Monza recebe o Grande Prêmio da Itália no fim de semana de 4 a 6 de setembro de 2026 carregando um retrospecto que pesa sobre a Ferrari mais do que sobre qualquer outra equipe da Fórmula 1, já que a última vitória em casa da escuderia italiana aconteceu em 2024, com Charles Leclerc ao volante, justamente no traçado apelidado de “Templo da Velocidade”, onde o carro passa 80% da volta em aceleração total e as retas ultrapassam 340 km/h. É nesse cenário de exigência extrema, com motores no limite e pouquíssimo espaço para respirar entre uma curva e outra, que a torcida italiana volta a se perguntar quando verá a Ferrari vencer de novo diante de casa.
O triunfo de Leclerc em 2024 não foi apenas um alívio pontual para a Ferrari, mas o fim de um jejum que já durava cinco anos inteiros, uma vez que a vitória anterior da equipe no traçado lombardo havia sido, também, com o próprio monegasco, lá em 2019. Entre uma edição e outra, a escuderia de Maranello só voltou a comemorar diante da própria torcida naquela corrida de 2024, o que transformou o resultado em um alívio tardio depois de tantas tentativas frustradas em seu circuito mais simbólico. Passado apenas um ano daquela vitória, porém, a Ferrari não conseguiu repetir o feito.
Em 2025, foi Max Verstappen quem venceu o Grande Prêmio da Itália em Monza, impedindo que a equipe italiana voltasse a levantar o troféu em casa pela segunda vez seguida. O holandês ainda cravou o novo recorde de corrida mais rápida da história da Fórmula 1, em uma prova de 53 voltas que somou 306,720 km, à frente de Lando Norris, que cruzou a linha 19s207 depois, e de Oscar Piastri, companheiro de McLaren, que chegou a 21s351 do vencedor. O recorde de Verstappen em Monza segue de pé antes de 2026, o que mantém viva a lembrança de uma tarde em que a Ferrari simplesmente não teve resposta diante da própria torcida.
A ironia por trás do jejum recente é que nenhuma equipe venceu tantas vezes em Monza quanto a própria Ferrari, que soma 19 triunfos no total, o maior número de qualquer equipe na história do Grande Prêmio da Itália. O circuito, que recebe a Fórmula 1 desde 1950 em um traçado de 5,7 km e 11 curvas a cerca de 20 km de Milão, é tratado pela própria categoria como um símbolo de velocidade pura, o que só aumenta o contraste entre o passado vitorioso da equipe ali e a dificuldade recente de repetir o resultado diante de seus torcedores. Vencer tantas vezes ao longo da história e, ainda assim, ter conseguido apenas um triunfo caseiro desde 2019 resume bem a pressão que cerca a Ferrari a cada edição do GP italiano.
Para 2026, a Ferrari chega a Monza com Charles Leclerc e Lewis Hamilton no carro, e ambos devem rodar com motores novos na corrida sem sofrer qualquer punição no grid, uma decisão que a equipe espera converter em desempenho extra justamente na pista mais rápida do calendário. O momento da temporada, no entanto, não favorece expectativas altas para a escuderia italiana: Kimi Antonelli, líder da classificação de pilotos de 2026, larga do fundo do grid depois que a própria Mercedes decidiu trocar sua unidade de potência, enquanto o próprio italiano mantém 59 pontos de vantagem sobre George Russell e Hamilton na tabela. Lando Norris, vencedor das duas últimas corridas antes de Monza, está 83 pontos atrás na classificação, o que mostra como a briga pelo título segue aberta enquanto a Ferrari tenta, mais uma vez, quebrar o próprio jejum em casa.
Às vésperas da corrida, o próprio Leclerc reconheceu que a Ferrari não teria ritmo puro suficiente para brigar pela vitória diante da torcida italiana em 2026. “I think on pure pace we don’t have a chance, unfortunately”, disse o piloto monegasco, resumindo em poucas palavras a distância que a equipe ainda precisa encurtar para voltar a comemorar no Templo da Velocidade.



