Quando o árbitro encerrou a partida na noite de quarta-feira, 14 de outubro, no Maracanã, o placar de 2 a 1 a favor do Palmeiras havia feito mais do que abrir vantagem na semifinal da Libertadores: havia prolongado uma história em que o clube paulista simplesmente nunca perdeu para o Fluminense em confrontos eliminatórios. Diante de uma torcida que empurrou o time carioca até os minutos finais, o Palmeiras construiu o resultado que o deixa em vantagem antes da decisão da vaga na final, marcada para a semana de 22 de outubro, na Arena Nubank Parque, em São Paulo.
Os gols da vitória alviverde saíram dos pés de José López e Marlon Freitas, enquanto Wesley descontou para o Fluminense já nos acréscimos, um gol que reanimou o Maracanã mas chegou tarde demais para reverter o placar daquela noite. O resultado deixa o Palmeiras numa posição que, historicamente, o time soube administrar bem contra o rival carioca sempre que a disputa foi decidida em duas partidas.
Essa é apenas a terceira vez que Fluminense e Palmeiras se enfrentam em mata-mata ao longo da história, e a primeira delas em competição internacional. Nas duas ocasiões anteriores, o desfecho foi sempre o mesmo. Na semifinal da Taça Brasil de 1960, um 0 a 0 no Pacaembu não assustou o Palmeiras, que fechou a eliminatória com vitória por 1 a 0 no Maracanã, gol de Humberto Tozzi, e seguiu rumo ao título daquele torneio. Em 2015, pela semifinal da Copa do Brasil, o roteiro foi mais dramático: o Fluminense venceu a ida por 2 a 1, também no Maracanã, mas o Palmeiras virou o agregado ao golear o returno por 2 a 1 em São Paulo e confirmou a classificação nos pênaltis, por 4 a 1, erguendo o troféu da competição meses depois.
O Palmeiras chega a este terceiro capítulo, portanto, com um retrospecto de duas vitórias em dois mata-matas disputados contra o Fluminense, nunca tendo deixado o rival carioca avançar quando a eliminatória se resolveu em ida e volta. A vantagem construída no Maracanã nesta edição da Libertadores tem um efeito prático direto sobre o jogo de volta: como venceu por 2 a 1, o Palmeiras pode carimbar a vaga na final mesmo com um empate na Arena Nubank Parque, já que apenas um resultado que anule a margem conquistada fora de casa devolveria a decisão ao Fluminense.
O caminho até esta semifinal também ajuda a explicar o contexto da partida. O Fluminense avançou ao eliminar o Platense por agregado de 3 a 2 nas quartas de final, depois de vencer o jogo de ida por 2 a 0 em casa e perder o returno por 2 a 1, em 15 de setembro, em Buenos Aires, resultado insuficiente para o time argentino buscar a virada. Do outro lado, o Palmeiras eliminou o LDU, do Equador, para garantir a vaga nesta fase. No outro lado da chave, o Estudiantes, da Argentina, espera o vencedor do duelo entre Flamengo e Independiente del Valle, enquanto a final da Libertadores 2026 está marcada para 28 de novembro, no Estádio Centenário, em Montevidéu.
Mesmo com o resultado favorável, a autoavaliação do elenco palmeirense não foi de euforia irrestrita. Autor de um dos gols da vitória, José López reconheceu que a equipe não teve a noite inspirada que costuma buscar, mas destacou a capacidade do time de se adaptar ao que o jogo pedia. “Feliz pelo gol e pelo trabalho do time. Hoje não foi um dia em que fizemos nosso melhor futebol, mas faz parte. Fomos muito competitivos e conseguimos uma grande vitória para fechar lá em casa. Acho que a nossa pressão não foi muito boa. Eles sempre tinham um jogador a mais e conseguiram ter a posse, mas fomos inteligentes e marcamos mais atrás”, afirmou o atacante.



