A bandeira quadriculada ainda não caiu para a edição de 2026 do Grande Prêmio da Itália, marcada para o fim de semana de 4 a 6 de setembro como a 13ª etapa da temporada, mas o número que mais importa em Monza já está escrito há um ano: 1:18.792, a volta mais rápida da história da Fórmula 1, cravada por Max Verstappen em 6 de setembro de 2025. O holandês completou aquele giro classificatório a uma velocidade média de 264,681 km/h ao volante da Red Bull RB21, superando a marca anterior de 1:18.887 que pertencia a Lewis Hamilton desde 2020, quando o inglês fez a pole pela Mercedes no mesmo traçado.
O contexto explica por que o recorde nasceu justamente ali. Inaugurada em 1922 como o terceiro autódromo construído no mundo, atrás apenas de Brooklands, no Reino Unido, e Indianápolis, nos Estados Unidos, Monza recebeu o GP da Itália em praticamente todas as temporadas da Fórmula 1 desde 1950, com uma única exceção. O circuito tem 5,793 km de extensão e a prova de 2026 volta a cobrir 53 voltas, totalizando 306,72 km, sobre um traçado em que os carros correm em aceleração máxima por cerca de 80% de cada giro, o que rendeu a Monza o apelido de “Templo da Velocidade”.
A pole que também bateu Vettel
A volta recorde não foi apenas rápida, foi decisiva: Verstappen cravou a pole position por apenas 0,077 segundo sobre Lando Norris, sua primeira desde Silverstone, em julho daquele ano. Foi também a 46ª pole da Red Bull na Fórmula 1, número que superou a marca que a equipe tinha com Sebastian Vettel. Ao cruzar a linha, o próprio piloto pareceu surpreso com o que havia acabado de fazer. “Honestly I didn’t even think about it when I crossed the line, but it’s cool”, disse Verstappen, segundo relato da imprensa especializada.
O ex-piloto Nico Rosberg, hoje comentarista, resumiu a sensação de quem acompanhava a sessão de fora do carro. “It’s unbelievable what he manages to do. I don’t think the car was up to pole, but he made magic in the decisive moment, under pressure, with a perfect lap”, afirmou o alemão, campeão mundial em 2016. A declaração captura algo que os números por si só não mostram: mesmo pilotos acostumados ao mais alto nível da categoria trataram aquela volta como fora do curso normal das coisas.
O fim de semana não terminou na classificação. No domingo, Verstappen venceu a corrida com cerca de 19 segundos de vantagem sobre a dupla da McLaren, Lando Norris e Oscar Piastri, que protagonizaram uma troca de posições por ordens de equipe ao longo da prova. O holandês chegou a perder a liderança na segunda volta, depois de cortar uma curva e ser obrigado a devolver a posição a Norris, mas retomou a ponta na volta 4 e não foi mais ameaçado. Foi a terceira vitória da carreira de Verstappen em Monza e a primeira “pole to flag” no circuito desde a de Charles Leclerc, em 2019.
O mesmo fim de semana produziu ainda outro capítulo histórico, dessa vez sobre a distância completa da corrida: a vitória de Verstappen naquele domingo também se tornou o Grande Prêmio mais rápido já disputado na Fórmula 1, com velocidade média de 250,706 km/h, superando por quase um minuto ao longo da prova o recorde que Michael Schumacher havia estabelecido em Monza em 2003, com 247,585 km/h. A marca de Schumacher resistiu por 22 anos antes de cair, o que reforça o estatuto de Monza como o circuito mais rápido da Fórmula 1 em duas eras distintas da categoria.
É esse acervo de números que a Fórmula 1 leva para a edição de 2026 do GP da Itália.



