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Por que o GP do Azerbaijão 2026 será disputado num sábado

Pela primeira vez na história, a corrida de Baku sai do domingo para o sábado, num calendário de F1 já reduzido a 22 etapas em 2026.

por Rafael Mendes 11 de setembro de 2026 4 min de leitura
Stefano Domenicali, CEO da Fórmula 1, em evento beneficente de 2022 (Foto de arquivo: Stefano Domenicali, CEO da F1, em evento beneficente de 2022.)

Foto de arquivo: Stefano Domenicali, CEO da F1, em evento beneficente de 2022. (Foto: Sven Mandel CC BY-SA 4.0 via https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Sebastian_Vettel,_Stefano_Domenicali_-_2022236172327_2022-08-24_Champions_for_Charity_-_Sven_-_1D_X_MK_II_-_0424_-_B70I2434.jpg)

No traçado urbano de Baku, onde os muros de concreto passam a centímetros das rodas e o circuito é apontado como o mais rápido traçado de rua do calendário da Fórmula 1, com seus 6,003 km, a corrida marcada para o fim de setembro de 2026 vai ocorrer num dia que jamais havia sido usado ali antes. O calendário oficial da categoria confirma o Grande Prêmio do Azerbaijão em 26 de setembro, um sábado, depois de a data ter sido antecipada do domingo 27 de setembro, quando a etapa estava originalmente prevista. É a primeira vez, desde que a Fórmula 1 passou a correr em Baku, que o GP acontece num sábado.

A mudança atende a um pedido dos promotores locais, que buscavam evitar a coincidência com o Dia da Lembrança, data que homenageia os militares mortos servindo o Azerbaijão na guerra de Nagorno-Karabakh de 2020 e que continua sendo celebrada no domingo, 27 de setembro. Assim como qualquer alteração no calendário da categoria, essa mudança de data ainda depende de aprovação do Conselho Mundial de Motorsport da FIA para ser considerada definitiva.

Com a corrida deslocada um dia inteiro, toda a programação do fim de semana andou junto: o treino livre passa para a quinta-feira, dia 24, a classificação ocupa a sexta-feira, 25, e a corrida em si fecha o ciclo no sábado, 26 de setembro. Na prática, isso significa que a rotina do paddock também se adianta, com as coletivas de imprensa já acontecendo na terça-feira, um dia antes do que costuma ser habitual em qualquer outra etapa do ano.

Esse formato torna o Azerbaijão uma raridade dentro do próprio calendário de 2026: apenas duas corridas do ano acontecem em sábado, a de Baku e o GP de Las Vegas, enquanto todas as demais mantêm o domingo como dia de largada. A excepcionalidade soma-se ao fato de que o circuito de Baku já era, por si só, um traçado fora do padrão entre os street circuits da temporada.

A reorganização de Baku não é um caso isolado dentro de uma temporada 2026 que já mudou de forma significativa. Os Grandes Prêmios do Bahrein e da Arábia Saudita, ambos previstos para abril, foram cancelados diante da escalada de um conflito armado no Oriente Médio, e a Fórmula 1 chegou a avaliar substitutos como Ímola, Portimão e Istambul para preencher as datas vagas. As opções acabaram descartadas por falta de tempo logístico para viabilizar a operação, o que deixou o mês de abril inteiro sem corrida alguma, um intervalo que se estende do GP do Japão, em 29 de março, até o GP de Miami, entre 1º e 3 de maio. Com as duas etapas do Oriente Médio fora, o calendário de 2026 caiu de 24 para 22 corridas.

Antes mesmo de a temporada começar, a Fórmula 1 também revelou o calendário de pré-temporada de 2026, que inclui testes em Barcelona, de 26 a 30 de janeiro, seguidos por duas fases de testes no Bahrein, marcadas para 11 a 13 e 18 a 20 de fevereiro. Essa preparação mais longa do que o habitual reflete a mudança técnica significativa de regulamento que entra em vigor naquele ano. Esse cronograma estendido de testes, somado às mudanças no calendário de corridas, ilustra como a temporada 2026 já nasce moldada por ajustes de última hora, do formato de fim de semana em Baku aos ajustes de datas provocados pela instabilidade no Oriente Médio.

Foi nesse contexto de calendário remodelado que a Fórmula 1 e a FIA anunciaram a renovação do acordo com Baku, garantindo o Grande Prêmio do Azerbaijão até 2030. “There’s an incredible energy to the city of Baku and since our first Grand Prix here in 2016 Formula 1 has consistently received a warm and enthusiastic welcome from the people of Azerbaijan”, afirmou Stefano Domenicali, CEO da Fórmula 1, ao comentar a extensão do contrato.

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Sobre o autor

Rafael Mendes

Jornalista que cobre mercado, gestão e o circuito de tênis e MMA. Escreve guias e reportagens de contexto.

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