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Alcaraz soma seis torneios perdidos por lesão no punho e vê o US Open em risco real

Fora desde abril por lesão no punho, Alcaraz desiste de Montreal, mira Cincinnati como teste e enfrenta dúvida real sobre disputar o US Open, que já venceu duas vezes.

por Beatriz Rocha 12 de julho de 2026 4 min de leitura
Alcaraz soma seis torneios perdidos por lesão no punho e vê o US Open em risco real

Foto: 12121343A, licença CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons

Carlos Alcaraz vai completar quase três meses fora das quadras sem uma data confirmada de retorno, e a ausência que já custou dois Grand Slams e três Masters 1000 na temporada agora ameaça também o US Open, o torneio em que o espanhol é bicampeão. A confirmação de que ele não vai disputar o Masters 1000 de Montreal, um dos últimos testes antes do Grand Slam de Nova York, reacendeu o alerta sobre a real chance de o número 2 do mundo desfalcar a chave em agosto.

O problema começou em 14 de abril, na estreia do ATP 500 de Barcelona, quando Alcaraz sentiu dores no punho direito durante a vitória sobre Otto Virtanen. O diagnóstico foi tenossinovite, inflamação na bainha dos tendões que compromete diretamente a mão dominante de um jogador de saque e forehand potentes. Desde então, o espanhol somou seis torneios perdidos por causa da lesão: os Masters 1000 de Madri, Roma e agora Montreal, o ATP 500 de Queen’s Club e os Grand Slams de Roland Garros (confirmado pela organização do próprio torneio) e Wimbledon. São dois Slams e três Masters 1000 de ausência seguida, um retrospecto que evidencia o tamanho do problema físico enfrentado pelo bicampeão de Roland Garros.

A equipe de Alcaraz optou por um plano de recuperação cauteloso, sem pressa para acelerar o retorno. Ele vem aumentando gradualmente a carga de treinos, com sessões que combinam preparação física, trabalho cardiovascular e tênis progressivo, e aguarda um novo exame definitivo no punho para saber se poderá treinar sem restrições. Só depois desse resultado a equipe deve decidir se o Masters 1000 de Cincinnati, com início previsto para 11 de agosto, servirá de teste antes do US Open, marcado para o fim de agosto e início de setembro.

Nem todo mundo no meio do tênis está otimista. O ex-tenista britânico Greg Rusedski, hoje comentarista, disse publicamente que ficaria “chocado” se Alcaraz conseguisse jogar o US Open este ano. Rusedski afirmou estar “profundamente preocupado” após analisar vídeos recentes de treino do espanhol, nos quais ele aparecia batendo bolas com pouca intensidade e completando o movimento do saque sem sequer golpear a bola em boa parte das repetições, um sinal, segundo o comentarista, de que o problema pode ser mais sério do que o anunciado publicamente.

O risco esportivo é concreto. Alcaraz chegou à decisão do US Open de 2025 e derrotou Jannik Sinner de virada para faturar o segundo título em Nova York (o primeiro veio em 2022, quando se tornou o número 1 mais jovem da história do ranking ATP). Como campeão nas duas últimas edições disputadas por ele em Cincinnati e no US Open, o espanhol tem 3 mil pontos de ranking para defender só nesses dois torneios. Ficar de fora de ambos significaria abrir mão de toda essa pontuação de uma só vez, o que pressiona ainda mais a posição dele no topo do ranking mundial num momento em que rivais como Sinner e Alexander Zverev seguem competindo em ritmo normal, como mostrou a própria campanha da chave masculina até a decisão de Wimbledon deste ano.

Alcaraz tem evitado prometer prazos. Em publicações recentes nas redes sociais, ele mostrou trechos de treino na academia que leva seu nome, na Espanha, com a legenda “no caminho certo”, um recado de otimismo moderado que contrasta com a cautela dos médicos. A programação seguinte prevê possibilidade de retorno em torneios menores, como o ATP 250 de Los Cabos ou o ATP 500 de Washington, mas nada foi confirmado publicamente pelo jogador ou por sua equipe.

Enquanto o quadro não se resolve, o circuito segue sem um dos nomes que mais mobilizam público e patrocinadores. A ausência prolongada também reabre a discussão sobre o calendário desgastante do tênis masculino e o custo físico que ele impõe a jogadores de estilo mais explosivo, tema que deve seguir pautando a cobertura da categoria de tênis do site nas próximas semanas. Para os fãs de Alcaraz, a expectativa agora é pelo resultado do exame decisivo, que deve indicar se o sonho de defender o título em Nova York ainda é viável ou se 2026 ficará marcado como o ano perdido pela lesão no punho do bicampeão do US Open.

Até lá, o próprio site segue acompanhando os desdobramentos do circuito de tênis, incluindo o restante da temporada de saibro e grama que Alcaraz não pôde disputar.

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Sobre o autor

Beatriz Rocha

Repórter de esportes com passagem por coberturas de futebol, vôlei e Olimpíadas. Escreve sobre os bastidores e a cultura das modalidades.

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