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Modelos de gestão no esporte: clubes, SAF e franquias

Clube-associação, SAF ou franquia? A forma de gerir define o destino esportivo. Compare os modelos que organizam o esporte dentro e fora do Brasil.

por Rafael Mendes 11 de junho de 2026 2 min de leitura
Modelos de gestão no esporte: clubes, SAF e franquias

A gestão dos clubes brasileiros passou por uma transformação com a Lei da SAF. Foto: Fotos Flu, CC BY 2.0, via Wikimedia Commons

Por trás de cada equipe existe um modelo de gestão que define como ela é administrada, financiada e cobrada por resultados. Esse desenho institucional, muitas vezes invisível para o torcedor, é determinante para a saúde e a ambição de um projeto esportivo — e ajuda a explicar por que clubes parecidos em campo têm destinos tão diferentes fora dele.

Do clube-associação à SAF

No Brasil, a tradição é o clube-associação: entidade sem fins lucrativos, dirigida por presidentes eleitos por sócios. O modelo tem virtudes — vínculo com a comunidade, identidade preservada — mas também fragilidades, como a descontinuidade administrativa a cada eleição e a dificuldade de atrair capital. Nos últimos anos, a Sociedade Anônima do Futebol (SAF) abriu caminho para a entrada de investidores e uma gestão mais empresarial, com governança, metas e responsabilidade financeira mais claras.

A SAF promete profissionalização e fôlego financeiro, mas levanta debates legítimos sobre identidade, controle e o risco de o clube se tornar refém de um único investidor. Não é uma solução mágica: separa o que é gestão de futebol do que é patrimônio histórico, e o sucesso depende de quem assume e de como o contrato é desenhado.

O modelo de franquias

Em ligas como as norte-americanas, predomina o modelo de franquias: as equipes operam dentro de regras coletivas — teto salarial, draft de novos atletas, divisão de receitas de TV — pensadas para equilibrar a competição e proteger a liga como um todo. A lógica é oposta à do “cada clube por si”: prioriza-se a sustentabilidade e o equilíbrio, de modo que até as equipes menores tenham chance de competir e o produto (a liga) permaneça atraente.

O que cada modelo prioriza

Nenhum modelo é perfeito; cada um responde a uma cultura e a um mercado. O associativismo valoriza o pertencimento; a SAF, a eficiência e o capital; o franchising, o equilíbrio competitivo da liga. Ligas brasileiras de outras modalidades, como o NBB no basquete, têm experimentado elementos de organização inspirados no modelo americano, buscando previsibilidade e crescimento sustentável.

Gestão também é estratégia

Entender a gestão ajuda a explicar por que alguns clubes sustentam projetos de longo prazo e outros vivem em crise, mesmo com elencos parecidos. Decisões de estrutura — como o clube arrecada, como controla a folha salarial, como decide contratar — moldam o que acontece em campo tanto quanto a tática. A forma de administrar, no esporte, é estratégia pura — e costuma separar quem cresce de quem apenas sobrevive de temporada em temporada.

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Sobre o autor

Rafael Mendes

Jornalista que cobre mercado, gestão e o circuito de tênis e MMA. Escreve guias e reportagens de contexto.

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