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NBA multa Clippers em US$ 30 milhões por caso Kawhi

A NBA aplicou a maior multa financeira já registrada e tirou cinco escolhas de draft dos Clippers após burla ao teto salarial de Kawhi Leonard.

por Lucas Ferreira 3 de setembro de 2026 4 min de leitura
Interior de arena da NBA lotada durante partida, foto de arquivo sem relação direta com o caso Kawhi Leonard (Foto de arquivo: interior de uma arena da NBA, NBA Global Games, Cidade do México, 2017, sem relação direta com o caso Kawhi Leonard/Clippers.) (Foto de arquivo: interior de uma arena da NBA (NBA Global Games, Cidade do México, 2017), sem relação direta com o caso Kawhi Leonard/Clippers.)

Foto de arquivo: interior de uma arena da NBA (NBA Global Games, Cidade do México, 2017), sem relação direta com o caso Kawhi Leonard/Clippers. (Foto: Zignia CC BY-SA 4.0 via https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Arena_Ciudad_de_Mexico_NBA_Global_Games_2017.jpg)

Os Los Angeles Clippers foram multados em US$ 30 milhões pela NBA, a maior multa financeira já aplicada pela liga em um caso de burla ao teto salarial, segundo o InfoMoney. O anúncio saiu em 2 de setembro de 2026, ao fim de uma investigação sobre os acordos comerciais em torno de Kawhi Leonard. A punição é a mais severa aplicada pela NBA em mais de duas décadas por burla ao teto salarial, superada em rigor apenas pelo caso Timberwolves-Joe Smith, de 2000. Além da multa, a franquia perderá cinco escolhas de primeira rodada do draft, uma a cada ano entre 2029 e 2033, um período de cinco drafts seguidos sem escolha própria na primeira rodada.

As suspensões no topo da hierarquia

Steve Ballmer, dono do Clippers, foi suspenso por um ano de todas as atividades da liga e da equipe. Gillian Zucker, presidente de operações de negócios da franquia, recebeu a mesma suspensão de um ano sem remuneração, apontada como responsável por orquestrar os acordos e por prestar declarações falsas aos investigadores.

Lawrence Frank, presidente de operações de basquete, foi suspenso por seis meses sem remuneração, pena menor que a de Zucker, mas que também o afasta da rotina de decisões de basquete da franquia por meio ano. Kawhi Leonard terá de pagar US$ 700 mil à liga, mas não foi suspenso nem teve o contrato anulado, uma diferença de tratamento em relação aos dirigentes da equipe. Dennis Robertson, ex-empresário e tio do jogador, foi banido por cinco anos de fazer negócios com equipes da NBA, a punição individual mais longa entre todos os citados na investigação. Ao todo, cinco pessoas ligadas à organização foram punidas nesta apuração: o dono, dois executivos, o astro do time e seu ex-empresário.

A origem da apuração

A investigação foi conduzida pelo escritório de advocacia independente Wachtell, Lipton, Rosen & Katz. A conclusão foi de que o Clippers direcionou acordos de patrocínio a Leonard por meio de quatro empresas parceiras (Aspiration Partners, Boingo Wireless, Daktronics e Lockton Insurance) em troca de negócios com a franquia.

O caso começou a partir de denúncias de que Leonard recebeu US$ 28 milhões em um contrato de patrocínio da Aspiration, empresa ligada a Ballmer que faliu em 2025, sem contrapartida de trabalho registrada. O valor pago pela Aspiration equivale a mais de 90% da multa que a própria liga aplicaria à franquia anos depois. “The severity of the penalties reflects the seriousness of the violations”, afirmou o comissário Adam Silver ao anunciar as sanções. Em português, a frase resume a lógica adotada pela liga: as penalidades foram dimensionadas para corresponder à gravidade das violações identificadas pelos investigadores independentes.

O precedente de 2000

A punição só encontra paralelo no caso Minnesota Timberwolves-Joe Smith, de 2000. Os números das duas apurações, lado a lado:

  • Timberwolves (2000): multa recorde à época de US$ 3,5 milhões e perda de cinco escolhas de primeira rodada, de 2001 a 2005, além de suspensões a dirigentes envolvidos.
  • Clippers (2026): multa de US$ 30 milhões e perda de cinco escolhas de primeira rodada, de 2029 a 2033.

A diferença entre as duas multas mostra a distância de escala entre as duas décadas: a multa aplicada aos Clippers equivale a quase nove vezes o valor cobrado do Timberwolves em 2000, mesmo com o número de escolhas de draft perdidas permanecendo idêntico nos dois casos.

A resposta do Clippers

Em nota anterior ao anúncio das penalidades, o Clippers já negava qualquer irregularidade. “Nem o Sr. Ballmer nem os Clippers contornaram o teto salarial ou se envolveram em má conduta relacionada à Aspiration”, dizia a nota oficial da franquia.

Após a divulgação das sanções, o clube rejeitou as conclusões da investigação, alegou viés na apuração e afirmou que vai contestar as penalidades por arbitragem, o que significa que o caso pode continuar em disputa mesmo depois de a NBA ter anunciado as punições.

O que aconteceu com o Timberwolves depois

No caso de 2000, a NBA acabou devolvendo parte do que havia tirado do Timberwolves. A escolha de 2003 voltou em dezembro daquele mesmo ano, negociada em troca do afastamento voluntário de Kevin McHale e do dono Glen Taylor, sem necessidade de arbitragem. Já a escolha de 2005 foi restituída em dezembro de 2003, por decisão do então comissário David Stern, que levou em conta a conduta do clube nos anos seguintes à punição.

Ao fim do processo, o Timberwolves ficou apenas com a perda definitiva de três primeiras rodadas, as de 2001, 2002 e 2004, das cinco que havia perdido originalmente. É esse o único precedente, em mais de duas décadas, para medir o tamanho da punição agora aplicada aos Clippers.

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Sobre o autor

Lucas Ferreira

Analista esportivo especializado em tática e dados. Cobre futebol, basquete e automobilismo, traduzindo números em leitura de jogo.

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