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Futebol

Espanha x Argentina: bi contra tetra na final da Copa

Espanha busca o bicampeonato e Argentina o tetra na final de domingo, 60 anos após o único duelo das duas em Copas do Mundo.

por Lucas Ferreira 16 de julho de 2026 4 min de leitura
Lionel Messi com a camisa da seleção argentina durante partida da Copa do Mundo de 2026

Lionel Messi durante Argentina x Egito, pela Copa do Mundo de 2026. Foto: Bryan Berlin, CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons

A final da Copa do Mundo de 2026 chega no domingo (19), no MetLife Stadium, em East Rutherford, Nova Jersey, com apito marcado para as 16h (horário de Brasília). Espanha e Argentina protagonizam, pela primeira vez na história do torneio, um duelo entre a atual campeã continental e a atual campeã mundial: os espanhóis chegam como donos da Eurocopa mais recente, os argentinos como detentores da taça conquistada no Catar. É também a primeira decisão a reunir a primeira e a segunda colocadas do ranking da FIFA desde que a lista passou a existir, em 1992.

O caminho até a decisão foi bem diferente para cada seleção. A Argentina sofreu para superar a Inglaterra por 2 a 1 na semifinal, em Atlanta. Anthony Gordon colocou os ingleses na frente logo no início do segundo tempo, e a virada só veio nos minutos finais, com Enzo Fernández e Lautaro Martínez balançando as redes em uma sequência movida a assistências de Lionel Messi. A reação argentina repetiu um roteiro que já havia aparecido em outras fases do Mundial, de um time que demora a engrenar mas não larga o osso até o apito final. A Espanha, por sua vez, resolveu bem antes: bateu a França por 2 a 0, em Dallas, com gols de Mikel Oyarzabal e Pedro Porro, numa atuação que combinou posse de bola e solidez defensiva do início ao fim.

O que está em jogo para cada lado explica boa parte da tensão em torno da decisão. A Argentina joga por seu quarto título mundial, o que igualaria a contagem de Alemanha e Itália e deixaria a seleção a apenas uma conquista do recorde do Brasil, dono de cinco taças. Já a Espanha busca a segunda estrela de sua história, a primeira desde o título de 2010 na África do Sul; um triunfo colocaria os espanhóis ao lado de França e Uruguai no ranking de campeões.

Curiosamente, apesar da rivalidade histórica que o rótulo de final sugere, Espanha e Argentina quase não têm passado dentro de Copas do Mundo. As seleções se encontraram apenas uma vez no torneio: em 13 de julho de 1966, na fase de grupos disputada na Inglaterra, quando os argentinos venceram por 2 a 1 em Villa Park, Birmingham, com dois gols de Luis Artime e um de Pirri para os espanhóis. Passaram-se exatos 60 anos até que as duas seleções voltassem a se cruzar num Mundial. No retrospecto geral, somando amistosos e outras competições, o equilíbrio chama atenção: antes desta final, foram 14 confrontos, com seis vitórias para cada lado e dois empates, segundo levantamento do site oficial da FIFA.

O técnico argentino Lionel Scaloni, ao comentar a admiração que o adversário europeu nutre por seu principal jogador, resumiu o peso simbólico do confronto para Messi, que construiu boa parte da carreira de clubes justamente na Espanha. “Messi jogou tantos anos na Espanha e é o maior jogador da história do futebol, não há mais dúvidas disso”, disse o treinador, após a virada sobre a Inglaterra.

Dentro de campo, o duelo promete contrastar duas identidades bem marcadas. A Espanha aposta na posse de bola, na paciência para desarmar blocos baixos e numa defesa que sofreu pouquíssimos gols ao longo da competição. A Argentina, mais direta em transições, encontrou em Messi, Julián Álvarez e Lautaro Martínez seu principal trunfo ofensivo, mesmo quando o placar demora a se abrir. Scaloni e Luis de la Fuente, técnico espanhol, cultivam relação de proximidade fora de campo, o que soma um capítulo particular a uma decisão que já reúne, sozinha, tetracampeonato, bicampeonato e seis décadas de espera por um reencontro.

O palco também ajuda a dimensionar o tamanho do espetáculo. O MetLife Stadium recebe lotação máxima para a decisão, casa que já foi palco de outras partidas de peso deste Mundial e que, pela primeira vez na história das Copas, vai abrigar uma apresentação musical no intervalo, nos moldes do que acontece no Super Bowl americano. Fora de campo, portanto, a final de domingo carrega um peso que extrapola o resultado esportivo. Dentro dele, resta saber se o retrospecto equilibrado entre as duas seleções vai se refletir num jogo parelho ou se um dos lados vai conseguir impor sua identidade cedo o suficiente para decidir o título antes dos 90 minutos.

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Sobre o autor

Lucas Ferreira

Analista esportivo especializado em tática e dados. Cobre futebol, basquete e automobilismo, traduzindo números em leitura de jogo.

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