Sob o sol de fim de tarde na costa holandesa, em 31 de agosto de 2025, Oscar Piastri cruzou a linha de chegada do Circuito de Zandvoort à frente de toda a Fórmula 1, fechando a mais recente edição do Grande Prêmio da Holanda em 1h38min29,849s ao volante da McLaren. Max Verstappen, o piloto local que havia dominado o traçado nas temporadas anteriores diante da própria torcida, terminou em segundo lugar, a 1,271 segundo do vencedor, enquanto Isack Hadjar fechou o pódio a 3,233 segundos de Piastri. A vitória do piloto australiano interrompeu, pelo menos naquela temporada, o protagonismo que o holandês vinha construindo nas dunas de Zandvoort desde que o circuito retornou ao calendário da categoria. Esse resultado, somado à história recente do traçado litorâneo, reacendeu a curiosidade sobre quem, afinal, já ergueu o troféu do GP da Holanda desde que a pista voltou a receber a Fórmula 1. A lista, ainda que curta em número de edições, concentra nomes que marcaram a era moderna da categoria.
Zandvoort é descrito pela própria Fórmula 1 como um dos circuitos mais peculiares do calendário atual, com um traçado estreito de 4,259 km que, na edição de 2025, foi percorrido em 72 voltas, totalizando 306,587 km de corrida. O desenho da pista combina curvas bancadas, mudanças bruscas de elevação e trechos apertados entre dunas de areia, com curvas históricas como a Tarzan e a Hugenholtzbocht, que se tornaram símbolos do traçado ao longo das décadas. Essa configuração deixa poucas oportunidades reais de ultrapassagem durante a corrida, o que torna a sessão de classificação de sábado praticamente decisiva para o resultado de domingo.
Antes de Piastri, quem mandava no traçado era o próprio Verstappen, piloto da Red Bull cujo histórico de títulos conquistados na Fórmula 1 é detalhado à parte: ele venceu as três primeiras edições do retorno do circuito, em 2021, 2022 e 2023. Em 2023, a vitória em casa também teve um significado maior dentro da temporada, já que Verstappen chegou à nona vitória consecutiva no campeonato, igualando um recorde que até então pertencia a Sebastian Vettel, segundo cobertura da ESPN Brasil sobre a corrida, embora essa marca diga respeito às vitórias seguidas ao longo daquele campeonato, e não a triunfos exclusivos no traçado de Zandvoort. A sequência holandesa dentro do próprio circuito, no entanto, foi encerrada em 2024, quando Lando Norris venceu pela McLaren com uma margem de 22,896 segundos sobre o piloto da Red Bull. Foi a primeira vez, desde o retorno da pista ao calendário em 2021, que um piloto diferente de Verstappen chegou ao topo do pódio em solo holandês, encerrando um ciclo de três anos seguidos de domínio local.
O retorno de Zandvoort ao calendário da Fórmula 1, em 2021, encerrou um hiato de 35 anos sem receber a categoria, período que se estendeu de 1985 até aquela temporada. A primeira corrida da história do circuito, disputada em 1952, foi vencida por Alberto Ascari, em um 1-2-3 completo da Ferrari que marcou a estreia holandesa na Fórmula 1. Entre aquela corrida inaugural e o retorno recente, o traçado litorâneo passou décadas fora do calendário da categoria, até voltar a figurar entre as etapas mais aguardadas da temporada moderna. Essa longa interrupção ajuda a explicar por que a lista de vencedores no formato atual do circuito ainda é relativamente curta, mesmo que o traçado acumule história desde os anos 1950.
A próxima edição do GP da Holanda em Zandvoort está marcada para o fim de semana de 21 a 23 de agosto de 2026, segundo o calendário divulgado pelo F1Mania, com a corrida principal no domingo, dia 23, e largada prevista para as 10h no horário de Brasília. A etapa marca o retorno da Fórmula 1 após a pausa de verão europeia, funcionando como a primeira corrida da segunda metade da temporada e reacendendo a expectativa sobre quem vai suceder Piastri na lista de vencedores do traçado litorâneo. Para os pilotos, o fim de semana volta a colocar à prova a capacidade de extrair o máximo de um circuito onde ultrapassar é raro e onde a classificação de sábado tende a definir boa parte do resultado de domingo.
Ao vencer em Zandvoort em 2024, Norris reconheceu que a corrida não havia sido perfeita, mas destacou o desempenho do carro depois da largada, um relato que ilustra bem o tipo de disputa que o traçado holandês costuma proporcionar. Nas palavras do próprio piloto britânico, publicadas pelo site oficial da Fórmula 1: “It feels amazing once again. I wouldn’t say a perfect race, because of Lap 1 again, but afterwards the pace was very strong – the car was unbelievable today.”



