O contrato de Max Verstappen com a Red Bull vai até 2028, mas tem uma válvula de escape: uma cláusula de saída que pode ser acionada caso o piloto termine a pausa de verão fora do top 2 do campeonato de pilotos. É esse gatilho, negociado ainda em 2022, que colocou o tetracampeão no centro da chamada “silly season” da Fórmula 1 em 2026. Um contrato até 2028 costuma soar como estabilidade, mas a cláusula muda essa leitura: ela dá a Verstappen, e não apenas à equipe, o poder de decidir se o vínculo segue de pé.
O que é a silly season
Silly season é o nome que a própria F1 dá ao período de especulações e negociações sobre onde cada piloto vai correr na temporada seguinte. Diferentemente do futebol, a categoria tem poucas vagas disponíveis, o que torna as movimentações de pilotos altamente interdependentes: a decisão de um nome grande costuma travar toda a cadeia de contratações abaixo dele. Segundo o calendário de retorno da temporada, a janela costuma começar em maio, quando as equipes já entendem sua competitividade no ano, e se estende até depois da pausa de verão. Como a maioria das equipes ocupa apenas duas vagas cada, a saída de um único piloto de destaque costuma provocar uma sequência de trocas em cadeia, já que os times abaixo dele disputam os assentos que sobram.
A cláusula de Verstappen foi negociada pelo empresário Raymond Vermeulen junto à então liderança da Red Bull, Dietrich Mateschitz e Helmut Marko, em 2022. Ela passou a valer oficialmente depois do GP da Hungria, usado como marco da pausa de verão de 2026, e pode ser acionada a qualquer momento entre esse ponto e outubro.
Onde Verstappen estava quando a cláusula ficou ativa
As reportagens divergem ligeiramente sobre a posição exata do holandês no momento em que o gatilho passou a valer: uma cita sétimo lugar no campeonato, outra, publicada depois do acidente de Verstappen no GP da Grã-Bretanha, cita sexto lugar. Os números de pódio, porém, batem: apenas dois pódios na temporada até ali, descrito como “melhor dos demais” fora de Mercedes, Ferrari e McLaren.
Verstappen é tetracampeão mundial de Fórmula 1, com títulos conquistados em 2021, 2022, 2023 e 2024.
A resposta da Red Bull
O CEO da Red Bull GmbH, Oliver Mintzlaff, tratou o assunto publicamente. Em declaração à De Telegraaf, ele afirmou: “What’s important to say is that I’m not afraid of any performance clause in his contract. The most important thing for an athlete is that he sees that everyone on the team is giving their all for him.” Mintzlaff foi além ao falar do futuro do piloto na equipe: “I feel there’s enormous appreciation and loyalty on both sides. I have no doubt that Max Verstappen will finish his career at Red Bull.”
A confiança pública, porém, não impediu uma tentativa concreta de blindagem contratual. Segundo o site alemão F1-Insider, a Red Bull chegou a oferecer cerca de 8 milhões de euros para que Verstappen abrisse mão da cláusula de saída. O piloto recusou a proposta, mantendo o gatilho de performance intacto no contrato.
Por que o mercado inteiro espera por ele
Entre os destinos especulados para Verstappen, caso a cláusula seja acionada, estão Mercedes, McLaren, numa possível troca com Oscar Piastri, e Aston Martin. Nenhum desses cenários é fechado, mas a simples possibilidade já pesa sobre o restante do grid: por causa da escassez de vagas competitivas, outros pilotos não conseguem fechar seus planos para 2027 enquanto Verstappen não decide seu futuro. É esse efeito cascata, mais do que qualquer contrato isolado, que dá à silly season seu nome.
Segundo o GPblog, a oferta recusada por Verstappen para abrir mão da cláusula de saída foi de cerca de 8 milhões de euros.



