Antes de Islam Makhachev subir ao octógono do UFC 330, em 15 de agosto de 2026, para defender o cinturão dos meio-médios contra Ian Machado Garry, vale separar um mito recorrente da história do UFC: apenas quatro lutadores, ao longo de mais de três décadas de organização, conseguiram deter dois cinturões ao mesmo tempo. Conor McGregor, Daniel Cormier, Amanda Nunes e Henry Cejudo formam esse grupo restrito de campeões duplos simultâneos, uma categoria bem menor do que a lista de lutadores que já passaram por dois cinturões em momentos diferentes da carreira, grupo do qual o próprio Makhachev também faz parte. A distinção entre os dois status raramente é explicada com precisão, o que alimenta comparações equivocadas toda vez que um novo nome se aproxima de um segundo título.
McGregor foi o primeiro a alcançar o feito, em 12 de novembro de 2016, quando nocauteou Eddie Alvarez no UFC 205 e conquistou o cinturão dos leves enquanto ainda era campeão dos penas desde dezembro de 2015, tornando-se a primeira estrela do UFC a subir ao octógono com dois cinturões ao mesmo tempo. O irlandês, cuja luta mais rápida da carreira durou apenas 69 segundos, nunca voltou a defender os dois títulos simultaneamente antes de perder o cinturão dos leves.
Menos de dois anos depois, em julho de 2018, Daniel Cormier repetiu o feito no UFC 226, ao nocautear Stipe Miocic e conquistar o cinturão dos pesados enquanto ainda era campeão dos meio-pesados desde maio de 2015. Cormier chegou a defender o cinturão dos pesados quatro meses depois de conquistá-lo, algo que nem todos os campeões duplos conseguiram fazer.
Amanda Nunes se tornou, em 29 de dezembro de 2018, a terceira campeã dupla simultânea da história e a primeira mulher a alcançar o feito, ao nocautear Cris Cyborg e vencer o cinturão dos penas enquanto já era campeã dos galos desde julho de 2016. Seis meses depois, em 8 de junho de 2019, no UFC 238, Henry Cejudo completou o quarteto ao nocautear Marlon Moraes pelo cinturão vago dos galos, mantendo ao mesmo tempo o título dos moscas, que carregava desde agosto de 2018.
Nem todos os quatro sustentaram o duplo reinado da mesma forma. Cormier e Nunes chegaram a defender o segundo cinturão em disputa antes de perdê-lo ou vagá-lo, enquanto McGregor e Cejudo nunca voltaram a defender os dois títulos ao mesmo tempo depois de conquistá-los.
É essa exigência de simultaneidade que separa o grupo dos quatro de nomes como Jon Jones e Georges St-Pierre, lembrados como bicampeões de divisões diferentes, mas que nunca chegaram a carregar dois cinturões juntos, já que vagaram ou perderam um título antes de vencer o outro. A lista completa de lutadores que já foram campeões de duas divisões distintas, ainda que em momentos separados, soma onze nomes na história do UFC: Randy Couture, BJ Penn, Conor McGregor, Georges St-Pierre, Daniel Cormier, Amanda Nunes, Henry Cejudo, Alex Pereira, Jon Jones, Ilia Topuria e Islam Makhachev, que entrou para esse grupo mais amplo no UFC 322.
Makhachev chegou lá pelo caminho sequencial, não simultâneo. Ele vagou o cinturão dos leves em maio de 2025, depois de um recorde de quatro defesas consecutivas da categoria, e só em 15 de novembro de 2025 venceu o cinturão dos meio-médios ao derrotar Jack Della Maddalena. Segundo o Lance!, Makhachev dominou o adversário pelo wrestling, levando-o ao chão repetidamente e mantendo controle no solo ao longo dos cinco rounds daquela luta no UFC 322.
A vitória sobre Della Maddalena também igualou o recorde de dezesseis vitórias consecutivas no UFC pertencente a Anderson Silva, conforme registrou a CNN Brasil. Foi depois dessa conquista que o daguestanense resumiu o momento em poucas palavras: “Isso é um sonho. Toda a minha vida eu quis dois cinturões.”



