O apito final que confirmou a classificação do Internacional, na noite da última quinta-feira, fechou a lista dos oito times que vão disputar as quartas de final da Copa do Brasil, uma fase que reúne agora Atlético-MG, Santos, Cruzeiro, Grêmio, Palmeiras, Vasco, Vitória e Internacional, todos já garantidos na etapa que antecede diretamente as semifinais do torneio nacional. Na terça-feira (11), às 11h, a CBF realiza, na sede da entidade, no Rio de Janeiro, o sorteio que vai definir quais desses oito clubes se enfrentam logo na sequência, decidindo também o caminho que cada um deles vai percorrer até a decisão. É dali, do salão de sorteios da confederação, que devem sair os cruzamentos capazes de colocar frente a frente clubes da mesma cidade ou até do mesmo estado, uma possibilidade que só existe porque a competição abandonou, nesta edição, o sistema de potes que costumava blindar os principais cabeças de chave nas fases anteriores. Depois de meses de jogos eliminatórios que reduziram o número de participantes a cada rodada, restam apenas esses oito nomes, e nenhum deles sabe, até a manhã de terça-feira, contra quem vai jogar.
Sem pote e sem qualquer restrição de confronto, o sorteio de terça-feira pode reunir, logo nas quartas, os mineiros do Atlético-MG e do Cruzeiro, sem que exista trava regulamentar capaz de impedir esse clássico antecipado. A CBF confirmou que o mesmo sorteio também vai definir os mandos de campo dos jogos de ida e volta de cada confronto, além de traçar o chaveamento completo até a decisão, o que inclui as semifinais e a final da competição. As partidas de ida das quartas estão marcadas para os dias 26 e 27 de agosto, e as de volta, para 2 e 3 de setembro, de modo que o sorteio de terça já organiza, dentro desse calendário, quem manda cada um dos jogos. Isso significa que, a partir de terça-feira, cada um dos oito clubes classificados vai conhecer não apenas o adversário imediato das quartas, mas o caminho inteiro até a decisão, caso consiga avançar rodada após rodada.
Cada um dos oito classificados já garante, somente por ter chegado a essa fase da competição, R$ 4 milhões em premiação paga pela CBF, valor que se soma ao que os clubes já haviam recebido nas fases anteriores. Entre os oito, o Cruzeiro chega como o maior campeão da história da Copa do Brasil, com seis títulos conquistados em 1993, 1996, 2000, 2003, 2017 e 2018. O Grêmio, com cinco taças, divide a segunda colocação do ranking histórico da competição com o Flamengo, enquanto o Palmeiras, com quatro conquistas, ocupa isoladamente a quarta posição da lista. Já o Atlético-MG, dono de dois títulos de Copa do Brasil, aparece isolado na sexta colocação entre os campeões, atrás de clubes com trajetória mais numerosa no torneio.
O caminho até aqui não foi uniforme para os classificados. O Santos avançou com vitória por 1 a 0 sobre o Remo, gol marcado por Rony, enquanto o Palmeiras se garantiu nas quartas mesmo perdendo por 3 a 2 para o Fortaleza no jogo de volta, resultado insuficiente para reverter a vantagem construída no confronto de ida. O Vasco, por sua vez, goleou o Fluminense por 3 a 1 e carimbou a vaga sem sustos.
A classificação mais dramática, porém, ficou por conta do Internacional, último time a confirmar presença nas quartas, em 6 de agosto: mesmo perdendo o jogo de volta por 2 a 1 para o Corinthians, o time gaúcho avançou por 3 a 2 no placar agregado. A eliminação tirou o Corinthians da disputa e motivou reclamação pública do técnico Fernando Diniz sobre a atuação da arbitragem, um desconforto que remete às discussões recentes sobre o uso do FVS, o desafio de vídeo dos técnicos no futebol, ferramenta pensada justamente para reduzir esse tipo de polêmica dentro de campo.
Fora de campo, a CBF também confirmou uma mudança na decisão do torneio: pela primeira vez, a final da Copa do Brasil será disputada em jogo único, em 6 de dezembro, substituindo o formato de ida e volta usado nas edições anteriores. A mudança altera o calendário dos clubes que chegarem à decisão e reduz a um único confronto a definição do campeão de 2026.
Para Diniz, o lance que tirou o Corinthians da Copa do Brasil resume a insatisfação do técnico com as arbitragens dos dois jogos do confronto. “No Beira-Rio, foi pênalti claro no Bidu e não deram. Agora, foi claríssima falta no Kaio César e quatro segundos depois o Inter fez o gol”, disse o treinador.



