado do desempenho dentro do octógono.
Foi dentro desse sistema, ainda regido pelo voto humano, que Makhachev e Topuria travaram uma nova troca de liderança no peso-por-peso. Makhachev havia reinado no topo por mais de 600 dias consecutivos, de novembro de 2023 a julho de 2025, até que Topuria o destronou ao nocautear Charles Oliveira no UFC 317. A resposta veio em novembro, quando Makhachev bateu Jack Della Maddalena no UFC 322, retomou o posto e se tornou o 11º lutador da história do UFC a conquistar cinturões em duas divisões diferentes, igualando de quebra o recorde de Anderson Silva de dezesseis vitórias consecutivas na organização.
O Meta UFC Rankings herda a estrutura de dez categorias por peso mais o geral peso-por-peso, mas troca o voto por uma equação que pondera a qualidade do adversário enfrentado, o método usado para vencer a luta e a proximidade temporal do confronto, aplicando penalidades a quem passa longos períodos afastado do octógono. O UFC fez questão de descrever o modelo como algo distinto de inteligência artificial: um modelo matemático, não determinado por IA ou chatbot, guiado inteiramente por dados de luta e não por opinião, segundo a organização. Nas divisões individuais, uma regra segue valendo mesmo no novo sistema: quando um lutador vence o adversário mais bem ranqueado à sua frente, assume automaticamente a posição dele.
O retrato mais recente das divisões mostra Makhachev na liderança do peso-por-peso masculino, seguido por Topuria, Khamzat Chimaev, Alexander Volkanovski, Alex “Poatan” Pereira, Petr Yan, Tom Aspinall, Merab Dvalishvili, Alexandre Pantoja e Van. Pereira, aliás, já havia chegado à segunda posição do peso-por-peso ao ultrapassar Jon Jones, uma das colocações mais altas já registradas por um brasileiro na lista. No lado feminino, Valentina Shevchenko segue na liderança, com retrospecto de 26 vitórias, 4 derrotas e 1 empate somado ao longo da carreira no UFC.
A motivação por trás da virada foi resumida pelo próprio presidente da organização. “I’ve been unhappy with the rankings and always believed there had to be a better way. We’ve always been a company that runs toward technology and innovation and now we’ve worked with Meta to integrate it directly into our rankings system”, disse Dana White ao anunciar a parceria.



