A Espanha é bicampeã mundial. Na noite deste domingo (19/07), a seleção espanhola derrotou a Argentina por 1 a 0, na prorrogação, e ergueu pela segunda vez a taça da Copa do Mundo, 16 anos depois do título de 2010. O gol solitário saiu aos 106 minutos, com Ferran Torres, no MetLife Stadium, em East Rutherford, Nova Jersey, diante de 80.663 torcedores.
O jogo terminou empatado sem gols no tempo normal. Já na segunda metade da prorrogação, Pedro Porro cruzou da direita, Nico Williams subiu mais alto que a marcação argentina e cabeceou para trás, e Torres, que havia entrado aos 62 minutos do jogo, na vaga de Mikel Oyarzabal, só empurrou para o gol. Foi o primeiro gol do atacante do Barcelona no torneio, aos 39 segundos da etapa final da prorrogação.
Antes disso, a Argentina já vinha sofrendo. Enzo Fernández recebeu o segundo cartão amarelo aos 90+3 minutos, por uma entrada dura em Pau Cubarsí, e deixou os argentinos com um a menos justamente na reta final do tempo normal. Mesmo em vantagem numérica, a Espanha precisou da prorrogação para furar um adversário que se fechou atrás de Emiliano Martínez, autor de uma sucessão de defesas difíceis.
“O destino estava escrito”, disse Ferran Torres aos repórteres após a partida, sobre o gol do título. O atacante, que havia sido alvo de críticas ao longo da competição, dividiu o mérito com a torcida.
Luis de la Fuente, treinador que já havia levado a Espanha ao título da Eurocopa de 2024, minimizou o sufoco no fim. Segundo o técnico, o jogo deveria ter sido resolvido antes, mas as defesas de Martínez seguraram o resultado; ele lembrou que finais de Copa se ganham sofrendo, inclusive contra dez jogadores, e que o grupo estava preparado para isso.
A campanha espanhola também entrou para a história pelo lado defensivo. A equipe de De la Fuente sofreu apenas um gol em oito jogos disputados na Copa de 2026, cedido diante da Bélgica nas quartas de final. É a marca mais baixa já registrada por um campeão mundial, superando o recorde anterior de dois gols sofridos, que pertencia a três seleções: a própria Espanha de 2010, com Iker Casillas no gol, a Itália de 2006, com Gianluigi Buffon, e a França de 1998, de Fabien Barthez. O goleiro Unai Simón, inclusive, chegou a ficar 650 minutos seguidos sem ser vazado no torneio, também um recorde da competição.
A decisão deste domingo marcou apenas o segundo confronto da história entre espanhóis e argentinos em Copas do Mundo. O primeiro havia sido 60 anos antes, na fase de grupos do Mundial de 1966, na Inglaterra: a Argentina venceu por 2 a 1, em partida disputada em Villa Park, com dois gols de Luis Artime e um de Pirri para os espanhóis. A final entre bicampeã e tetracampeã em busca do penta já havia sido tratada como um duelo raro entre gerações, e agora terminou com a vitória do lado europeu.
A premiação individual do torneio também ficou definida com a decisão. Rodri, volante do Manchester City, faturou a Bola de Ouro como melhor jogador da Copa, enquanto Unai Simón levou a Luva de Ouro de melhor goleiro e Pau Cubarsí, zagueiro de 19 anos, foi eleito o melhor jovem do torneio. A Chuteira de Ouro de artilheiro ficou com o francês Kylian Mbappé, que fechou a campanha com 10 gols e se tornou bicampeão isolado da artilharia, repetindo o feito de 2022. Mbappé já havia selado o recorde histórico de artilheiro das Copas do Mundo na disputa de bronze de sábado, vencida pela Inglaterra por 6 a 4 sobre a França.
Com o resultado deste domingo, a Espanha entra para o grupo restrito de seleções com mais de um título mundial, ao lado de nomes como Brasil, Alemanha, Itália, Argentina, Uruguai e França. O torneio nos Estados Unidos, Canadá e México também entrou para a história por ser a primeira edição disputada com 48 seleções, formato ampliado que elevou o número de jogos e, segundo a organização, também bateu recordes de público ao longo de toda a competição.
O árbitro da decisão foi o esloveno Slavko Vinčić, auxiliado por seus compatriotas Tomaž Klančnik e Andraž Kovačič. Mais informações e a íntegra da súmula da partida estão disponíveis no relatório oficial da FIFA sobre a final.



