Quando a bola rolar em La Plata, no dia 9 de setembro de 2026, Corinthians e Estudiantes vão se reencontrar em uma página do retrospecto que, ao contrário de um suposto equilíbrio, pende claramente para o lado paulista: em cinco confrontos disputados ao longo da história entre os dois clubes, o Corinthians venceu quatro vezes e perdeu apenas uma, sem um único empate registrado entre as equipes, um número que antecede o duelo direto marcado para as quartas de final da Libertadores 2026.
Dos cinco duelos, apenas dois tiveram caráter oficial, e ambos aconteceram nas quartas de final da Copa Sul-Americana de 2023, quando as equipes se cruzaram pela primeira vez em uma competição continental organizada pela CONMEBOL. Na ida, disputada em São Paulo, o Corinthians levou a melhor por 1 a 0; na volta, já em La Plata, foi a vez do Estudiantes vencer pelo mesmo placar, mas o time paulista avançou de fase ao superar o rival argentino nos pênaltis, por 3 a 2, depois de um agregado empatado em um gol para cada lado.
Os outros três encontros entre os clubes, todos de caráter amistoso, aconteceram em datas bastante distantes entre si e sempre com resultado favorável ao Corinthians: em 1936, na Fazendinha, a vitória alvinegra foi por 1 a 0; em 1982, no Pacaembu, o placar se repetiu; e em 2009, novamente no Pacaembu, o triunfo corintiano foi mais contundente, por 5 a 1.
Um retrospecto geral que só agora ficou equilibrado
A vantagem histórica do Corinthians sobre o Estudiantes especificamente contrasta, porém, com o que até poucos dias atrás era um retrospecto desfavorável do clube contra os times argentinos de modo mais amplo. Depois de eliminar o Rosario Central nas oitavas de final da Libertadores 2026, com um empate sem gols na ida e uma vitória por 1 a 0 no jogo de volta, o Corinthians passou a ter, pela primeira vez em sua história, o mesmo número de vitórias e derrotas contra clubes argentinos, somando 34 triunfos e 34 revezes em um total de 96 partidas, com 28 empates completando a conta geral.
O avanço fica ainda mais evidente quando o recorte se limita apenas à Copa Libertadores: antes de enfrentar o Rosario Central, o Corinthians somava, só contra clubes argentinos na competição, 24 jogos com 6 vitórias, 8 empates e 10 derrotas, um aproveitamento de 36%. Depois da eliminatória concluída, esse retrospecto específico passou a 26 partidas, com 7 vitórias, 9 empates e 10 derrotas, um salto que reforça o momento defensivo vivido pela equipe na competição continental.
A campanha atual carrega ainda o peso de uma busca declarada pelo próprio clube: o Corinthians tenta o bicampeonato da Libertadores, título que conquistou em 2012, e vê nas quartas de final também os confrontos entre Fluminense e Platense, Palmeiras e LDU, além de Flamengo contra o vencedor do duelo entre Independiente del Valle e Tolima.
Duelos que se repetem ao longo de décadas costumam render esse tipo de leitura histórica, algo parecido com o que ocorre em outros clássicos continentais, caso do reencontro entre Real Madrid e Inter.
O jogo de volta entre Corinthians e Estudiantes está marcado para 16 de setembro de 2026, na Neo Química Arena, e as duas partidas da chave têm horário definido para as 21h30, no horário de Brasília. Quem avançar às semifinais garante US$ 2,3 milhões em premiação, enquanto o campeão da edição 2026 fatura US$ 25 milhões na final, marcada para Montevidéu, em 28 de novembro de 2026.
O caminho até as quartas já rendeu números pouco comuns na história do torneio: sete confrontos de ida das oitavas de final de 2026 terminaram empatados, uma marca inédita segundo o site oficial da CONMEBOL Libertadores, e o duelo do Corinthians contra o Rosario Central esteve entre eles.
Para o técnico Fernando Diniz, a classificação teve como base a solidez defensiva construída pela equipe, que não sofreu gols mesmo atuando com um jogador a menos em ambos os jogos contra o Rosario Central, segundo suas declarações à imprensa após a classificação. Ao comentar o momento da equipe, o treinador resumiu a sensação do grupo: “É uma alegria imensa, um acréscimo de satisfação por conta dos inúmeros problemas”, disse Diniz.



