O Remo entra em campo nesta quinta-feira, 23 de julho, diante do Corinthians na Neo Química Arena, às 19h30, disputando pela 19ª rodada uma partida que carrega um número simbólico: esta é a 17ª participação do clube paraense na Série A do Campeonato Brasileiro, encerrando um jejum de 32 anos sem disputar a elite do futebol nacional.
A última vez que o Remo esteve na primeira divisão foi em 1994, ano em que caiu para a Série B. Desde então, a trajetória do clube foi marcada por altos e baixos: houve período em que o time chegou a disputar divisões ainda mais baixas do futebol brasileiro antes de reconstruir, aos poucos, o caminho de volta ao topo. O acesso à Série A de 2026 só foi confirmado em 23 de novembro de 2025, na última rodada da Série B daquele ano, quando o Remo venceu o Goiás por 3 a 1 e se beneficiou da derrota do Criciúma para o Cuiabá.
Um retrospecto espalhado, não uma sequência
É importante entender o que significa essa 17ª participação. São 17 edições distintas do campeonato disputadas pelo Remo ao longo de mais de seis décadas de história, com hiatos longos entre elas. O clube nunca disputou 17 anos seguidos na Série A. Duas dessas participações ocorreram ainda na época da Taça Brasil, competição que antecedeu o formato atual, e as outras 15 aconteceram a partir de 1971, quando o Campeonato Brasileiro passou a ter a configuração que hoje reconhecemos como Série A.
Essa distinção importa porque o próprio formato do campeonato mudou várias vezes ao longo do tempo. Antes de 2003, a Série A já teve edições disputadas em fases de grupos, com mata-matas e outras fórmulas que intercalavam classificação e eliminação direta. Foi só a partir daquele ano que a CBF padronizou o modelo de pontos corridos, com todos os clubes se enfrentando em turno e returno. Isso quer dizer que, das 17 participações do Remo na Série A, 2026 será a primeira em que o clube disputa o campeonato exatamente neste formato, o mesmo usado hoje por qualquer outro concorrente ao título ou à permanência na elite.
A campanha que garantiu o retorno
O acesso não veio por acaso. O Remo fechou a Série B de 2025 na 4ª colocação da tabela, com 62 pontos somados em 38 jogos, resultado de 16 vitórias, 14 empates e 8 derrotas, além de 51 gols marcados contra 39 sofridos. É uma campanha de time que brigou pela ponta da tabela do início ao fim da temporada, longe de um acesso de última hora conquistado no sufoco.
A cena da classificação matemática, com festa da torcida azul tomando conta das ruas de Belém, marcou o fim de um dos jejuns mais longos entre clubes tradicionais do futebol brasileiro. O futebol brasileiro volta a ter, na Série A, um representante da região Norte disputando a elite nacional, algo raro no histórico recente do campeonato.
Estreia contra um dos grandes de São Paulo
O confronto de logo mais contra o Corinthians acontece já na parte final da retomada do calendário após a pausa para a Copa do Mundo, como detalhado na cobertura sobre o retorno do Brasileirão. Para o Remo, encarar um clube do tamanho do Corinthians fora de casa, na 19ª rodada, é justamente o tipo de desafio que a torcida esperou por mais de três décadas para ver de novo.
Seja qual for o resultado na Neo Química Arena, o simples fato de estar em campo já garante ao Remo um lugar na sua própria história: a 17ª vez que o escudo azul e branco aparece na lista de participantes da principal divisão do futebol brasileiro, depois de um caminho reconstruído desde as divisões inferiores até o retorno confirmado em novembro do ano passado.



