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Por que o Brasil caiu cedo na VNL de vôlei 2026

Brasil termina VNL 2026 em 9º, fora das quartas pela 1ª vez desde 2018. Veja o motivo da queda e os próximos jogos da seleção.

por Beatriz Rocha 3 de agosto de 2026 4 min de leitura
Jogador da seleção brasileira de vôlei masculino em ação durante partida internacional

Foto: George M. Groutas, CC BY 2.0, via Wikimedia Commons

O Brasil caiu cedo na VNL masculina de vôlei 2026 porque tropeçou justamente nos jogos que decidiam a vaga entre os oito melhores. A seleção comandada por Bernardinho fechou a fase preliminar em 9º lugar, com sete vitórias e cinco derrotas, e ficou fora das quartas de final pela primeira vez desde que o torneio foi criado, em 2018. Agora o grupo treina em Saquarema (RJ) antes de embarcar para amistosos no Japão e para a FIPAV Cup, na Itália.

A eliminação foi confirmada em 19 de julho, na última semana da fase de grupos, disputada em Chicago, nos Estados Unidos. O Brasil ainda tinha chance matemática de classificação quando entrou em quadra contra a China, mas a combinação de resultados jogou contra a equipe: a vitória da Bulgária sobre os Estados Unidos, horas antes, já havia fechado a conta e tirado o Brasil do grupo dos oito times classificados para o mata-mata. O confronto com os chineses virou, na prática, um amistoso de luxo, vencido pelos brasileiros, mas sem valor esportivo para o objetivo da competição.

Na semana final, o time bateu a França, perdeu para Estados Unidos e Polônia e encerrou a participação batendo a China. Esse saldo consolidou o retrospecto de sete vitórias e cinco derrotas em doze partidas, insuficiente diante de seleções que também brigavam pelas últimas vagas do top 8.

Por que o ineditismo pesa tanto

Desde a estreia da Liga das Nações, em 2018, o Brasil nunca havia ficado de fora da fase final. A seleção terminou em 4º lugar em 2018 e em 2019, foi campeã em 2021, ficou em 6º em 2022 e em 2023, terminou em 7º em 2024 e conquistou o bronze em 2025, ao superar a Eslovênia na decisão do terceiro lugar, em Ningbo, na China. Ou seja, em todas as edições anteriores o time avançou ao menos até as quartas de final, com um título e uma medalha de bronze no meio do caminho. É esse histórico que torna a campanha de 2026 a pior da história do Brasil na competição, segundo o levantamento feito após a eliminação.

Bernardinho reconheceu publicamente que as críticas ao trabalho são legítimas e afirmou que a equipe precisa evoluir em muitas coisas para seguir confiando no processo. Para o treinador, a autocrítica interna já é maior do que qualquer cobrança externa, e o caminho passa por continuar fazendo o que precisa ser feito, em um processo que ainda é longo.

O que vem depois da eliminação

Encerrada a participação na VNL, o elenco retornou ao Rio de Janeiro e seguiu para Saquarema, onde treina no Centro de Desenvolvimento do Voleibol Enel Brasil de terça-feira, 21 de julho, até 16 de agosto. Da base fluminense, a delegação viaja ao Japão para dois amistosos contra a seleção anfitriã, ainda sem data oficial divulgada pela Confederação Brasileira de Voleibol. Na sequência, o destino é a Itália, para disputar a FIPAV Cup Men Elite, torneio que reúne também Itália, Cuba e Alemanha. Depois, há ainda dois amistosos marcados contra a França, em Paris, adversário que também caiu na fase preliminar da VNL.

Esse giro internacional funciona como preparação direta para o Campeonato Sul-Americano, previsto para setembro no Maracanãzinho, no Rio, competição que distribui vaga olímpica e passou a ter peso redobrado depois do tropeço na Liga das Nações. A programação foi confirmada pela própria CBV como parte do plano de reconstrução da equipe até lá.

Enquanto a seleção corre atrás da reação em quadras internacionais, o calendário do vôlei nacional segue seu curso à parte: quem quiser saber quando começa a próxima Superliga já pode se programar, já que boa parte dos convocados de Bernardinho também atua pelos clubes que disputam o torneio.

O desafio agora é técnico e também psicológico. Uma seleção acostumada a brigar por medalhas em praticamente todas as edições da VNL precisa reconstruir a confiança em pouco tempo, com amistosos que valem como laboratório e um Sul-Americano que, pela primeira vez em anos recentes, carrega a pressão extra de garantir presença olímpica em vez de apenas confirmar uma vaga já esperada.

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Sobre o autor

Beatriz Rocha

Repórter de esportes com passagem por coberturas de futebol, vôlei e Olimpíadas. Escreve sobre os bastidores e a cultura das modalidades.

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