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O que é o FVS, o desafio de vídeo dos técnicos no futebol

Sem árbitro de vídeo dedicado, o FVS deixa o próprio juiz de campo revisar lances a pedido do técnico. Entenda as regras e onde já é testado.

por Beatriz Rocha 4 de agosto de 2026 4 min de leitura
Cabine de revisão do VAR à beira do campo em partida do Campeonato Chileno de 2020, imagem ilustrativa não relacionada ao desafio de vídeo dos técnicos (Foto de arquivo: cabine de revisão do VAR em uma partida do Campeonato Chileno de 2020, imagem ilustrativa não relacionada ao desafio de vídeo dos técnicos.)

Foto de arquivo: cabine de revisão do VAR em uma partida do Campeonato Chileno de 2020, imagem ilustrativa não relacionada ao desafio de vídeo dos técnicos. (Foto: Carlos Figueroa CC BY-SA 4.0 via https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Colo-Colo_v_Palestino_20200128_03.jpg)

No Football Video Support, o FVS, não existe um árbitro de vídeo dedicado assistindo à partida de uma sala separada. Quem revisa o lance é o próprio árbitro de campo, ajudado por um operador de replay, depois que o técnico pede formalmente um desafio. É essa a diferença central em relação ao VAR tradicional, que mantém uma equipe de arbitragem exclusiva monitorando o jogo o tempo todo.

Como funciona o pedido de desafio

As revisões pelo FVS não valem para qualquer lance duvidoso. O sistema se limita a casos de “possível erro claro e óbvio ou incidente grave não visto pelo árbitro em campo”. Cada técnico tem direito a dois desafios por partida, e quando o pedido é aceito e a decisão é revertida, ele não perde a solicitação: o número de desafios disponíveis permanece o mesmo para o restante do jogo.

Um dos atrativos do FVS é a estrutura enxuta. Ele exige apenas de uma a quatro câmeras no campo, contra as mais de 20 usadas no sistema de VAR da Premier League. É uma diferença que explica por que o formato é pensado para competições sem orçamento para o VAR completo.

Expansão global e testes

O FVS já passou por competições oficiais da Fifa, como a Copa do Mundo Sub-19 em maio e a Copa do Mundo Feminina Sub-20 em setembro. Em Londres, na reunião anual de negócios do IFAB realizada em 1º de dezembro de 2024 e presidida por Patrick Nelson, o órgão que define as regras do futebol estendeu formalmente o período de testes do sistema. O mesmo encontro discutiu outras mudanças em análise, entre elas um limite de tempo para o goleiro segurar a bola, a regra de que só o capitão pode falar com o árbitro, anúncios públicos após checagens longas de VAR, tecnologia de impedimento semiautomático e câmeras corporais para árbitros. A próxima Assembleia Geral Anual do IFAB estava marcada para 1º de março de 2025, em Belfast, na Irlanda do Norte.

A adoção segue avançando. Itália, na Serie C, e Espanha, na Liga F e na Primera Federación, foram as primeiras competições a adotar o FVS em caráter permanente, a partir de agosto. O formato também está sendo testado na Canadian Premier League, do Canadá, na temporada 2026. No Brasil, o sistema aparece em testes na Copa Paulista e na Copa do Brasil Feminina, além de versões de baixo custo já experimentadas nas ligas do interior de São Paulo e no Paulistão feminino.

A proposta separada da federação inglesa

Enquanto o FVS avança sob a chancela da Fifa e do IFAB, a federação inglesa estuda, por conta própria, um sistema diferente de “coach review”, inspirado no “captain’s review” do rúgbi da Super League e no modelo de desafios da NFL. Na proposta da FA, cada equipe teria dois desafios sem sucesso por partida para contestar decisões subjetivas, como faltas e mão na bola, enquanto o VAR continuaria cuidando de decisões objetivas, como impedimento. É um recorte diferente do FVS testado pela Fifa, e a própria cobertura sobre o tema às vezes mistura os dois modelos.

Mark Bullingham, diretor executivo da FA, defendeu a ideia nestes termos: “What can we learn from this? Are there elements of this we should consider adopting in the future? Because this changes the dynamic, reduces the number of times there is VAR intervention”.

A discussão inglesa caminha na direção oposta a uma decisão recente do próprio IFAB, que ampliou a cobertura do VAR para escanteios e segundo cartão amarelo na Copa do Mundo de 2026. Enquanto a FA busca reduzir intervenções tecnológicas com desafios controlados pelos técnicos, o órgão que regula as leis do jogo tem alargado o alcance da revisão por vídeo em outra frente.

Para quem acompanha outras regras que mudam o ritmo das partidas, vale entender também como funcionam a prorrogação e os pênaltis no mata-mata da Copa do Mundo 2026.

A Fifa faz questão de frisar que o FVS não é um substituto do VAR tradicional. Segundo a entidade, não há “nenhuma intenção” de trocar um sistema pelo outro: o desafio de vídeo dos técnicos é tratado como alternativa para federações que não têm recursos para bancar a estrutura completa de VAR, não como sucessor do modelo usado nas principais ligas do mundo.

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Sobre o autor

Beatriz Rocha

Repórter de esportes com passagem por coberturas de futebol, vôlei e Olimpíadas. Escreve sobre os bastidores e a cultura das modalidades.

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