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Neymar encerra a carreira na Seleção como maior artilheiro da história, mas sem o título que faltou

Neymar anuncia aposentadoria da Seleção após a queda para a Noruega e fecha a passagem com 130 jogos, 80 gols e a Copa que nunca veio.

por Lucas Ferreira 9 de julho de 2026 4 min de leitura
Neymar em ação pela Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 2014

Foto: Agência Brasil, CC BY 3.0 BR, via Wikimedia Commons

Neymar anunciou, na noite de domingo (5), o fim de sua trajetória pela Seleção Brasileira. O gesto veio minutos depois da eliminação do Brasil para a Noruega nas oitavas de final da Copa do Mundo de 2026, por 2 a 1, gol brasileiro marcado pelo próprio Neymar, de pênalti, já nos acréscimos. Em entrevista ao vivo, ele resumiu a despedida em poucas palavras: “Tentei, tentei. Agora acabou. Comecei aqui e termino aqui”.

A frase carrega um significado geográfico preciso. O “aqui” é o MetLife Stadium, em East Rutherford, Nova Jersey, o mesmo palco onde Neymar estreou pela Seleção principal em 2010, num amistoso contra os Estados Unidos. Dezesseis anos depois, no mesmo gramado, ele encerrou o ciclo com a Amarelinha aos 34 anos, emocionado, sem conseguir segurar as lágrimas no vestiário improvisado da zona mista.

Ao longo desses 16 anos, Neymar disputou 130 partidas oficiais pelo Brasil, com 80 gols e 59 assistências, números que fazem dele, segundo o critério de contagem adotado pela FIFA, o maior artilheiro da história da Seleção Brasileira, à frente de Pelé.

Um recorde com uma ressalva importante

Essa comparação com Pelé, no entanto, exige cuidado. Pela contagem oficial da FIFA, que considera apenas jogos entre seleções nacionais reconhecidos pela entidade, Pelé marcou 77 gols em 91 partidas, número que Neymar superou. Mas a própria CBF mantém um levantamento histórico diferente, que inclui amistosos contra clubes e seleções combinadas, prática comum nas décadas de 1950 e 1960: por esse critério, Pelé soma 95 gols em 113 jogos, e Neymar, com seus 80 gols oficiais, segue atrás.

Ou seja: Neymar é, sim, o artilheiro histórico do Brasil no recorte que hoje serve de referência internacional (jogos oficiais entre seleções), mas o título de “maior artilheiro de todos os tempos” ainda depende de qual planilha se está usando, a da FIFA ou a da CBF. As duas contagens são reais, apenas partem de critérios diferentes sobre o que conta como jogo oficial.

Um detalhe menos comentado reforça essa complexidade: dos 80 gols de Neymar pela Seleção, apenas 8 saíram em Copas do Mundo antes de 2026, distribuídos de forma bem desigual entre as edições que disputou. Foram 4 gols em 5 jogos na estreia, em 2014, quando o Brasil chegou à semifinal em casa; 2 gols em 5 jogos na Rússia, em 2018; e 2 gols em 3 jogos no Catar, em 2022. Somando o pênalti marcado agora, contra a Noruega, Neymar fecha a conta em 15 jogos, 9 gols e 3 assistências em quatro Copas do Mundo, uma curva de produção que teve seu pico logo na primeira participação e terminou, simbolicamente, com um único gol de honra na despedida.

A taça que faltou

Apesar da artilharia, Neymar encerra a passagem pela Seleção principal sem o troféu que mais importava. O único título que ele venceu com o time adulto do Brasil foi a Copa das Confederações de 2013, disputada em casa, sob o comando de Luiz Felipe Scolari. O ouro olímpico de 2016, conquistado no Maracanã contra a Alemanha, veio pela seleção olímpica, competição e categoria distintas da Seleção principal, ainda que também sob a camisa canarinho e com Neymar como capitão daquele grupo. Na Copa do Mundo, a competição que definiria seu lugar ao lado dos maiores ídolos do futebol brasileiro, ele nunca chegou à final: parou nas semifinais em 2014, nas quartas em 2018, nas quartas em 2022 e, agora, nas oitavas em 2026.

É esse contraste, entre o volume estatístico inédito e a ausência da Copa do Mundo, que deve marcar como o país vai lembrar da era Neymar na Seleção. Para entender como os números dele se encaixam na lista histórica de artilheiros da Seleção Brasileira, vale revisitar o levantamento completo com os critérios usados para cada nome do ranking.

A eliminação para os noruegueses, que teve Erling Haaland como protagonista com dois gols, já havia sido tratada por aqui antes do confronto, quando o caminho do Brasil até as oitavas de final escancarou os riscos de uma chave difícil. O resultado em campo, porém, acabou em segundo plano diante do anúncio do camisa 10. Ainda não há posição oficial da CBF sobre uma eventual homenagem de despedida em amistoso futuro, e Neymar não confirmou se pretende, como fizeram outros ídolos antes dele, voltar a vestir a camisa da Seleção em uma partida simbólica de encerramento.

Por ora, fica o registro estatístico e a frase feita nos corredores do MetLife Stadium. Para acompanhar os próximos desdobramentos da Copa e do futebol brasileiro, veja a cobertura completa no hub de Futebol do A Hora do Esporte.

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Sobre o autor

Lucas Ferreira

Analista esportivo especializado em tática e dados. Cobre futebol, basquete e automobilismo, traduzindo números em leitura de jogo.

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